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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Mário Soares

A minha mãe ontem perguntou-me por que é que não tinha escrito nada sobre Mário Soares. A resposta não é uma, são várias. Primeiro que tudo talvez porque já vi tanta enormidade escrita nas redes sociais sobre a morte do ex-presidente da República (nomeadamente a festejá-la) que queria evitar ter de as voltar a ler aqui, neste espaço que é meu (e talvez seja bom avisar que toda a enormidade será eliminada de imediato, sem contemplações). Depois, porque nesta fase da vida em que me encontro, esta é mais uma perda que me deixa um certo sentimento de vazio, e toda a gente sabe que o vazio é inimigo da inspiração para a escrita. Em terceiro lugar porque estudei no Colégio Moderno do 5º ao 12º ano, e em 1986 andei com autocolantes nas camisolas, nos casacos e nos cadernos que diziam "Soares é fixe" (apesar de morrer de amores pelo sobretudo verde que era imagem de marca de Freitas do Amaral). Por último, depois de tanto que já se disse e escreveu sobre esta figura incontornável da nossa História sinto que tenho nada a acrescentar. Apenas isto: Mário Soares foi um dos obreiros do regime em que vivemos, um regime onde - só para dar um exemplo de proximidade - eu posso ter um blogue onde escrevo rigorosamente tudo o que me dá na bolha. Teve falhas? Teve erros? Ah, pois teve. Quem não tem? Quem vive uma vida política (e uma vida, em geral) sem uma falha, um erro? Quem está tantos anos debaixo dos holofotes sem o fazer? Ainda assim, aquilo que lhe devemos é - quanto a mim - muito mais do que aquilo que lhe podemos apontar. É a minha opinião.

Doeu-me profundamente ver os filhos discursar sobre o pai. Doeu-me ver Isabel Soares, que é uma rocha, feita areia. Uma mulher feita criança, de novo. Perante os nossos pais somos sem dúvida meninos até ao fim. 

Agora que já terminaram as cerimónias, deixo aqui a minha singelíssima homenagem, que é só isto. Isto e agradecer.

soares.jpg

 

 

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