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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Há dias...

... que mudam tudo. Há dias que representam anos. Quase uma década inteira. Há dias em que damos passos de gigante, ainda que, antes de começarmos a caminhar sintamos uma quase irreprimível vontade de fugir a sete pés. Há dias em que sentimos o coração tão acelerado dentro do peito que parece que ele vai explodir, desfazendo-se em mil pedaços. Mas, no final, ele acaba por bater mais sereno e compassado do que em anos. Há dias em que o encontro entre olhares é como um novo nascimento. Há dias em que tudo o que ficou para trás parece tão desprovido de sentido, tão esvaziado de razão, que só apetece perguntar: «Por que não antes? Por quê só agora?» Mas depois, nesses dias tão emotivos, é preciso voltar a meter os pés na terra e concluir que há dias que só podem mesmo ocorrer quando ocorrem. Não antes. Porque tudo tem um tempo. O tempo da mágoa. O tempo da raiva. O tempo da intolerância. O tempo da tristeza. O tempo do conformismo. O tempo da (aparente) indiferença. O tempo do apaziguamento. Como no luto, é preciso compreender que há etapas a respeitar. Há tempos a cumprir. E o tempo, não resolvendo tudo, ajuda muito. E por isso, sim, se é verdade que há dias que parecem tão simples e naturais que podiam ter vindo mais cedo, não é menos certo que só podiam mesmo ter chegado quando chegam.
Há dias que mudam tudo.
Hoje, quer-me parecer, foi o dia.

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