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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

25 de Abril

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Tomar café num autocarro de dois andares, em cima de um contentor. O Mateus só dizia "avião, avião". Coitado, para ele qualquer coisa nas alturas agora é um avião

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Depois da visita ao Village Underground, fomos até ao Largo do Carmo, o local apropriado para comemorar o 25 de Abril. Almoçámos no Topo, visitámos o Museu da Guarda Nacional Republicana, comprámos o último cravo que a florista tinha para vender e conversámos - uma vez mais (e nunca são demais) - de liberdade.

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 25 de Abril sempre!

Como, Imaginarium? Como?

Fui comprar m KicoNico novo. 

Quando cheguei à loja, perguntei, com um sorriso resignado:

- Tem o KicoNico castanho?

A funcionária fez uma expressão que me deixou logo em apneia.

- Não... Lamento mas esse KicoNico foi descontinuado. Agora só há em branco, azul, rosa, ou em patchowork.

Pensei não estar a escutar bem.

- Disse que foi descontinuado??? Não há mais???

- Disse. É verdade. Não há mais.

 

Como assim???? Como assimmmmmm????

O KicoNico mais giro de todos!

😳😩😥 

KicoNico 💔

As minhas amigas já me gozaram mas eu não tomo jeito e vou partilhar a história aqui, para o achincalhamento ser global (já que é para ser, que seja em grande!).

No regresso das férias, apanhámos um avião de Salvador até Belo Horizonte, onde ficámos 5 horas à espera do voo que nos iria trazer a Portugal. Com a confusão das malas, das mochilas, dos sacos, das tralhas, houve algo que ficou para trás. O KicoNico do Mateus. Só nos demos conta quando, horas depois, ainda no aeroporto, ele o pediu. E aí começou tudo de rabo para o ar, abre mochila, vasculha saco, inspecciona mala, e nada de KicoNico. O drama. O horror. O Mateus a chorar, eu a chorar, e todos a relembrarmos os passos, para tentarmos localizá-lo. O Ricardo foi falar ao balcão da companhia de aviação Azul, onde tínhamos vindo, mas eles garantiram que não tinha ficado no avião, caso contrário já ali estaria. Mas só pode ter ficado no avião, porque nenhum de nós se lembra de ver o Mateus sair com ele (e no avião estavam juntos). De resto, fiz o Ricardo atravessar um aeroporto inteiro para ir até ao balcão dos Perdidos e Achados, a ver se o rato teria dado à costa. Nada.

Ora, aquele bicho estava com o Mateus desde que ele nasceu. Ok, não foi assim há tanto tempo, mas para mim aquele boneco tinha um valor sentimental. Pior (e é aqui que vou soar ridícula, mas que se lixe): eu só imaginava o KicoNico sozinho e abandonado no avião, deixado para trás pela família onde vivia e era feliz. Quão idiota pode isto ser? A culpa é do Toy Story, que nos mostra os bonecos com vida e com sentimentos, e que já tive de gramar um sem número de vezes. 

Conclusão: a criança já nem sequer pensava no seu boneco e eu continuava lavada em lágrimas. Os miúdos tentavam consolar-me mas estavam (que eu bem vi!) a rebentar de riso. "Mãe, compramos outro quando chegarmos, pronto, paciência". E eu, a atingir níveis supremos de ridicularia, soluçava: "Compramos outro??? Compramos outro??? Eu não quero outro!!! Eu quero aquele!!!! Aquele é que é o amiguinho do Mateus. Buáaaaaaaaa". 

É o que temos, lamento.

Enfim, o KicoNico não apareceu e eu espero que seja bem tratado por quem quer que tenha ficado com ele. Os dias da chegada foram corridos, os bonecos cá de casa serviram de aconchego nocturno ao Mati, mas ontem armou-se um pequeno berreiro quando se lembrou do seu amigo. O pai, que até costuma ser uma pessoa sensível, respondeu: "O Kico ficou no avião, toma a zebra!" Oi??? Que tipo de pessoa diz isto ao filho em pranto? Foi uma sorte não me ter posto a chorar também. 

Posto isto, vou agora sair para comprar outro KicoNico e fazer de conta que é o de sempre.

E, sim, podem rir à vontade. Eu compreendo que é risível, apesar de continuar sem achar graça nenhuma.

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Não há coincidências?

