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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Eutanásia: sim ou não?

Tenho uma pessoa da família em estado terminal. 

Tem 91 anos, um cancro avançado com metástases várias, teve recentemente um AVC.

Está hospitalizada e, aparentemente, em grande sofrimento. Não fala, só geme e chora. Depois, a família implora por mais morfina, e ela lá se apazigua por mais umas horas, até voltar tudo de novo.

As pessoas mais próximas dizem-me que só têm vontade de a ajudar a partir, ainda que sejam só desabafos, porque sendo a eutanásia ilegal nenhuma delas se meteria a fazê-lo. 

Mas... não seria o mais justo? O mais digno? O mais humano? O mais piedoso, caridoso e bondoso que poderíamos fazer?

Aquela pessoa não está a sofrer para se curar. Está a sofrer para morrer. Ela não vai passar por este caminho das pedras para, depois, se levantar da cama e ir à sua vida, toda alegre e contente. Ela todos os dias sofre o que nenhum de nós quer sequer imaginar e o desfecho é o que todos sabemos.

Será que isto faz sentido? Vivemos uma vida inteira, ultrapassamos obstáculos, trabalhamos, rimos, choramos, fazemos coisas bem feitas, fazemos coisas mal feitas, e depois, se não acabarmos antes num acidente ou de uma morte qualquer prematura, estamos condenados a penar para morrer? Ou então fazer figas para que nos dê um piripaque que nos leve em 2 minutos? 

Este é um tema sensível, sobretudo para os católicos, para quem o único que pode decidir sobre a vida e a morte é Deus. Compreendo. Mas às vezes Deus demora muito tempo. Demasiado tempo. E eu sou cada vez mais a favor de dar uma ajudinha a Deus, quando ele está distraído - espero - em salvar outras vidas que ainda têm muito para viver.

Euthanasia-Feature-Image.jpg

 

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