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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

São Miguel, Açores - A partida

A minha mãe veio ter a nossa casa. Os meus sogros foram para o aeroporto. Encontrámo-nos lá todos.

Alguma tensão porque calhou viajarmos precisamente no dia dos hediondos atentados de Bruxelas. Passar a manhã a ver aquelas imagens horríveis e pensar "que mundo é este em que pessoas vazias de tudo se explodem ao nosso lado, sem que nada o faça prever?" não deixa ninguém indiferente (a não ser essas pessoas vazias de tudo). Claro que não estávamos propriamente à espera de réplicas no aeroporto de Lisboa ou num voo para a pacata Ponta Delgada, mas acho que ninguém viaja serenamente num dia tão triste como o de ontem. 

Estávamos já a entrar para o autocarro que nos ia levar ao avião quando, de repente, a minha sogra se esbardalha ao comprido. Quando digo ao comprido é mesmo ao comprido, toda deitadinha no chão, as coisas da carteira todas espalhadas, pessoas a saírem do autocarro para ajudar, eu entalada entre vários passageiros, a segurar no carrinho do Mateus, todo um filme. 

Entrou muito combalida, muito coxa, e eu não gostei nada do aspecto daquele pé, que duplicou de tamanho instantaneamente. Mas não quis dar muita importância nem estimular o drama, de maneira que fiz de conta que estava tudo bem. Enquanto os avós subiam para o avião, ainda tirámos a clássica foto com o avião da SATA por trás (ficou uma treta mas enfim).SATA.jpg

Uma nota ultra positiva para a SATA, companhia em que voei sempre que vim aos Açores (e esta é a quarta vez para São Miguel (fora a Terceira e o Faial), pela extrema simpatia e profissionalismo. Trouxeram logo um saco com gelo para a minha sogra, durante a viagem perguntaram várias vezes como se sentia, entregaram livrinhos e lápis para colorir às crianças do voo, foram incansáveis com uma senhora que ia atrás de mim com dores de cabeça, surpreenderam muito a menina que ia ao meu lado e que nem queria acreditar quando perguntou se havia sandes vegetariana e... havia (apesar de, nestes casos de pedidos especiais, ser preciso marcar previamente). Nota 10! 

Bom... o pior foi quando aterrámos. O pé da minha sogra tinha quadriplicado e nada de conseguir pousá-lo no chão. Descer as escadas até terra foi um cabo dos trabalhos. O meu sogro já dizia que queria voltar para Lisboa no próximo voo. A minha sogra chorava copiosamente sentada numa cadeira do aeroporto de Ponta Delgada.

Fomos ter com a senhora do rent-a-car (Micauto) e lá estava a carrinha de 9 lugares à nossa espera. Enooooooorme! Afinal, somos muitos. Mais precisamente... nove!

Eram 21.15. Decidimos que tínhamos de ir pôr as malas ao hotel e ir com ela ao hospital. E assim foi. 

Conclusão? Pé partido. Gesso. A minha sogra inconsolável.

Os funcionários do hotel Royal Garden foram incríveis, descobriram uma cadeira de rodas no armazém, disponibilizaram-na de imediato, e só não aceitámos a oferta para a usar mesmo fora do hotel durante estes dias porque é uma cadeira com um buraco no meio (é para usar na casa-de-banho) e que não se dobra para meter no carro.

Como a cadeira não era de facto funcional, os nossos queridos amigos micaelenses puseram-se rapidamente em acção (obrigada, queridos Chico e Gorete!), e hoje às 9h da manhã já cá tínhamos a cadeira de rodas.

Hoje fizemos um passeio que incluiu a maravilhosa Lagoa das Sete Cidades e temos já a foto icónica destas mini-férias.

cadeira de rodas.jpg

Sem stress. Há incidentes que não são mais que isso: incidentes, azares, cenas que acontecem. Temos estado a dizer-lhe e a repetir que aquilo que lhe aconteceu a ela podia ter acontecido a qualquer um de nós (a mim principalmente, que sou pessoa dada a esbardalhanços). E que uma cadeira de rodas não tem de nos impedir de fazer nada. Certo, Mafi do meu coração e luminosa Marta Canário

E o dia lindo que esteve?

São Miguel, prepara-te que ainda agora começámos! 

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