Há umas semanas, um casal amigo veio jantar. Falávamos de várias coisas, e às tantas a nossa amiga disse-me que conhecia um texto sobre isto de sermos pais que era muito bonito. Havia de mo enviar por email.

As semanas passaram, ela não enviou, eu confesso que também não me lembrei mais do assunto.

Entretanto, uns dias antes de partirmos para o Brasil, os nossos compadres enviaram o missal com o que cada pessoa ia ler no baptizado do nosso novo afilhado, António Maria. Não li, porque estava nos preparativos da ida. Durante as férias acabei por também não ler, porque depois de aterrar ainda ia ter dois dias inteiros antes da cerimónia para preparar a leitura.

Li na sexta-feira (o baptizado foi este sábado). E achei muito bonito, o texto que me cabia ler. Uma citação de O Profeta, do poeta e pintor Khalil Gibran. Livro que mora cá em casa desde 1997, ano em que me foi oferecido pelo Tiago, um bom amigo de faculdade. Li o texto uma primeira vez, uma segunda, uma terceira.

Na mesma sexta-feira, um pouco mais tarde, recebi um email daquela amiga que veio jantar há umas semanas. Perguntando pelas férias, agradecendo o jantar e anexando o tal texto que havia prometido enviar. Quando comecei a ler nem queria acreditar. Era o MESMO que ia ler no dia seguinte, no baptizado. Foi um momento bastante twillight zone, para dizer a verdade. Para muitos, será apenas uma simpática coincidência. Mas, para mim, ficou ali num limbo entre isso e outra coisa qualquer.

 

Como sabem, sou pessoa com muitas dificuldades em crer em tudo o que não vejo ou não percebo ou em tudo o que não esteja cientificamente provado. Mas, como também muitos vão percebendo, sou pessoa com muita vontade de crer. Em algo, em tudo, em qualquer coisa que me tranquilize sobre o que andamos aqui a fazer, o sentido que isto tudo tem, o que sucede depois. De modo que, perante circunstâncias como esta, é difícil não ficar a pensar: "Foi coincidência? Foi um sinal, daqueles que tanto peço? Foi apenas um texto que duas pessoas acharam que fazia sentido eu ler, num dos casos ler enquanto madrinha de um baptismo?"

Não sei. Nunca saberei. Mas, quando o lia, não pude deixar de sorrir. Uma coisa era certa: aquele texto tinha de me chegar, e eu tinha de o fazer chegar aos outros (nem que fosse apenas ali, na cerimónia do baptismo). Deixo-o também aqui, para que o possam ler.

 

E uma mulher

que trazia um menino ao colo

disse:

- Fala-nos das Crianças.

 

E ele respondeu:

- Os vossos filhos

não são vossos filhos:

são filhos e filhas

do chamamento da própria Vida.

 

Vêm por vosso meio

mas não de vós;

e apesar de estarem convosco,

não vos pertencem.

 

Podeis dar-lhes o vosso amor;

mas não os vossos pensamentos:

porque eles têm pensamentos próprios.

 

Podeis acolher os seus corpos;

mas não as suas almas:

porque as suas almas habitam a casa de amanhã

que não podeis visitar 

nem sequer em sonhos.

 

Podeis esforçar-vos por ser como eles;

mas não tenteis fazê-los como vós.

Porque a vida não vai para trás,

nem se detém com o ontem.

 

Sois os arcos, e os vossos filhos

as setas vivas projectadas.

 

O Arqueiro vê o alvo no caminho do infinito,

e retesa-vos com o seu poder

para que as setas

possam voar depressa para longe.

 

Que a vossa tensão na mão do Arqueiro

seja de alegria.

 

Porque assim como Ele gosta

da seta que voa, 

também gosta do arco que fica.

iAgora?

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Tinha sido convidada pela psicóloga Rosário Carmona e Costa para apresentar o seu livro. Gostei muito de a entrevistar, das duas vezes que o fiz para meios diferentes, e quando me falou do tema do livro nem pensei duas vezes, disse logo que sim. A apresentação ficou marcada para o exacto dia do meu regresso. A viagem durou 24 horas, em que não dormi, mas foi um prazer falar sobre um livro que eu acho mesmo que pode mudar a vida a muito boa gente.

