Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Espelho meu, espelho meu, há lá ovário mais parvo do que o meu?

Amanhã é o dia do treino solidário, a favor da Fundação do Gil. E é suposto que eu, que sou a madrinha deste bonito treino, corra. E eu juro que vou tentar. Mas acontece que tenho um ovário que, de quando em vez, decide pregar-me esta partida. Da explicação do meu querido ginecologista/obstetra Fernando Cirurgião acabei por não perceber bem se a culpa é do ovário ou dos óvulos, mas a verdade é que, às vezes, quando o desgraçado do óvulo se liberta decide libertar consigo um líquido que entra para dentro do ovário, provocando dores excruciantes. Caríssimos, não se iludam: esta aqui pode até ser hipocondríaca (que é), mas não é maricas. É, até, bastante valente. E o que vos digo é que são dores de bradar aos céus. Nem a pior das contracções na hora do parto se aproxima a esta gaita. Por isso, há duas noites foi ver-me a morder lençóis, a gritar para a almofada (para não acordar a miudagem), a contorcer-me e a desmaiar na casa de banho, perante o olhar horrorizado de meu gajo, que só balbuciava: eu vou chamar uma ambulância, eu vou chamar uma ambulância. Não chamou, a meu pedido, e aguentei 1 hora e meia disto. No dia seguinte (ontem) o homem só me dizia como eu tinha ficado deformada, que nem parecia eu, mais parecia ter sido possuída pelo demo, tais eram os esgares que fazia. Acho que se apavorou, o homem, cuidando ter ao lado uma versão de Lúcifer ao invés da mulher com quem casou, já lá vão 13 anos.
Mais: os intestinos, ao sentirem o perigo, decidem parar. É então que se dá uma reacção peritoneal (estarei a dizer tudo bem?). A barriga larga então a inchar e a criatura em questão (eu) parece grávida de 6 meses. As dores passam então a ser uma mistura de dor ginecológica com dor gastrointestinal e uma pobre pessoa já não sabe do que se queixar. Basicamente, é TUDO. Não podem imaginar o cenário de horror. Dizer-vos que ontem só um par de calças é que me servia (o mesmo par de calças que, no dia anterior, que caía pelas pernas abaixo). Uma beleza. Diz o meu ginecologista que não têm número a quantidade de apêndices saudáveis que já foram desta para melhor à conta disto. Uma mulher entra num hospital aos gritos, com este quadro, e vai direitinha que nem um fuso para o bloco operatório. Depois lá se percebe que o culpado não era o apêndice mas o ovário... e assim acaba no lixo um belo pedaço de tripa.
Hoje já estou consideravelmente melhor e amanhã espero estar perfeita para correr 5 km (aos 10 não me abalanço). Mas se me virem a caminhar, ainda grávida de uns 3 meses, já sabem que a coisa não melhorou assim tanto.
Tenho agora um dilema: volto a tomar a pílula para parar com esta brincadeira e recebo de braços abertos as enxaquecas, ou continuo sem pílula e sem enxaquecas, mas recebendo estas dores tão generosas de vez em quando? Ai, ai... quer-me parecer que tenho de ligar para a taróloga Maria Helena, a ver se as cartas decidem por mim.

Não é o amor que é f*di*o, Miguel Esteves Cardodo. O que é f*di*o é a velhice.

Já agora: alguém tem disto?

26 comentários

Comentar post

Pág. 1/3