Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Madrugar e trabalhar por culpa da fada


Ontem à noite, enquanto o Manel dormia, deixámos um gigantesco embrulho aos pés da cama. Comprámos um quadro, de um lado ardósia, do outro uma espécie de porta-telas, para pôr folhas grandes e pintar com pincéis. De um lado um suporte para pôr o giz e o apagador, do outro um suporte para pousar as tintas e os pincéis.
Confesso que me incomoda sempre um bocado que as fadas e os Pais Natais desta vida fiquem com os louros das nossas ofertas. E por isso é que faço questão que o presente que o velho das barbas vem entregar no dia 24 nunca seja o mais giro de todos. O mais giro oferecemos nós.
Desta vez, porém, concedi.
De manhã o Manel chegou à nossa cama com a voz de quem acaba de chocar com um fantasma no corredor:
- Mãe... Mãe... está um embrulho enorme na minha cama...
- Ah sim? Boa, então a fada dos dentes sempre veio.
- Mas, mas, mas... A fada dos dentes é pequenina ou é grande?
- Errrh... Não sei. Nunca a vi. Porquê?
- Porque o presente é mesmo grande e pesado. Se ela for pequena, como é que conseguiu pôr aquilo no meu beliche?
- Bom, as fadas são mágicas, não é?
- Sim. E ela se calhar tem ajudantes.
- Pois, é natural que tenha.
Foi outra vez para o quarto. Cinco minutos depois voltou.
- Mãe? Mas a fada sabe onde é que se embrulham os presentes? O embrulho é da Toys 'r us.
- Errrh... As fadas devem ter imensas lojas de brinquedos lá na terra delas.
- Pois. Então as fadas existem mesmo?
- Parece que sim.

Esta conversa aconteceu às 8 da manhã. São nove e meia e já ouvi o pai rosnar, de volta de pedaços de madeira e parafusos, que a maldita fada podia ter tido a decência de montar o quadro.
Definitivamente, as fadas não nasceram para nos facilitar a vida.

1 comentário

Comentar post