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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Mudar de Vida #7: Miguel Lambertini

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A primeira vez que pensou em mudar de vida tinha 23 anos. Acabado de sair da Católica, licenciado em Comunicação Social, pensou que talvez estivesse a falhar uma vocação. Mas, nessa altura, achou que já era tarde para mudar. Foi preciso chegar aos 36 anos, ter um filho e ver morrer um amigo para perceber que nunca é tarde para mudar de vida ou, se quiseremos ceder a um certo cliché piroso, nunca é tarde para se ser feliz. 

Miguel Lambertini foi um aluno mediano. Nunca chumbou mas também nunca figurou no quadro de honra. Dispersava-se e, sobretudo, gostava de ser o palhaço da turma. Fazer rir ajudava-o a enturmar-se, já que a sua timidez crónica não lhe permitia integrar-se de outra forma. Sempre que havia peças de teatro, ele estava lá. O palco curava-lhe o acanhamento e os aplausos e as gargalhadas faziam-no vibrar. Mas era uma brincadeira. Nada mais do que isso.

No 10º ano, com a passagem de um colégio para a escola pública, sentiu o apelo pela liderança e pela política. Participou activamente em campanhas da JSD, candidatou-se a presidente da Associação de Estudantes da Escola Secundária Vergílio Ferreira e ganhou. Com a vitória ganhou também confiança. "Afinal, eu era visto como o betinho que vinha do colégio. E conseguir convencer pessoas tão diferentes de que o meu projecto era interessante foi um desafio!" Daí para a política do país foi um passinho. Fez parte das listas do PSD à Junta de Freguesia de Carnide e esteve três anos a trabalhar na assembleia de fregueisa, ao mesmo tempo que fazia o curso de comunicação social na Católica. Também em simultâneo, recebeu o convite da Câmara Municipal de Lisboa (CML) para trabalhar como assessor de imprensa. "Foi muito giro. É um trabalho que permite um contacto muito próximo com as pessoas."

A escolha do curso não foi nenhuma paixão de infância ou uma vocação epifânica de adolescência. A irmã oito anos mais velha também tinha seguido por aí e Miguel achava interessantes as suas disciplinas práticas de rádio e televisão e toda a parte multimedia. Comunicar fazia-lhe sentido. E, claro, não haver matemática envolvida também. Em paralelo, nas férias, foi monitor nos campos de férias da EDP. Fez dezenas de peças de teatro e espectáculos e sentia-se sempre feliz com o resultado. Mas era apenas um hobbie. Nada mais do que isso.

Quando terminou o curso, a faculdade obrigava os finalistas a um estágio. Miguel, sabendo que um amigo trabalhava na produção do Herman SIC, pensou que não podia haver lugar que lhe fizesse mais sentido. E conseguiu. "Claro que eu não sonhava que estagiar na produção de um programa daqueles é basicamente ser escravo, mas pronto. Foi extenuante, muito fisico, mas privar com o Herman e com o resto da equipa fez-me ter o tal primeiro clique. Pensei: eu gostava de fazer isto que esta malta faz. Andei anos a esconder isto de mim próprio, a não dar importância, a empurrar para um cantinho e afinal é algo que me imagino a fazer para o resto da vida." Mas tinha acabado de passar quatro anos numa universidade privada. "Os meus pais a investir e eu ia renegar tudo? Ia chegar a casa e dizer 'afinal vou ser actor'? Não dava..." Por isso, pensou de novo que talvez fosse só uma paixão passageira. Nada mais do que isso.

 

Casa frenética

No outro dia, numa reunião numa das escolas dos meus filhos, um pai dizia, no seu tom de voz calmo e pausado, que apreciava o ambiente tranquilo da escola, até porque "ambientes frenéticos criam crianças frenéticas".

Fiquei a pensar naquilo. E o que me ocorreu de imediato foi "Ui.... tanto frenético que se está a criar na nossa casa!"

 

Ontem pagava para ver a cara daquele pai se entrasse lá em casa no exacto momento em que eu imitava um Velociraptor perante o olhar atónito dos meus filhos que, de seguida, se escangalharam a rir durante uns bons 20 minutos, ameaçando sufocar em gargalhadas (e eu também). 

 

P.S: Sou incrível a imitar o Velociraptor.

