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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Fanico pela manhã

Passei toda a manhã no Hospital Garcia de Orta, porque estou a fazer uma reportagem que me vai fazer andar em vários hospitais, durante uns tempos. E eu lido bem, muito bem com estas coisas: os doentes, o cheiro, até já assisti a cirurgias cardíacas, "de peito aberto" com o Professor Manuel Antunes e não me fez confusão nenhuma, e autópsias e tanatopraxias com a Servilusa. Mas...
...
veias... tenho uma fraqueza com veias. E hoje, andei a acompanhar a recolha de sangue de alguns pacientes complicados. Não saía sangue do braço, lá se foram eles à veia femoral, na virilha. Hummmm, que pitéu. E o calor no quarto e eles a falarem e a voz cada vez mais longe, e as coisas a ficarem difusas, e eu a sentir aquela borbulhagem dentro da mioleira, como que a dizer, não te sentes não minha menina e vais abrir a cornadura de encontro à primeira mesa, e foi a enfermeira chefe que me viu e gritou: "Venha cá que você vai desmaiar de certeza!" Abriu uma janela e, vendo-me de bata branca, pensou que era estudante e quis tranquilizar-me: "Não tenha vergonha, nem se assuste. É uma reacção normalíssima! Praticamente todos os estudantes se sentem mal, pelo menos uma vez. E em coisas tão simples como tirar sangue. Às vezes são as que fazem mais impressão." Sorri e não consegui explicar que era jornalista, porque a minha língua não obedecia aos comandos trôpegos do cérebro.
Depois de me passar o fanico, continuei. Mas agora já sei que vou ficar todo o dia assim, azambuada, como se estivesse sob o efeito de uma droga ruim. Sinto-me estúpida como uma porta de chapa ondulada.
O que um gajo (neste caso uma gaja) tem de sofrer para ganhar a vida...

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