Chama-se "iAgora?" e é sobre o uso excessivo dos ecrãs por parte das crianças. Mas não fala só sobre as crianças. Fala também sobre os pais. Fala, no fundo, sobre muitos de nós. Que estamos sempre ligados. Sempre. Que consultamos o email a toda a hora, a caixa de comentários, o Facebook, o Instagram, o Snapchat, o Twitter. Que entregamos o telemóvel ou o tablet aos miúdos para que nos deixem um bocadinho em paz. Só que de repente o bocadinho vira bocadão. E passa a ser um bocadão várias vezes ao dia, todos os dias.

Levei o livro para ler nestes meus dias de férias no Brasil. E, a certa altura, pousei o livro e olhei à volta. À beira da piscina não havia uma única criatura que não estivesse com o telemóvel na mão. Tanta beleza em redor e tudo de olhos postos nos ecrãs. Estive quase, mas mesmo quase a oferecer o livro a uma senhora argentina que se estendia duas ou três  espreguiçadeiras ao lado da minha. A mulher nunca largava o telefone. Nunca. O pai estava com as crianças na piscina, no mar, no bar, na brincadeira. Ela? Sempre desligada da vida real. Nem sei se conseguiu apreciar a maravilha do local onde estava.

Na apresentação, falei sobre o caso holandês (por acaso enquanto lá estava não soube dizer qual o país, mas agora fui pesquisar e descobri), em que foram colocados semáforos no chão, para que os peões, que andam sempre de cara enfiada no telemóvel, consigam ver os sinais e evitar-se, assim, o aumento dos atropelamentos. Isto só prova como estamos todos doidos. E como livros como este podem salvar-nos. Podem ajudar a meter-nos juízo nestas cabeças.

Conheço crianças que só comem se tiverem o tablet à frente (se lhes perguntarem o que comeram provavelmente nem sabem se foi carne, peixe ou lentilhas), que não sabem brincar a mais nada que não meta ecrãs, conheço pessoas que estão sempre de telemóvel na mão, como se fosse uma extensão orgânica delas. Eu não sou melhor que ninguém e tenho de me policiar MUITO para não ficar dependente. E - acreditem - estou sempre a policiar-me porque é muito fácil cair na asneira de estar sempre a consultar o bicho. Aqui em casa, de resto, policiamo-nos todos muito muito e estar no Brasil a ler este livro teve a vantagem de, como estava sempre com os miúdos, ir comentando com eles o que ia lendo (e eles argumentando e acabando por reconhecer muito do que a autora referia).

Não quero desvendar muito do que se diz no livro mas houve duas citações que me impressionaram particularmente. Uma é esta: "Hoje já não temos meninos que se portam bem à mesa para irem ver os bonecos mas sim meninos que veem bonecos para se portarem bem à mesa." Auch. A outra citação (entre as milhares que me fizeram tanto sentido) é esta: "é fantástico comprovar, quando se lida com crianças, que, apesar de ser incontornável o seu interesse e preferência atuais por actividades que envolvam ecrãs e pareçam, até, não ter qualquer interesse em contemplar actividades alternativas que descrevem como "antigas" ou sem interesse, a verdade é que quando lhes pedimos que recordem bons momentos de brincadeira ou memórias de situações que tenham sido "mesmo, mesmo divertidas", não há filho que não relate momentos passados com os pais: os passeios de bicicleta, as cócegas antes de adormecer, aprender a nadar, rotinas de relação antes de ir para a cama, e para os mais crescidos até momentos cómicos passados à mesa de refeição."

O livro está escrito de uma forma muito simples, o que não quer dizer simplista, está escrito para os pais, sem palavras de quilo e meio justamente para ser percepcionado por todos. Fala sobre jogos, sobre tempos de utilização, sobre internet, sobre idades e maturidade, fala sobre cyberbullying, tem perguntas directas a que Rosario Carmona e Costa dá respostas concretas. 

Não me canso de dizer: este livro pode salvar-nos da imensa estupidez (e estupidificação) em que estamos a cair.

 

 

 

Casal que mudou de vida, alô?

Há não muito tempo recebi um email de uma leitora a contar que tinha mudado de vida, com o marido, e que agora tinham um turismo rural no Alentejo. Ele era biólogo marinho ou coisa marecida - metia mar e ela até fazia a graça de que, agora, ele só praticava na piscina.

Queria responder mas não encontro o email - e já procurei MUITO!