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Bife todos os dias sim, mas com diferentes temperos e diferentes modos de cozinhar

Andamos à procura de casa. Quer dizer, não sabemos bem. Tivemos um negócio em mira, no Alentejo, mas por razões que não vêm ao caso acabámos a achar que talvez não fosse boa ideia. Depois pensámos em comprar uma casa na Praia Verde, o que ainda está na nossa mira (mas os preços, de Janeiro até agora, subiram que foi um disparate). De maneira que começámos a pensar encontrar uma casa boa, em Lisboa, mas noutra zona da cidade. Andamos a ver, mas ainda sem certezas de nada.

Gosto que sejamos assim. Que sonhemos, que façamos planos, que nos imaginemos noutros sítios, que desenhemos novos projectos, novos investimentos, que nos atiremos para novos sonhos. Ainda que, no final das contas, fiquemos exactamente onde estamos. Porque, na verdade, só o facto de sonharmos com novas possibilidades já nos faz viver uma realidade diferente. Já nos faz sentir borboletas na barriga. Medo, insegurança, esperança, exaltação. 

Já não sei quem era (acho que era um encenador numa entrevista do DNA) que contava que os pais passavam a vida a ir ver casas e a dizer "aqui ficava aquela cómoda, ali as camas dos miúdos, ali o sofá". Nunca se mudavam. Mas enquanto sonhavam, eram imensamente felizes. Com a enorme vantagem de serem gratuitos, os sonhos (não admira que o filho se tenha tornado encenador...).

No nosso caso, fazemo-lo com as casas mas não só. De vez em quando lá estamos nós envolvidos em qualquer coisa nova que nos faz sentir que estamos vivos e entusiasmados por uma coisa comum. Já foi a carta de patrão local (barcos), já foram (e são) as corridas, os triatlos, alguns projectos culturais familiares, as viagens...

 

Acho que o segredo de uma vida em comum está nestas pequenas sabedorias. Dito de uma forma mais prosaica, já que decidimos comer bife todos os dias, então que saibamos temperá-lo de formas diferentes e cozinhá-lo de modos distintos. Com uma pitada de sonho, um raminho de loucura, e uma raspa de ambição. Se não for isso ninguém aguenta, por mais que goste de bife.

Retrato de Família

Esta quarta-feira, dia 11 de Outubro, a Notícias Magazine (revista com a qual colaborei durante alguns anos da minha vida) vai ter uma conferência interessante chamada "Retrato de Família", no auditório do ISCTE. Eu vou lá estar com uma pergunta para os especialistas responderem e também na assistência, para aprender mais sobre o admirável mundo da parentalidade. Os oradores são todos bons mas o Marcos Piangers é mesmo incrível.

A conferência começa às 9.30 e termina por volta das 13h.

A entrada é livre mas é preciso inscreverem-se AQUI.

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A Caminho

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Estreou no dia 4 de Outubro um musical que vale a pena ir ver. Chama-se "A Caminho - Todos temos uma história" e está em cena no Auditório Sra da Boa Nova, no Estoril. Tenho ouvido dizer muito bem do espectáculo mas o que ainda me move mais é o facto de, ao pormo-nos a caminho desta peça, estarmos a apoiar a obra social do Centro Paroquial do Estoril, Instituição Particular de Solidariedade Social que apoia diariamente mais de 1000 pessoas com o objetivo de contribuir para a sua dignidade promovendo a solidariedade, a educação e a integração.

De sublinhar que se juntou, sob a direcção de Maria Prata, uma equipa artística de excelência: a autoria dos textos foi entregue ao escritor e argumentista Manuel Arouca, as letras das músicas a Miguel Oom Torres e Paulo Espírito Santo, a encenação a Pedro Ribeiro (encenador que trabalhou com nomes incontornáveis da música como Plácido Domingo e em casas emblemáticas como a Royal Opera House, em Londres), a direcção musical esteve a cargo de António Andrade Santos e a coreografia tem a assinatura de Sofia Loureiro, bailarina e coreógrafa de produções nacionais e internacionais.

 

Já não têm muito tempo para se porem a Caminho. 

Há espetáculos às 21.00 nos dias 13,14 e 15, e mais uma matiné no dia 15.

