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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

A presença do pai na cesariana

Este é um tema para o qual sou muito sensível. Nos meus dois primeiros partos, que foram cesarianas (não porque as quisesse mas porque foi assim que a natureza quis), o pai ficou à porta do bloco. Entrei, sozinha, e ali fiquei de braços abertos e amarrados, como um Cristo, apavorada e a sentir que não era bem assim que tinha imaginado a minha estreia como mãe. Não era num bloco cirúrgico, com luzes redondas a ferirem-me os olhos, não era com aqueles sons metálicos, não era como se estivesse a ser operada ao apêndice. Que chato os meus filhos serem como apêndices.

Esse mal-estar agravou-se pela ausência do pai. Afinal, o filho não era só meu, era nosso. E ele também devia estar ali para o receber, para me acompanhar, para me segredar ao ouvido que ia correr tudo bem. Nada disto aconteceu.

Quando a Madalena nasceu, a CUF permitiu que o pai assistisse, mudando uma política que era injusta (até porque não era igual para todos). E foi tão melhor, tão emocionante, tão menos frio e assustador, tão mais humano. O mesmo quando o Mateus nasceu. Ter o pai ali faz toda a diferença. É importante. Devia ser sempre permitido, excepto nos casos complicados. Afinal, desde que bem desinfectados, desde que mantidos sentados ao lado das mães (para não se correr o risco de caírem para o lado), os pais não têm que ser vistos como transtornos ou perigos ou acessórios.

Por tudo isto, quando recebi o email da Mónica Barbosa, a dizer que vai ter o 3º filho por cesariana e que decidiu fazer uma petição para poder ter o marido ao seu lado, ela e todas as mulheres que se vêem privadas desse apoio (e os pais que se vêem privados de assistirem ao nascimento dos filhos)... nem hesitei. Assinei a petição para que esta prática passe a ser comum a todos os hospitais públicos e trago-a aqui para que a assinem também. Porque ficar sozinha num bloco operatório, como se em vez de um filho se fosse remover um quisto, não é a melhor forma de alguém se estrear na maternidade. Assim como ficar do lado de fora do nascimento de um filho não é a melhor forma de alguém se estrear na paternidade.

 

Se concordarem, assinem AQUI.

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