Podem reenviar, please??

sonia.morais.santos@gmail.com

O regresso

Voltámos e custa. Não é que a nossa vida de todos os dias não seja boa (que é), mas a verdade incontornável é que somos infinitamente mais felizes quando estamos de férias, quando não temos horários, quando não temos pressão, quando não andamos a toque de caixa, quando não temos de gritar para que os miúdos acordem, para que se vistam, para que engulam o pequeno-almoço, para que os outros saiam da frente no trânsito porque estamos atrasados.

Não ter responsabilidades (tantas), afazeres (tantos), obrigações (demasiadas), fretes (ui...) faz-nos mais felizes. Aproxima-nos uns dos outros. Relembra-nos que nos amamos - porque, às vezes, até disso nos esquecemos. A correria desenfreada em que andamos no dia-a-dia tem a capacidade corrosiva de quase nos fazer esquecer (ou, pelo menos, de não nos fazer lembrar tantas vezes quantas gostaríamos) do amor que sentimos uns pelos outros. Parecemos ratos a correr na roda. Passamos os melhores anos da nossa vida nisto. Os melhores anos da nossa vida a esquecermo-nos do mais importante. E a viver sem degustar. A viver à pressa, sem apreciar nada porque para apreciar é preciso tempo. E tempo é aquilo que não temos.

Tivemos momentos incríveis, de uma proximidade tão boa. Até no aeroporto de Belo Horizonte, onde fizemos uma escala de 5 horas antes de apanharmos o avião de regresso (somos 6 e há que tentar poupar fazendo escalas, é a vida), foi tão divertido - corremos, andámos nas passadeiras rolantes, chorámos a rir a ver o Mateus entrar e sair do piso que se movia (e bater com o rabo no chão), jogámos às cartas, conversámos. 

Dá que pensar. 

Às vezes acho que estamos todos errados. Que esta vida histérica que levamos é idiota demais. Que não faz sentido. Mas depois, penso de novo, e concluo que somos todos reféns, que não temos saída. Não dá para enlouquecer, vender tudo e comprar uma barraca de madeira junto à praia e viver de pescar. Não dá para sermos livres, por muito que até sintamos que era isso que fazia sentido. 

Posto isto, vou trabalhar. Os miúdos estão na escola. O Ricardo também já está lá na labuta. Cada um para seu lado. 

Voltámos e custa. Mas não tarda já estamos todos cinzentos outra vez, esquecidos da falta de sentido que isto tudo faz, e acostumados à nossa roda frenética.

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45

As noites são, sem dúvida, um dos pontos altos destas estadias. Há espectáculos todas as noites e a equipa esforça-se mesmo por proporcionar bons momentos de diversão. A noite 45 é uma das mais giras, com todas as pessoas vestidas com t-shirts com o número 45 (por altura do 45º aniversário do Club Med fizeram-se umas t-shirts comemorativas e a adesão foi logo enorme; quando a cadeia de resorts fez 50 anos fez uma nova t-shirt mas as pessoas continuavam a querer a 45 - e assim ficou, até hoje, que já tem 67 anos).

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O espectáculo da Noite 45 foi muito divertido. Era sobre a história da música e fartámo-nos de rir com algumas imitações (o Axl Rose a mandar cadeiras ao ar, a Whitney Houston rodeada de guarda-costas, a Miley Cyrus a aparecer com uma marreta e a dar cabo de tudo, a Amy Whinehouse com aquele cabelo-torre-infindável a cuspir "vodka" para todo o lado, entre outras pérolas). As coreografias estavam muito boas (o coreógrafo é incrível e dá gosto vê-lo dançar) e acabámos todos a dançar no palco.

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Fico sempre com a sensação de que deve ser muito fixe trabalhar aqui como G.O (Gentil Organizador). É um trabalho de muitas horas porque o G.O. faz tudo: serve gelados na beira da piscina, faz animações de manhã e de tarde, é responsável por uma das áreas, faz espectáculos à noite, espalha alegria e boa disposição durante todo o dia. Mas já falei com alguns e todos salientam o bom ambiente, o crescimento na empresa, a possibilidade de mudarem de clube para viverem outras experiências (o Ricardão, responsável da vela, por exemplo, recebeu a notícia durante um espectáculo a que assistimos de que ia ser transferido para Cancun - algo que ele desejava já há algum tempo, justamente por esta vontade de mudar de ares e de experiências). Se tivesse vinte anos e soubesse o que sei hoje... acho que ia tentar juntar-me a esta malta.

Club Med Itaparica