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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O regresso

Voltámos e custa. Não é que a nossa vida de todos os dias não seja boa (que é), mas a verdade incontornável é que somos infinitamente mais felizes quando estamos de férias, quando não temos horários, quando não temos pressão, quando não andamos a toque de caixa, quando não temos de gritar para que os miúdos acordem, para que se vistam, para que engulam o pequeno-almoço, para que os outros saiam da frente no trânsito porque estamos atrasados.

Não ter responsabilidades (tantas), afazeres (tantos), obrigações (demasiadas), fretes (ui...) faz-nos mais felizes. Aproxima-nos uns dos outros. Relembra-nos que nos amamos - porque, às vezes, até disso nos esquecemos. A correria desenfreada em que andamos no dia-a-dia tem a capacidade corrosiva de quase nos fazer esquecer (ou, pelo menos, de não nos fazer lembrar tantas vezes quantas gostaríamos) do amor que sentimos uns pelos outros. Parecemos ratos a correr na roda. Passamos os melhores anos da nossa vida nisto. Os melhores anos da nossa vida a esquecermo-nos do mais importante. E a viver sem degustar. A viver à pressa, sem apreciar nada porque para apreciar é preciso tempo. E tempo é aquilo que não temos.

Tivemos momentos incríveis, de uma proximidade tão boa. Até no aeroporto de Belo Horizonte, onde fizemos uma escala de 5 horas antes de apanharmos o avião de regresso (somos 6 e há que tentar poupar fazendo escalas, é a vida), foi tão divertido - corremos, andámos nas passadeiras rolantes, chorámos a rir a ver o Mateus entrar e sair do piso que se movia (e bater com o rabo no chão), jogámos às cartas, conversámos. 

Dá que pensar. 

Às vezes acho que estamos todos errados. Que esta vida histérica que levamos é idiota demais. Que não faz sentido. Mas depois, penso de novo, e concluo que somos todos reféns, que não temos saída. Não dá para enlouquecer, vender tudo e comprar uma barraca de madeira junto à praia e viver de pescar. Não dá para sermos livres, por muito que até sintamos que era isso que fazia sentido. 

Posto isto, vou trabalhar. Os miúdos estão na escola. O Ricardo também já está lá na labuta. Cada um para seu lado. 

Voltámos e custa. Mas não tarda já estamos todos cinzentos outra vez, esquecidos da falta de sentido que isto tudo faz, e acostumados à nossa roda frenética.

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