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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Maya

O novo programa da Maya exerce um magnetismo esquisito em mim. Eu começo a ver aquilo e fico grudada, como se ela fosse o tocador de flauta e eu a serpente. É incrível a forma peremptória como a taróloga diz às pessoas coisas como:
- Não tem que se preocupar, a cirurgia vai correr lindamente!
ou
- O seu marido já não tem qualquer sentimento por si, minha querida, por isso é seguir em frente.
ou
- Pode ficar descansada que a sua filha vai passar nos exames.
ou
- Esteja tranquila, o homem com quem iniciou esta relação é bem intencionado.

Ora bem. E se a cirurgia corre mal e a senhora fica a babar? E se o marido da outra a ama de paixão e ela o manda para as urtigas, porque a Maya disse? E se a filha da outra chumba? E se o fulano que a mulher arranjou é um bandalho do piorio? E se, de repente, toda uma audiência televisiva se puser à porta do estúdio, com vidas falhadas por culpa da bruxa que garantiu uma coisa que, afinal, era outra?
Eu sei que as pessoas são crescidinhas e acreditam no que querem acreditar. Mas dá-me medo. Tanta certeza sobre a vida e sobre o futuro dá-me medo. E, ainda assim, ali fico, em frente ao ecrã, boquiaberta e sem me mexer. E, já agora, amor: a Maya diz que os Peixes vão ter um dia do cacete. Assim mesmo espectacular. Aproveita. Se ela diz...

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