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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Passatempo 9º Workshop #Receita Perfeita

E já estamos quase a fazer mais um workshop!
Vamos cozinhar e jantar muito bem maravilhosamente. 
Para quem ainda não sabe o que é isto, trata-se de um workshop em que, guiados pela nossa chef Mónica Alves Pereira, vamos aprender a fazer pratos deliciosos, vamos cozinhar e, por fim, jantamos todos juntos animadamente. E posso dizer-vos que têm sido mesmo animados, estes jantares. Mesmo bons! Nem consigo dizer de qual deles gostei mais!
As fotografias estão a cargo da fotógrafa Raquel Brinca, que além de talentosa é uma animação. Tudo com a parceria do extraordinário Lidl que nos brinda com os melhores produtos.

O próximo Workshop vai ser, então, na próxima SEXTA-FEIRA, DIA 24 DE FEVEREIRO.

Onde?
No Cooking Memories, o atelier de cozinha da Mónica Alves Pereira. Fica na Marina de Cascais

O que vamos cozinhar (e jantar)?

Risoto de espargos

Tiramisu

Como podem participar?
Através do formulário em baixo. Escolherei 12 pessoas, via random.

E é gratuito?
Estes workshops do Cooking Memories têm habitualmente o custo de 40€ por pessoa. Mas o que peço a cada um dos 12 vencedores são 15€ por cabeça, para doar a uma instituição de Cascais que tem um trabalho muito meritório e que se chama Fundação AJU (têm uma série de projectos de solidariedade em mãos). Em princípio será agora no mês de Março que vamos fazer a doação do valor já amealhado!

O que mais vos posso dizer?
Que nos vamos divertir muito, que vamos ter um jantar de arromba, e que vão gostar de certeza!

Têm até terça-feira (dia 22) à meia-noite, para participarem!
Boa sorteeee!

 

Pukatuka

Não podia estar mais à vontade para falar.

Não conheço a autora ou autoras.

Nunca recebi produtos ou qualquer outro tipo de pagamento desta marca.

Não tenho meninas bebés, pelo que não há aqui qualquer interesse subliminar.

Mas digo-vos uma coisa: só de olhar para o Instagram da Pukatuka apetece-me largar a ter filhas.

Vou ter de deixar de seguir a página sob pena de ter um desregulamento hormonal.

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Detalhes do jantar romântico preparado pelos nossos 4 filhos

- A páginas tantas, estávamos nós sentados no sofá, e ouvimos uma exclamação apavorada! "Ahhhh!!!!" Esperámos um pouco, a ver se havia algum desenvolvimento. Havia. "Bebeste cerveja, Mateus???? Não bebeste! Diz-me que não bebeste!!!" Ups... Bebeu. Diz que sim. Tinham aberto uma cerveja para temperar o jantar e o Mateus, aproveitando uma distracção, deu um golo. Garantem que foi minúsculo. E que aparentemente não apreciou. 🙊

- O jantar estava a demorar muito e o Ricardo meteu-se com o Manel: "Então? A mesa ainda nem sequer está posta! Eu quando chego ao restaurante sento-me, a mesa está posta, e não espero tanto tempo". Resposta prontíssima do Manel: "Ok. E, no restaurante, o que é que costumas fazer quando terminas a refeição?..."

- O Risoto de cogumelos estava um bocadinho para lá do ponto mas, ainda assim, muito gostoso. Amei o detalhe dos corações.

- Puseram a mesa na sala para nós e na cozinha para eles.

- Jantámos ao som de jazz e a ouvi-los discutir e rir e aparvalhar na cozinha.

- Descascámos uma laranja e um pêssego no nosso jantar romântico, que os destinatários rapidamente levaram de novo para a cozinha, saindo de cena.

- Mandámos lavar os dentes, enquanto fazíamos um brinde.

- No fim do jantar, levantámo-nos e fomos arrumar a cozinha, numa espécie de "back to life, back to realily". Ainda assim... foi perfeito!

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 - Ah! E apesar de não ter querido ir logo para a cama (e de ter voltado para a sala - porque já não tem a cama de grades e, por isso, sai de lá), daí a pouco deu corda às pernas e foi sozinho deitar-se. "Lhonte!", disse ele (ou seja, em Mateusês, "boa noite").

Lhonte, Mateus!

Lhonte, queridos todos! 

 

 

E no dia dos namorados...

... temos os nossos 4 filhos a cozinhar um jantar romântico para nós.

Suspeito que vamos jantar lá para as 2h da manhã (e pelo sim pelo não já verifiquei o stock de iogurtes e fruta) mas estamos de coração cheio com este miminho. 

