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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Secos e molhados

Há bocado os miúdos estavam lá fora, no condomínio, a jogar à bola, como acontece sempre que o tempo permite. Eram, ao todo, seis miúdos, mas às vezes são 8, outras mais de dez, todos das mesmas idades, todos rapazes, todos a aproveitar o tempo até chegar a primeira voz de comando de uma mãe ou de um pai que chama para jantar. De repente, o sistema de rega automática disparou. E o Martim não resistiu. E deixou-se encharcar até às cuecas. Rodava na direcção da água, ria que nem um perdido, batia com os pés na terra feita lama, feliz. Da sua varanda, a minha mãe acenava, desesperada. Gritava com ele, que não podia ser. Gritava comigo, que vivo em frente, para o mandar para casa. Sentei-me no terraço, encolhi os ombros e fiquei, enternecida, a vê-lo, tão feliz, tão livre, tão criança.
Este é o grande paradigma que marca a grande diferença entre mim e a minha mãe. Naquela cena ela viu falta de regras... e doença. Constipação, gripe, pneumonia, até. Eu, pelo contrário, naquela cena só vi felicidade. Liberdade. Prazer. Se não for agora, aos 4 anos, quando é que ele vai deixar-se encharcar por um sistema de rega? Às vezes acho que um dos grandes problemas dos pais é quererem que os filhos se comportem como adultos em miniatura. E confundem educação com castração. Felizmente, julgo não sofrer desse mal. E assim, deliciados, eu e o Ricardo ficámos a ver o Martim a dançar com a roupa colada ao corpo, e o Manel com as mãos na cabeça, a olhar para nós em busca de aprovação ou censura. Sorrimos-lhe como que a dizer: vai tu também, força! E ele foi, com aquele sorriso de quem está a cometer uma infracção consentida.
Que belo fim de tarde.

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