Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Quinta de La Rosa: amor à primeira visita

Este fim-de-semana foi incrível. Até tenho vergonha de dizer isto mas nem eu nem o Ricardo conhecíamos o Douro. Só conhecíamos de passagem, mas nunca lá tínhamos ficado. E não estou a imaginar melhor forma de iniciar nesta nova paixão do que na Quinta de La Rosa, ali mesmo ao lado do Pinhão.

A Quinta de La Rosa é linda. Mas mesmo linda. Uma quinta familiar, gerida por Sophia Bergqvist.

Tudo começou em 1815, por uma empresa de exportação que comprava e vendia vinho do Porto. Depois, a Quinta de La Rosa foi oferecida à avó de Sophia, Claire, como presente de baptismo. E que presente! A maior parte das pessoas safa-se com uma pulseirinha ou uma argola de guardanapo e Claire ganhou esta maravilha. Mas foi um presente sábio. Porque calhou nas mãos certas. Mais tarde, Albert, o criador das vinhas do Vale do Inferno, passou por sérias dificuldades financeiras nos anos 30 e teve de vender uma parte do negócio. A partir de então passaram a vender uvas à Sandeman e à Croft, ou seja, eram apenas produtores de fruta. Só em 1988 é que começaram a produzir o próprio vinho do Porto. O pai de Sophia, Tim, e ela. E a partir de 1990 passaram a produzir também vinho de mesa, além do Porto, com as mesmas uvas. Tiveram um sucesso imediato. Hoje, dois terços da produção é de vinho de mesa.

sophia e tim.jpg

Direitos Reservados 

 

Chegámos na sexta-feira, ainda a tempo de um churrasco à beira da piscina. Conhecemos o enólogo da quinta, Jorge Moreira, com quem estivemos à conversa e que contou imensas histórias - além de ser conceituadíssimo (foi eleito enólogo do ano em Fevereiro) tem muita, muita graça (chorámos a rir com a sua estratégia para os barcos gigantes que atravessam o Douro e com a história de uma certa corrida que acabou numa quase-morte).

No sábado, o nosso pequeno-almoço foi tomado num terraço bucólico com uma vista esplendorosa. Parecia cenário.

IMG_9515.JPG

Depois do pequeno-almoço, fomos conhecer as vinhas do Vale do Inferno. Que beleza!

IMG_9520.JPG

IMG_9523.JPG

IMG_9521.JPG

IMG_9519.JPG

IMG_8769.JPG

IMG_9525.JPG

 A seguir vimos o lagar e as caves, guiados pelo Eduardo, que sabe mais sobre vinhos a dormir do que eu acordada.

IMG_9528.JPG

IMG_9529.JPG

IMG_9531.JPG

Seguiu-se o almoço. Ficámos numa mesa com importadores de vinho que também tinham sido convidados, com jornalistas e bloggers de vinhos. No fim do almoço, um jornalista alemão todo atlético desafiou-me a mim e a uma jornalista americana que já fez 7 maratonas para atravessarmos o Douro a nado. Comecei por dizer que não, porque me apetecia mais ficar ali na moleza, mas como se sabe sou muito fraquinha e não consigo resistir a um bom desafio. Em menos de nada estava de fato de banho vestido. Ele, quando me viu chegar, riu-se e atirou, com ar gozão: "I'm proud of you".

Quando saltámos iamos enregelando - eita rio fresquinho! - mas depois logo aquecemos. Fomos até à outra margem e voltámos. Soube meeeesmo bem.

À noite, fomos à inauguração do novo restaurante da Quinta: Cozinha da Clara. Uma homenagem à avó de Sophia, com a coordenação do chef Pedro Cardoso. 

 

O restaurante está muito bonito, todo em madeira, com janelas gigantes de vidro a darem para uma varanda generosa debruçada sobre o Douro. Absolutamente esmagador. E o jantar foi divino: Terrina de Leitão com cogumelos e gomos de laranja (acompanhada por um La Rosa Reserva branco 2016); Chamuça de Sardinha com compota de pimentos vermelhos e mescla de alfaces (La Rosa branco 2012); Corvina com batata caldeirada e molho de peixe (Tim Grande Reserva branco 2015); Granizado de Tomilho Limão; Vitela com milhos transmontanos em duas texturas e molho de vinho do Porto (La Rosa Reserva tinto 2007 e 2008); Parfait de leite creme. Os vinhos eram todos soberbos mas, para finalizar, pudemos beber uma preciosidade: um La Rosa Vintage de 1960, produzido pela D. Clara, avó de Sophia. Uma honra. Um privilégio.

FullSizeRender-6.jpg

 

clara.png

IMG_9559.JPG

IMG_9573.JPG

A noite acabou às quinhentas e foi divertidíssima. O Álvaro e a sua banda (Four Wine) fez as delícias de toda a gente, sobretudo com esse poema inesquecível "Quando namorei contigo/ enchi-te a casa de lenha/ Agora que não namoro / Deita a lenha cá para fora". O Roberto, da I Love Douro, fez-me chorar a rir. 

IMG_9565.JPG

IMG_9569.JPG

IMG_9563.JPG

Ontem foi a despedida. Mais um passeio pela quinta e pensar que, se houvesse possibilidade de viver duas vidas, a próxima gostava de experimentar vivê-la ali.

Gostei muito de conhecer a Sophia, com quem acabei por não conversar muito, mas que deu para perceber o mulherão que é. Daquelas mulheres cuja fibra se nota pelo olhar mas que, depois de conhecermos a sua história, fica ainda mais clara e evidente. Gosto também do respeito pela herança familiar, que se nota na forma orgulhosa e emocionada com que fala dos antepassados e de tudo o que ali se construiu. Só honrando o passado se pode fazer mais no presente e no futuro. De modo que ficou assim um carinho mesmo especial pela Quinta de La Rosa, que tão bem nos acolheu, e que me parece o lugar mais-que-perfeito para se dar início a um grande amor: o amor pelo Douro. É, sem dúvida, um amor que peca por tardio, mas havemos de recuperar todo o tempo perdido!

IMG_9537.JPG

FullSizeRender-7.jpg

 

Quinta de La Rosa: 254 732 254 ou 931 461 038 

GPS: N 41.182149  W 7.552549

holidays@quintadelarosa.com

 

 

8 comentários

Comentar post