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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Este post não tem nada a ver com o anterior

Em relação ao post anterior, pode ser que tudo se arranje, que não tenha passado de um susto e que eu não precise de ir à bruxa. Depois vos conto.

Agora... fui ao Vasco da Gama fazer umas compras de última hora. Estava na Zara e, como só havia uma rapariga à minha frente, já a ser atendida, e 3 caixas livres mas com as funcionárias a fazerem outras coisas, pus-me a meio, à espera de ser chamada por uma delas, como habitualmente se faz na Zara.
Nisto, aparece uma tipa loira, claramente estrangeira (alemã, talvez), que se mete na minha frente. Educadamente, toquei-lhe no ombro. Ela, hostil, olhou-me e rosnou:
- What?
Eu, com um sorriso simpático, disse:
- I'm in the line. (Estou na fila)
Nesse momento, a mulher transfigurou-se. E largou aos gritos (juro, foi imediato) para o marido:
- Look! She is in the middle of the store and she says that she's in the line! Portuguese people! (Olha, esta está no meio da loja e diz que está na linha! Portugueses!)

Bom, o que se seguiu... não tem explicação. A turista aos gritos para o marido, a dizer coisas como «olha-me esta, é mesmo portuguesa, coitados, não têm educação, tem um monte de coisas na mão, eu só tenho isto e ela é que vai pagar primeiro». Eu a explicar, primeiro delicadamente, depois já de cabeça perdida, que é costume ser assim, fazemos uma fila única e depois somos chamados para a caixa que se despacha primeiro, e que queria lá saber que ela só tivesse uma peça, eu tinha chegado primeiro e ela é que se tinha metido à minha frente, e aí o casal larga num monte de insultos a Portugal e aos portugueses, que temos é de pagar o que devemos, «pay me what you owe me!» (paga-me o que me deves!), e eu completamente incrédula, chocada, boquiaberta. A cena acabou comigo a dizer que não falava mais com gente racista e xenófoba, que vinha para o país dos outros humilhá-los e achincalhá-los e eles continuaram a vociferar coisas que eu, sinceramente, não ouvi.

Este casal tinha claramente um problema mental e uma xenofobia clara e não reflecte (quero acreditar) o que pensa toda uma Europa. Mas julgo que reflecte aquilo que muitos pensam. E reflecte o caminho que seguimos. Aquilo meteu-me medo. Incomodou-me imensíssimo.
Eu tinha razão, estava à frente na fila, era claro até para uma criança de 4 anos. E, no momento seguinte, estavam dois estrangeiros a insultar-me e a pedir-me dinheiro, como se eu lhes devesse, directamente, milhões.

Tenho para mim que, infelizmente, isto é só o princípio.

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