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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Feliz Dia dos Avós!*

Lembro-me muitas vezes da minha avó Isá. Do seu carrapito grisalho laboriosamente enrolado na parte de trás da cabeça e preso com uns ganchos em forma de u. A minha avó não era de muitos mimos. A vida não foi propriamente meiga para com ela, de modo que a meiguice não lhe estava na massa do sangue como está com naturalidade naquelas que só conheceram a suavidade dos dias. Ainda assim, eu sentia que ela era mais terna para comigo do que alguma vez terá sido para qualquer outro ser humano. Gostava de mim e era quanto me bastava. Defendia-me das fúrias da minha mãe, pouco tolerante para com as minhas travessuras, ria-se das minhas parvoíces, fazia-me bifes com batatas fritas. Muitas batatas fritas, que continuavam a chegar ao prato quentinhas e estaladiças, mesmo depois de terminado o bife, e cujo sabor nunca mais encontrei, nem em casas de família, nem em festejos de amigos, restaurantes finos, tascos grossos ou qualquer outro lugar onde se coma. 

Também me lembro do meu avô, mas menos. Lembro-me dos seus olhos caídos, como se estivessem tristes, e do andar pausado, como se cada passada revelasse um certo cansaço de viver. Tratava-me por "a menina". Deixa a menina comer. Não ralhes com a menina. Cuidado, que a menina ainda cai. Amava a sua horta e ensinava-me a distinguir, pela aparência das ramas, o que eram couves, o que eram grelos, batatas, tomates, cebolas. Estava sempre de olho em mim, quando íamos juntos à horta, não fosse cair no poço. E o que eu gostava de ver as suas mãos ásperas puxarem a corda, que chiava na roldana, até se assomar à superfície o balde com água fresquíssima em equlíbrio instável a cada novo puxão da corda. Quando lhe tiraram a horta, para construir uma estrada, senti pela primeira vez o sabor da revolta. E tive medo de o perder porque, apesar de criança, já compreendia que há prazeres que não são supérfluos. São o próprio sentido da vida.

Os avós não são bem pessoas. São entidades. São património. Quando sabem sê-lo (porque é preciso vocação e talento, não se nasce a saber ser avó ou avô), são preciosidades na vida de todos nós. Amparam-nos, dão colo, brincam, têm paciência e tempo para nós. Tempo, sobretudo, que é algo que parece faltar a toda a gente. 

No momento em que escrevo este texto, um dos meus filhos está a passar uma semana com a avó. Oiço os relatos dela ao telefone e, de repente, a minha mãe tem uns 40 anos outra vez. Rejuvenesceu. A novidade que é a vida, para o pequeno Mateus, contagiou a minha mãe, e de repente tudo é engraçado outra vez, uma frase, uma cantiga, a água fria nos pés, o sono, o apetite voraz. É a magia da infância que os avós bebem com sofreguidão e retribuem com amor e bolos.

Tenho muita pena de quem não sabe dar valor aos avós. E ainda mais pena dos avós que não sabem dar valor ao estatuto a que chegaram, patamar único, pódio, prémio que a vida lhes dá. 

E para celebrar este Dia dos Avós, a Multiopticas tem um passatempo a decorrer na sua página de facebook, em que pede aos fãs que partilhem uma história (através de vídeo, imagem ou texto) que inclua os seus avós. As 10 histórias mais emocionantes ganham 1 bilhete duplo para o Jardim Zoológico de Lisboa. Podem ver todo o regulamento AQUI.

Alé disso, está a decorrer uma campanha promocional em loja, de 26 a 31 de Julho, que consiste numa oferta Leve 3 Pague 1. Óculos para toda a família.

De aproveitar, sem dúvida.

Feliz Dia dos Avós!

avó e neto.jpg

 

*Post escrito em parceria com a Multiopticas

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