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 A porta da cozinha está fechada e estamos proibidos de entrar

(para já tenho de confessar: o jantar até pode ficar mais ruim que uma dor de dentes mas está a saber-me pela vida o silêncio da sala e o poder estar sentadinha no sofá, sem ter nada para fazer)

Na serra

A Raquel enviou-me as fotos da nossa reportagem da semana passada, por terras de Coimbra.

Entre elas, estava esta, que acho que tem tanto de mim que mais parece um raio-x. De casacão, sem maquilhagem, sem pinga de glamour, a ouvir histórias de quem tem histórias para contar. É, sem dúvida, aquilo que mais gosto de fazer. Voltar à estrada foi uma das boas decisões de 2017.

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 Foto: Raquel Brinca, HUG

Uma vénia a esta campanha!

 

 Difícil dizer qual o que gosto mais. Todos tão bem filmados, tão bem realizados, tão bem pensados. Gosto da centralização da cozinha no homem, em quase todos os anúncios, para variar. Seja o pai que fica em casa a tomar conta do filho para a mãe trabalhar até tarde, seja o senhor que toda a vida se sentou à mesa à espera do jantar mas que viu fazer diferente em casa dos filhos e decide surpreender, seja o pai divorciado a tentar agradar a filha.

Adorei. Os meus parabéns à BBDO. Só é uma pena que, na televisão, só passe uma nesga de cada anúncio, perdendo-se toda a força e, no caso do pai divorciado, perdendo-se até todo o sentido. Mas, claro, o tempo paga-se. 

Como é, minhas pessoas?

Estão a ler os vossos livrinhos, muito disciplinadamente?

Estou a contar convosco, pessoas!

Vamos ter um encontro muito bom para falarmos dos nossos livros, já nos inícios do mês de Março!

Não se deixem dormir! Nada de adormecer em frente à novela!

Entretanto, se quiserem mandem fotos vossas agarradas à leitura, para fazermos aqui um bonito painel!

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Dia Mundial da Rádio

De todas as coisas que já fiz, a rádio guarda um lugar mesmo muito especial no meu coração. Sabem aquele "bichinho" de que se fala? Aquele que entre em nós e nunca mais sai? É mesmo verdade.

No Dia Mundial da Rádio, que hoje se celebra, deixo uma entrevista com António Sala, um grande senhor da rádio, que fiz para o DNA (foi publicada no dia 13 de Maio de 2000). Vale a pena recordar.

 

 

Entrevista de Sónia Morais Santos

Fotografias de Augusto Brázio

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Tinha um fato azul escuro vestido, uma gravata a condizer e o relógio era de marca, também azul. Levantou-se de um pulo para cumprimentar quem chegava, simpático, apertando o casaco com alguma cerimónia. António Sala tem um escritório grande, com vista para o Chiado, e um telefone que não lhe dá sossego, que toca consecutiva e desatinadamente, porque há sempre assuntos pendentes que precisam da sua palavra final. Ser Director de Programas é isso, também.

António Sala conversa pelos cotovelos, a gente chega a esquecer-se das horas com o embalo da sua voz, tão familiar que parece mesmo ser da família e, a páginas tantas, estamos a confidenciar coisas um ao outro, pela tarde fora, ignorando o maldito telefone, ignorando as horas que passam, impiedosamente.

A entrevista que se segue é o resultado de dois encontros com um homem sem vergonha de assumir erros, nem pejos de se envaidecer com os bons passos que foi dando, vida fora.

 

Durante muitos anos, foi o nome e a voz de um programa de grande sucesso da Rádio Renascença, o "Despertar". Há quatro anos o programa acabou e deixámos de o ouvir pela manhã. Porquê?

- As coisas têm o seu tempo e é fundamental que as pessoas saibam sair de cena na altura certa.

E aquela era a altura certa?

- Senti que corriam ventos de grande mudança e que as minhas animações começavam a fazer pouco sentido. As pesoas começavam a querer outras coisas e eu, para ser franco, também. Decidi, portanto, empenhar-me mais na Direcção de Programas e passei a ter um programa de grande entrevista ao fim-de-semana.

Está a gostar dessa experiência?

- Muito. Gosto muito de conversar, de descobrir as pessoas. E, ao contrário do que se possa pensar, preparo-me com bastante antecedência, faço os trabalhos de casa.

Porquê "ao contrário do que se possa pensar"?

- Porque acho que as pessoas me vêem como alguém superficial, que apanha as coisas pela rama. Mas não é verdade.

Mas por que é que acha que se tem essa ideia de si?

- Porque me alimentei dessa chama durante anos e anos, não é? As pessoas habituaram-se a identificar-me como o indivídulo muito ligeiro, que gosta de contar anedotas, que está sempre bem disposto...

Magoa-o essa ideia que ficou criada?