Preços

1ª Plateia: 18,00€ / 2ª Plateia: 15,00€ / 3ª Plateia: 12,00€

Bilhetes à venda em: www.bol.pt 

13 anos

A nossa santa Emília fez, na quarta-feira passada, 13 anos que está connosco. 

Comprámos-lhe umas flores e mais um miminho, e todos lhe demos um beijinho especial.

Comoveu-me ouvir os meus filhos agradecerem-lhe por tudo. Ela encolheu os ombros, naquele seu jeito, e disse que era o seu trabalho, não era preciso agradecer. "É, é. Há tantos anos que nos atura...", disse um deles. 

A verdade é que sem ela a nossa vida seria seguramente mais difícil. Tenho amigas que dizem maravilhas das suas empregadas e depois, invariavelmente, apanham as maiores decepções. Ou estão sempre de baixa, ou inventam mil histórias para faltar, ou desaparecem sem deixar rasto e sem aviso prévio. 

A nossa santa Emília está connosco desde que eu estava grávida do Martim. Vivia então na mesma rua que nós. Quando saímos do Príncipe Real, um ano e pouco depois, tive a certeza de que ela se iria embora. Em conversa com o Ricardo disse que achava que ela se ia aguentar uns 3 a 6 meses. E afinal... cá continua, para bem de todos. Não faz comida, o que às vezes me faz algum transtorno, mas foi assim que combinámos as coisas há 13 anos e não ia ser agora que ia ser diferente. É uma mulher de fibra, que não leva desaforos para casa. Por vezes dou por mim a dar um jeitinho à casa antes dela chegar porque há aquele ponto mínimo da decência que me custa ultrapassar. Às vezes ralha comigo, connosco, e não tem cá pejos em mostrar se alguma coisa lhe desagradou. Tem uma vida difícil porque a nossa casa é um eterno recomeço. As segundas-feiras são os piores dias da sua vida, porque o recomeço (e o caos) é ainda mais visível. Por isso, sim, temos bem razão em agradecer-lhe. Obrigada, D. Emília. Venham mais 13!

Brasilino Godinho: na universidade aos 77 anos, doutorado aos 85

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Tem um olhar vivo e perspicaz, de quem está sempre pronto a aprender qualquer coisa que a vida ainda tenha para lhe ensinar. Brasilino Godinho faz este mês 86 anos e concluiu em Julho o doutoramento em Estudos Culturais, contrariando o batido provérbio que garante que "burro velho não aprende línguas". Talvez por não ser burro nem por não se considerar suficientemente velho, o que é certo é que cumpriu um sonho, deu uma lição a quem arruma prematuramente as botas e, de caminho, arrumou com ditados tolos.

"Na minha adolescência tomei logo o propósito de entrar na universidade, mas os meus pais não dispunham de recursos financeiros", explica Brasilino, com um português tão antigo quanto correcto. Nessa altura, desconsolado por ser o dinheiro a cortar-lhe as pernas, procurou o avô paterno, "um industrial com recursos que podia perfeitamente custear os estudos". Brasilino disse ao que ia. "E ele, depois de uma pausa que pareceu uma eternidade, disse que era muito caro." Que podia comprar-lhe uma bicicleta para ele ir trabalhar lá para a fábrica. O neto agradeceu mas recusou. "Andei muitos anos a censurar-lhe o procedimento. Mas hoje até lhe estou agradecido. Sabe, às vezes há males que vêm por bem. Se tivesse ido para Lisboa fazer Engenharia, no Técnico, não teria adquirido a experiência de vida que tenho. Seria protegido pelo meu avô. E assim posso dizer que tudo o que construí a mim devo."

Brasilino nasceu em Tomar e sempre gostou da escola. Lia muito. Com os seus 16 anos já tinha lido Kant, Platão, Bertrand Russell, entre outros. Como não pôde fazer a universidade, fez o Curso Industrial de Serralharia Mecânica, na escola Jacome Ratton, em Tomar. "Detestei o curso. Frequentar as aulas práticas para mim era como ter um martelo a bater-me na cabeça. No primeiro trabalho da aula de oficina deram-me um quadrado de chapa com um palmo de lado. O objectivo era pôr todos os ângulos a 90º. Fui limando, limando, até ficar com um quadradinho minúsculo e, mesmo assim, ainda não estava bem. Passei a detestar trabalhos manuais. Mais tarde a minha mulher brincava comigo: 'nem para pregar um prego tu serves!' E tinha razão." De qualquer modo, o curso foi muito exigente. Tão exigente e profundo que passados 30 anos Brasilino ainda conseguia deduzir as fórmulas da Cinemática, capítulo da Mecânica (disciplina da Física), ministrada no referido curso. 

