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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Os professores merecem o nosso respeito (e a nossa solidariedade)

Tenho muita pena que se tenha vindo a desvalorizar a profissão de professor. Haverá actividade mais nobre do que a de passar conhecimento, ensinar as novas gerações, entusiasmá-las para o saber? Como é que isto aconteceu? Como é que se passou do respeito por um lente para a total bandalheira, o total demérito, a perfeita desconsideração? Não sei. Mas tenho pena.
Tive alguns professores que me marcaram. Muito. A primeira de todas foi a minha professora primária, miss Morgado (Escola Princesa Ana). Gostava tanto dela que, quando se pôs a hipótese de mudar para outra fiz uma fita imensa. Não mudei. A miss Morgado era doce mas também sabia ser dura. Ensinou-me tanta coisa... e soube entusiasmar-me por aquilo que, já na altura, era o que mais gostava: escrever.
Também não me esqueço da minha professora de Português, já no Moderno. Era a Cidália. E a de Filosofia, tão mas tão marcante para mim: Lisete. Era incrível. E era impossível não gostar da disciplina, com uma professora tão apaixonada por o que leccionava. Além do mais, ajudava-nos tanto a compreendermo-nos, nós que andávamos todos tão baralhados com as hormonas. Ainda hoje, quando a vejo, tenho sempre vontade de a abraçar. Também não me esqueço do professor de Físico-Química, cujo nome já esqueci, mas que era um querido senhor, tão paciente para com a minha incapacidade de atingir toda a complexidade quer da física, quer da química. E, mais tarde, o professor Vítor Nobre, de rádio (perfeito, perfeito!), o professor Adelino Gomes, o professor Mário Figueiredo (que, já contei aqui, foi quem me disse que não podia ser outra coisa que não fosse jornalista, quando me pus a pensar ir para Publicidade).
Estou a esquecer-me de muitos. Seguramente. Mas, assim de repente, são estes os nomes que me ocorrem. E que ajudaram a ser quem sou hoje. Por isso, hoje estou com os professores, com a sua luta por uma vida melhor, mais digna, pela respeitabilidade que a sua profissão nunca devia ter perdido. Muitos alunos ficaram sem fazer o exame hoje? Ficaram. É chato? É. Mas quem sabia a matéria hoje sabê-la-á no dia 2 de Julho. As lutas, todas elas, causaram transtornos a alguns. Sempre foi assim. Sempre será. O importante é lutar por aquilo que está certo. Hoje estou com os professores. E mando um abraço a todos os alunos que hoje não fizeram exame. Mas quero acreditar que, no dia 2 de Julho, saberão tanto de Português como sabiam hoje.

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