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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Eu, miúda a tentar fugir aos esterótipos

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Está tão crescida. 

Tão oscilante entre o mundo feminino e o mundo masculino, não compreendendo ainda que isso não existe, não tem de existir. Não há o lado "deles" e o lado "delas", com excepção das casas de banho e das alas nos hospitais. Mas, de resto, tento explicar-lhe que pode jogar futebol e gostar de colares e laçarotes; que pode ser "one of the guys" marcando golos nos recreios, mas também pode ser "one of the girls" quando conversa aos risinhos nos cantos sobre as coisas das raparigas (whatever that is). Ela ainda acha que tem de escolher um dos lados, como se o outro fosse o inimigo. "Se eu brinco com as meninas os rapazes gozam-me, como as gozam a elas. E eles a mim não gozam, porque eu estou sempre a jogar à bola com eles. E eu gosto. Gosto muito de jogar futebol e de brincar com os rapazes. Mas às vezes também tenho vontade de estar com as meninas..." 

Incrível como ainda hoje isto se põe. Como este tipo de questões ainda é actual. Incrível como os estereótipos ainda têm tanta força. Como um rapaz se sente excluído se não joga à bola e se brinca com as meninas. Como uma menina se sente excluída se gosta de bola, ou se sente perdida se porventura gosta de tudo, quer tudo. Porque é que não havemos de ter tudo? Porque é que não podemos gostar de bola e de bonecas, sejamos raparigas ou rapazes? Porque raio é que isto ainda existe, porque é que nasce espontaneamente nos recreios das escolas, criando sentimentos de exclusão, de não pertença, de confusão, quando não tem de haver confusão alguma. Porque simplesmente não é preciso escolher um lado, um interesse, um caminho. A vida é tanto melhor quanto mais caminhos pudermos ter na vida. Quantos mais interesses, gostos, amigos, escolhas. 

 

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