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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Bife todos os dias sim, mas com diferentes temperos e diferentes modos de cozinhar

Andamos à procura de casa. Quer dizer, não sabemos bem. Tivemos um negócio em mira, no Alentejo, mas por razões que não vêm ao caso acabámos a achar que talvez não fosse boa ideia. Depois pensámos em comprar uma casa na Praia Verde, o que ainda está na nossa mira (mas os preços, de Janeiro até agora, subiram que foi um disparate). De maneira que começámos a pensar encontrar uma casa boa, em Lisboa, mas noutra zona da cidade. Andamos a ver, mas ainda sem certezas de nada.

Gosto que sejamos assim. Que sonhemos, que façamos planos, que nos imaginemos noutros sítios, que desenhemos novos projectos, novos investimentos, que nos atiremos para novos sonhos. Ainda que, no final das contas, fiquemos exactamente onde estamos. Porque, na verdade, só o facto de sonharmos com novas possibilidades já nos faz viver uma realidade diferente. Já nos faz sentir borboletas na barriga. Medo, insegurança, esperança, exaltação. 

Já não sei quem era (acho que era um encenador numa entrevista do DNA) que contava que os pais passavam a vida a ir ver casas e a dizer "aqui ficava aquela cómoda, ali as camas dos miúdos, ali o sofá". Nunca se mudavam. Mas enquanto sonhavam, eram imensamente felizes. Com a enorme vantagem de serem gratuitos, os sonhos (não admira que o filho se tenha tornado encenador...).

No nosso caso, fazemo-lo com as casas mas não só. De vez em quando lá estamos nós envolvidos em qualquer coisa nova que nos faz sentir que estamos vivos e entusiasmados por uma coisa comum. Já foi a carta de patrão local (barcos), já foram (e são) as corridas, os triatlos, alguns projectos culturais familiares, as viagens...

 

Acho que o segredo de uma vida em comum está nestas pequenas sabedorias. Dito de uma forma mais prosaica, já que decidimos comer bife todos os dias, então que saibamos temperá-lo de formas diferentes e cozinhá-lo de modos distintos. Com uma pitada de sonho, um raminho de loucura, e uma raspa de ambição. Se não for isso ninguém aguenta, por mais que goste de bife.

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