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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Vamos lá a orientar isso

Acabo de ver uma entrevista do nosso presidente Marcelo a partir da praia, no Algarve, e constato com pesar que esta ventania desenfreada que por aqui grassa também por lá sopra. Chapéus de sol com as varetas em esforço, cabelos em desvario, a bandeira amarela toda agitada e as águas... sem vivalma. O vendaval está à vista e, quanto à temperatura da água, Marcelo queixa-se (ele que nada habitualmente em Cascais). De maneira que me ocorre dizer que é bom que esta brincadeira se vá orientando, que faltam poucos dias para rumar a sul. Compreendo alguma atrapalhação de São Pedro, que já não vai para novo, mas meio de Agosto já vai sendo tempo de perceber que estamos no verão. Está bem?

(logo eu, que odeio vento e água fria).

O Retorno

A minha amiga Maria João tinha-mo oferecido há uns anos, já. Não sei porquê, fui adiando a leitura. Talvez tenha sido a capa, não sei. Havia ali qualquer coisa a afastar-nos. Na semana passada, peguei-lhe. Comecei a ler e uma semana depois terminei-o. Demorei uma semana porque quis degustá-lo, senão teria levado menos tempo. É simplesmente maravilhoso. A escrita é deliciosa, a história toca na verdade de muitas famílias que tiveram de regressar à metrópole, com o fim das colónias, é emocionante, belo, puro, duro. O retrato do fim da inocência. Tão bom. Está definitivamente no grupo dos meus livros preferidos. E, pensando bem, talvez houvesse uma razão para que adiássemos este encontro. Ele aconteceu na altura certa. Mesmo sem acreditar nestes acasos do universo... às vezes eles parecem acontecer. 

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 Malta do Clube de Leitura: preparem-se! Já li o livro para Setembro e ainda falta imeeeenso tempo para o nosso encontro! Acho que vou levar um trolley carregadinho... 😂

Primos em férias

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Estão lá todos, na quinta dos avós. A correr, a dar mergulhos, a comer fruta acabada de apanhar das árvores, a jogar às cartas com os avós e com os tios, a jogar à bola de pés descalços.

Espero que consigamos fazer estas fotografias durante muitos, longos e felizes anos. 

O renovado Olivier

 

Andava a adiar esta visita ao renovado Olivier Avenida (que agora se chama apenas Olivier) porque às vezes as renovações me custam. Há sítios de que gosto tanto que quando os mudam fico danada. Por exemplo, durante anos fiquei furiosa com o Olivier por ter mudado o seu primeiro restaurante de sítio, eu que adorava o Olivier na Rua do Alecrim (onde agora mora o Pito do Bairro, também dele). Já me passou, acostumei-me à mudança para a Rua Júlio César Machado, ali atrás da Avenida da Liberdade, e por isso quando recebi o convite para ir conhecer o "renovado Olivier" pensei: pronto, já me tramaram outra vez. Tanto assim foi que o convite veio em Maio e só agora ganhei fôlego para lá ir. E ainda bem. A mudança não foi suficientemente grande para me trocar as voltas, gosto das andorinhas que chegaram para o embelezar, fiquei feliz por não terem tirado os sofás nem os candeeiros, repito, há lugares onde nos sentimos bem e quando lhes mudam os traços dão cabo de bons hábitos que temos. 

A comida não está assim tão diferente, também. Há novos pratos, para partilhar, mas a picanha e o linguini com molho parmesão e trufa preta ralada mantêm a minha felicidade intacta. Nas sobremesas, coração aberto para o cheesecake de goiaba e hortelã e para a bomba branca (gelado de chocolate branco merengado e frutos vermelhos), mas a constatação aliviada de que o petit gateau se mantém.

Enfim, parabéns Olivier pela mudança (é certo que é bom dar uma renovada de quando em vez) mas obrigada por não teres mudado assim tanto. Afinal, todos precisamos de poisos onde nos sintamos em casa. E isso, felizmente, não mudou.

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Leve 3, Pague 2

A Pisamonas, de que sou cliente fiel, já tem preços óptimos. Mas deu início à promoção "Leve 3, Pague 2" e fica impossível não aproveitar. Sobretudo quando se está - como eu estava - mesmo a precisar de comprar sapatos de verão para a Madalena e para o Mati. Vale muuuuito a pena!

Ah, e uma nota para a eficiência de sempre: as sabrinas verdes e os ténis brancos estavam muito grandes. Pedi para trocar. Vieram os novos, levaram os outros, tudo isto na mesma semana! Se todos trabalhassem assim... 

