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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Perip√©cias, pilh√©rias e parvo√≠ces de meia d√ļzia de alminhas (e um c√£o).

F√©rias ūüėć

F√©rias rima com vagar. Acordar e ficar na cama, na ronha, at√© todos os filhos, um a um, invadirem o nosso espa√ßo com¬†os seus corpos quentes de sono em abra√ßos apertados que se d√£o de olhos fechados. F√©rias √© tomar¬†o pequeno-almo√ßo no nosso pequeno jardim, todos juntos ou, quanto eles dormem at√© mais tarde, √† vez. Sem pressas. Sem a correria dos pequenos-almo√ßos nos dias de escola. F√©rias √© praia, claro. E¬†cheiros bons: o perfume¬†das flores algarvias, o pinhal da Praia Verde, a ria formosa, o mar. F√©rias √© jogos na areia: cartas, stop, futebol, raquetes. F√©rias √© ler. Muito. Livros que deliciam pela beleza da escrita mas sobretudo livros que se devoram pelo¬†suspense e mist√©rio - para mim, os melhores para ler na praia. F√©rias √© dormir sestas na areia, a ouvir ao longe o vendedor das bolas de Berlim com o seu c√Ęntico e risos de crian√ßas e as ondas a rebentar. √Č um sono leve porque escutamos tudo, mas perfeito mesmo assim (ou por isso mesmo). F√©rias √© sair do areal j√° com o crep√ļsculo. √Č ficar com as toalhas hirtas de sal, os cabelos com algas que n√£o se libertam nem com um banho, √© sentir a areia nos p√©s em casa mesmo depois de varrer tudo duas vezes. F√©rias √© apanhar o comboio do Barril com o lusco-fusco¬†e sentir aquele cheirinho inconfund√≠vel (reconheceria aquele lugar¬†de olhos fechados, apenas pela brisa). Ou subir a ladeira da Praia Verde j√° com vontade de jantar. F√©rias √© fazer projectos, sonhar, imaginar que tudo possa ser ainda melhor do que j√° √©. F√©rias √© passar tempo com os amigos de sempre, √© ver como os nossos filhos crescem juntos desde que nasceram, √© ver as diferen√ßas de ano para ano e sentir um misto de alegria e nostalgia por isso. F√©rias rima com jantares tardios, percorrendo todas as capelinhas obrigat√≥rias do ver√£o: os petiscos de Cacela, o Sem Espinhas, os Pezinhos na Areia, o Z√© Maria, o Fialho, a No√©lia, o Pedro, os fritos de Ayamonte. Nas f√©rias tamb√©m h√° birras √©picas, por falta de sono, mas que se aguentam bem porque ningu√©m tem a paci√™ncia esgotada. Porque nas f√©rias gostamos todos mais uns dos outros, porque temos tempo para nos lembrarmos disso, porque n√£o temos mais nada para fazer do que estarmos juntos. E √© t√£o bom.¬†F√©rias √© tudo isto, todos os anos, numa monotonia que n√£o cansa. Provavelmente, se n√£o tivessem fim n√£o seriam t√£o boas. Mas que custa muito pensar que terminam... isso custa.

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 https://www.instagram.com/coconafralda/

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