Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O flagelo dos pais prendados

Gostava de vos trazer um tema que urge discutir. O dos pais prendados.

Os pais prendados são uma ameaça. Um tormento para os pais que nasceram sem um dom. São uma calamidade. Não digo que devessem ser exterminados, que também não desejo mal a ninguém, mas talvez obrigados a parar com o seu exibicionismo, claramente vexatório para todos os outros (pobres) pais.

Na escola de um dos meus filhos, todas as sextas-feiras devemos levar alguma coisa que nós próprios façamos, com as nossas mãos. Ninguém diz que tem de ser elaborado. Basta levar. Mas os pais prendados tratam de chegar, ufanos, com verdadeiras obras de arquitectura, deixando-nos aquele sabor amargo de nos termos estado a esforçar pela noite dentro para produzir um pequeno lixo que jamais conseguirá chegar aos calcanhares daquela preciosidade artística. Se o tema é a "Cooperação", lá vem um pai ou uma mãe que traz uma escultura em barro com inúmeros bonequinhos encavalitados a entreajudarem-se, ou uma mãe que esculpiu em madeira várias mãos entrelaçadas. Se o tema é "Amizade", é ver desfilar complexas instalações onde abraços em cartão se transformam em árvores sólidas. Se o tema é "Reciclagem" há quem elabore globos terrestres com material reciclado com tamanha perfeição que preferimos manter na mala a nossa porcaria-que-está-toda-descolada-e-cheira-a-leite-azedo-e-atum, deixando correr lágrimas tristes pelos olhos envoltos em olheiras.

Como se não bastasse esta humilhação semanal, há ainda o dia em que os pais vão à escola, fazer uma actividade à sala dos seus filhos. Ora, os pais podiam apenas ir à escola ler uma história. Simples. Chegavam, sentavam-se, liam a sua história, e pronto. Seguiam à sua vidinha, com a sensação de dever cumprido. Mas... o que fazem os pais prendados, o quê? Coisas incríveis. Colagens tridimensionais, cozinhados de fusão, experiências químicas, origamis complexos. Uma pessoa até queria marcar a sua ida à escola, fazer parte desta ligação entre os dois mundos. Mas perante os relatos sobre a fascinante prestação das várias famílias, a pessoa vai adiando, adiando, na esperança vã de descobrir uma qualquer veia artística até então desconhecida, que lhe permita sair deste permanente estado de enxovalhamento. 

 

Nota: Adoro a escola do meu filho. É a melhor em que já tive qualquer um deles. Só não adoro pais prendados. Quer dizer... nada contra. Tenho é inveja. 😅

 

31 comentários

Comentar post

Pág. 1/3