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Presente para a Alice

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Já as imagino, mãe e filha, assim deitadinhas lado a lado.

Quando o Mateus nasceu, este berço da Chicco (Next To Me), foi uma grande ajuda. Tê-lo ali mesmo à mão é perfeito porque, nos primeiros tempos, eles passam a vida a mamar e assim é só uma questão de esticar os braços, puxar o pequeno rato, metê-lo no sítio certo e depois voltar a colocá-lo na sua caminha.

Pequena Alice, a tia já ofereceu a caminha mas faz-me o favor de ficares aí até ao final. Vais nascer quando estiver no Algarve, o que não dá jeito nenhum (raça de gente aquela, que só sabe fazer filhos para nascerem em Agosto!), mas o que importa é que venhas prontinha.

Avioneta, piloto, pai da criança e os julgamentos sumários do costume (a que não me acostumo)

O que tenho lido no facebook sobre o caso da avioneta que aterrou na Praia de São João seria suficiente para nunca mais voltar ao facebook. Mas depois é uma óptima ferramenta de trabalho e não me dá jeito deixá-la. Sentei-me para escrever o que penso sobre o assunto mas antes fui dar uma volta pelos blogs do costume e a cabra da Pipoca antecipou-se e já tinha escrito exactamente o que me vai na alma. De maneira que é só ir lá ler e aí têm o que penso. 

Ainda assim, uma pequena nota: Há muita coisa em mim de que não gosto. Mas há uma que aprecio verdadeiramente. É a de não fazer julgamentos sem estar na posse de todos os dados. Os julgamentos sumários do facebook revolvem-me as entranhas. E não é metáfora. Chego a ficar nauseada, à beira do vómito. Esta coisa de todos saberem tudo: "Se eu fosse o piloto tinha aterrado no mar!" Sabes lá se aterravas no mar, pá! Sabes lá! Para já nem sabes se conseguias sequer manobrar a coisa para isso mas, ainda que conseguisses, tens a certeza que o teu instinto não te ia trair? Tens a certeza que não começavas a pensar nos teus próprios filhos e não querias mais era preservar a tua existência? Tens mesmo a certeza que não tentavas pousar aquela merda, acreditando que as pessoas fugiriam e que não magoavas ninguém? Achas mesmo que o piloto é um assassino, que vai dormir tranquilamente depois de ter matado duas pessoas? Uma criança? Pensa lá melhor, vá.

E quanto ao testemunho do pai da criança, mais alarvidades. "Se eu fosse o pai da criança nem conseguia falar, quanto mais mostrar aquela frieza!" Sabes lá se conseguias falar, se ficavas petrificado, se largavas a rir do choque? O que é tu sabes? Porventura já te morreu uma filha na areia, atropelada por uma avioneta? Então faz um favor a ti próprio e à humanidade em geral: não digas mais nada. 

 

Além da Pipoca, o Nuno Markl também escreveu um texto no facebook (lá está, há coisas boas na rede) que assino por baixo:

"Há dias em que a Internet é a pior invenção de sempre. Quando não havia Internet até podiam existir imbecis capazes de dizer cobras e lagartos de um homem que acabou de perder a filha de 8 anos num acidente com uma avioneta numa praia e que parece estranhamente calmo a falar para uma reportagem (não está; está numa coisa pela qual uns bons 99% dos imbecis que estão a dizer cobras e lagartos do homem nunca passaram, nem sabem que existe, chamada estado de choque); mas, quando não havia Internet, esses imbecis não nos entravam pelos olhos dentro. Estavam em casa ou no café a murmurar porcaria a um canto sem ninguém lhes dar atenção. Hoje em dia têm um fórum, e julgam, e metem uma carinha zangada, e sugerem que desconfiam que há ali coisa, porque, de acordo com a sua visão do mundo, provavelmente formada por lágrimas de novela e reality show, o homem não parecia triste.

Quero acreditar que as redes sociais e as zonas de comentários dos jornais não são o mundo lá fora. Quero ter esperança na humanidade e acreditar que esta corja ainda é uma mísera facção da espécie humana - só que parecem muitos porque dizem muita alarvidade. Quero acreditar que a estupidez é como a espuma do banho: parece imensa e vasta, mas é fininha, desfaz-se e acaba por desaparecer.

(Isto não é boa comparação, porque a espuma do banho cheira bem. Mas apanharam a ideia.)"