- Não. Fui eu que ajudei a criá-la. É natural que as pessoas criem ideias das pessoas mediante o trabalho que elas fazem. E como eu, durante muito tempo, encarnei uma determinada forma de estar em termos de comunicação, é natural que as pessoas tenham absorvido a imagem que eu deixei passar. Hoje, à distância, dou a mão à palmatória e aceito muitas das críticas que me foram feitas, precisamente sobre essa minha superficialidade. É um mal de quem quer fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Acaba por fazer tudo mal.

Quantos anos foram de programas da manhã?

- Foram 26 anos de programas da manhã, 18 de "Despertar".

É uma vida.

- É uma vida.

Arrepende-se de ter passado essa imagem ligeira, superficial de si próprio? Arrepende-se de se ter dedicado tantos anos aos programas da manhã?

- Não, de maneira nenhuma! Foram tempos extraordinários, em que tive a oportunidade de fazer coisas absolutamente pioneiras no nosso país. Há 18 anos, em rádio, o telefone era utilizado apenas para informação. O único programa que o utilizava era o "Quando o Telefone Toca", em que as pessoas pediam discos pelo telefone. Tirando isso, o telefone era um instrumento morto. E, um dia, pensei: "Que raio! Esta coisa pode ser o microfone do ouvinte!" E entao comecei a usar e a abusar disso. 

Esse terá sido um dos segredos do sucesso do "Despertar".

- Sem dúvida. Veio transformar as manhãs da rádio em Portugal porque o ouvinte passou a ter a voz. Mas não foi esse o único "segredo". Tenho a noção de que naquele tempo a rádio era muito direitinha, muito arrumada. Só era locutor quem tinha boa voz... E como eu não tinha essa voz, não tinha essa arma, fui por outro caminho. Comunicar com as pessoas, olhá-las nos olhos. E acho que, pela primeira vez, as pessoas perceberam que, do outro lado, estava um tipo que não era de plástico. 

É muito vaidoso, não é?

- Sou. Tento lutar todos os dias contra essa tendência natural que há em mim. Mais que vaidoso, diria que sou vaidosinho. Tenho pequenas vaidades.

Pequenas? Não se sente uma vedeta?

- Não. Hoje não. Mas mentiria se dissesse que nunca me senti uma vedeta. Lembro-me que, nos anos 80, o Expresso fez um inquérito público e eu fui considerado a figura mais popular do país... Durante largas semanas achava que tinha o rei na barriga. 

Muito largas, mesmo. Li entrevistas suas, ao longo de alguns anos, em que dizia coisas como "Sou um líder", "soi de caras o nome mais popular da Renascença"...

- Pois é. Tem razão. Essa fase foi toda ela uma tristeza. É uma chatice. Todos nós passamos pela idade do gavetão. E eu passei por ela durante muito tempo. Tempo demais. Quando leio essas coisas antigas chego a ficar amargurado! E a desejar que já ninguém se lembre das parvoíces que eu dizia. A estupidez era muito grande.

É um dos males do sucesso. Dá tonturas.

- Pois é. Agora imagine as tonturas que dá a alguém que nasceu na aldeia, numa família humilde, longe de imaginar que, um dia, é conhecido de toda a gente, cumprimentado na rua! Das duas uma: ou se faz um crescimento, um amadurecimento progressivo, com bases fortes, ou então fica-se bêbado. É exactamente como dar um garrafão de vinho a quem nunca bebeu. Dá bebedeira da grossa.

Mas já está sóbrio?

- Já! Caramba, já tive tempo para curar a bebedeira, ressacar e ficar totalmente sóbrio. De contrário era parvo. Hoje posso ser vaidoso mas já não tenho o deslumbramento dos primeiros tempos. Digamos que hoje bebo quando me apetece, com moderação.

Costuma ouvir coisas antigas que tenha feito?

- Tenho mais saudades do futuro do que tenho do passado.

Não é nostálgico.

- Às vezes tenho ataques de nostalgia. Mas procuro fugir deles.

Porquê? Não gosta de olhar para trás?

- Não é isso. Não renego nada o passado. Pelo contrário! Gosto muito de olhar para trás. De sorrir com umas coisas e ficar sério com outras. Mas procuro não alimentar esse tipo de chama.

Nunca sente saudades do "Despertar", por exemplo?

- Às vezes tenho. Saudades do convívio, da relação das pessoas, da equipa. Você agora não me puxe pela nostalgia, senão...

Então prepare-se porque agora é que vamos recuar a sério. Gostava que me falasse de Vilar de Andorinho, a aldeia onde nasceu.

- Tenho poucas imagens de Vilar de Andorinho. Saí de lá bebé e depois fui viver para perto de Vila Nova de Gaia, para uma terra chamada Oliveira do Douro. Fiquei aí até aos seis anos e depois fui para Vila Nova de Monsarro, perto do Luso, onde fiquei até aos dez.

Mudou-se muitas vezes. Porquê?