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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Férias: quando o começo não é perfeito (ou seja quase sempre)

O início das férias nem sempre é bom. Na verdade, aqui em casa é quase sempre mau. Este ano foi dos piores de sempre. Estávamos há 3 semanas sem crianças. O silêncio dessas três semanas não teve preço. Creio que só é possível apreciar devidamente algo que não temos ou não tivemos durante muito tempo. E o silêncio é algo que, numa casa com 4 miúdos, não acontece muitas vezes. Além do silêncio, tivemos tempo para nós os dois. Para ler, jantar fora, passear, namorar. Tempo precioso. Quando as férias começaram, recomeçou o barulho. Os gritos, as discussões, o "ó mãe, ele bateu-me!", "Não fui eu, foi ela!", as argumentações parvas, as discórdias. O Mateus esteve três dias verdadeiramente insuportável. Sempre a chorar, sempre a fazer birras, aos guinchos, a espernear sempre que era contrariado. Em suma, o começo das férias trouxe stress, chinfrim e trabalho. Nós, que estávamos com os níveis de adrenalina sossegadinhos tivemos um pico frenético que nos deixou atordoados e a pensar que as férias iam ser um desastre.

É todos os anos isto. Mesmo quando não estamos 3 semanas sem eles antes das férias, o embate com as novas rotinas não é fácil. E também porque acho mesmo que passamos o ano a sonhar com um ideal de férias que não existe. Ou seja: quando sonhamos com férias imaginamo-nos a baloiçar numa rede, a dormir até às tantas, a sentir o sossego amolecer-nos o corpo. Às vezes até escolhemos para o desktop do nosso computador uma imagem das Maldivas ou de Bora Bora ou destino paradisíaco equivalente, e sorrimos ao imaginar o que nos espera. Burrice. Qualquer semelhança entre esse Paraíso e as férias das pessoas em geral é mera coincidência. Há gritos, há apitos, há sandes para preparar, roupa para lavar, gente para mandar calar, protector solar para espalhar em metros de pele, jantares para fazer, fraldas para trocar, brincadeiras que temos de fazer mesmo quando só nos apetecia ficar deitados ao sol. Descanso? Só no desktop do nosso computador, que continua a exibir coqueiros e água transparente.

O embate dura geralmente dois dias ou três. Depois eles acalmam (ou nós acostumamo-nos) e vem a felicidade. Dar valor ao comboio vagaroso que nos leva até à praia onde vamos há 20 anos, aos mergulhos no mar morno, ao sol que nos aquece a pele e a alma, ao livro que devoramos, aos amigos que se reunem na praia, os nossos e os deles, aos jantares tardios nos lugares de sempre onde já nos conhecem pelo nome, ao sono deles, exaustos de tanta diversão.

Chegámos à nossa casa de Tavira no sábado. As nossas férias começaram ontem. 

 

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