Quando terminou o curso industrial, Brasilino esteve dois anos e meio a trabalhar na secção de engenharia da Câmara Municipal de Tomar sem receber um tostão. "Foi muito importante. Queria aprofundar a prática e agarrei-me a isso. Sem dúvida que foi um grande investimento de natureza profissional de experiência de vida e de apreensão das práticas político-administrativas do poder autárquico. Tornei-me um desenhador de construção civil razoável. Quando abriu o concurso para a Direcção Geral de Serviços de Urbanização, para desenhador de 3ª classe, candidatei-me. Eram 50 e tal concorrentes e, surpreendentemente, fiquei em 6º lugar. Chamaram-me para exercer a função na Direcção de Urbanização dos Açores e lá fui eu, em Maio de 1954, para Ponta Delgada."

Em Ponta Delgada, tentou de novo voltar aos estudos. Comprou livros, procurou uma explicadora e quando estava tudo bem encaminhado, surgiu a oportunidade de colaborar na elaboração de vários projectos de estradas. "Aconteceu sempre, na minha vida. Sempre que encetava os passos direccionados para a universidade surgiam outras coisas que se punham à frente dos estudos". Entre elas, Luísa Maria Albernaz Tapia, que conheceu nos Açores e com quem casou e teve dois filhos (duas novas alegrias que se interpuseram à escola). Os filhos, de resto, tiveram a oportunidade que ele não teve. Curiosamente, formaram-se ambos em Engenharia Civil, na Universidade do Porto e com todos os encargos financeiros suportados pelo pai.

Depois de quase três anos em Ponta Delgada, voltou para o continente, mais concretamente para a Direcção de Urbanização de Leiria, ; tendo mais tarde, em Fevereiro de 1963, mudado para Aveiro onde, nos Serviços Técnicos da Junta Distrital de Aveiro, acabou a fazer uma longa carreira como topógrafo, apesar de muitas contrariedades profissionais, que o desgastaram mas nunca o vergaram. 

Quando, em 2008, a mulher faleceu aos 74 anos, Brasilino Godinho ficou profundamente abalado. Afinal, tinham vivido 51 anos juntos. Não é fácil suportar uma perda tão grande. Brasilino permitiu-se fazer o luto e, um dia, respirou fundo e sentiu que tinha chegado o momento de seguir em frente. E seguir em frente significava, agora que os filhos já tinham a sua vida e que a mulher partira, voltar aos estudos oficiais, tanto tempo adiados. Entao, com 77 anos, concorreu à Universidade de Aveiro, ao abrigo do processo de Bolonha, no sentido de frequentar o curso de Línguas, Literaturas e Culturas. Teve 17 valores na prova de admissão. "A primeira aula? Não há palavras para a descrever. Foi uma emoção adiada 60 anos, o que a tornou inexprimível. No final da aula, solicitei à professora o uso da palavra. E pedi aos meus colegas para não me darem tratamento especial. Queria que soubessem que não me achava nem mais nem menos do que qualquer um deles."

Ainda assim, não foi praxado, nem andou nas noitadas como quase todos. Por outro lado, estudou muito. Sobretudo porque começou o ano atrasado (teve de esperar pelo despacho que o autorizava a iniciar o curso ainda nesse ano lectivo) e depois de 3 aulas de Latim teve logo um teste. "Quando veio a nota - 7 valores - pensei: 'Brasilino, para quem nunca teve um sete, começas mesmo mal.' Mas também reflecti de que nem tivera tempo de estudo suficiente para aprofundar matéria de tanta exigência. No final do período tive 16."

Brasilino Godinho terminou o curso a 14 de Dezembro de 2012, com a média de 15 valores. Logo em Janeiro foi pedir para se inscrever no Doutoramento. Disseram-lhe que tinha de fazer o Mestrado primeiro. "Expliquei que atendendo à provecta idade de 81 anos seria de admitir não haver espaço de tempo de vida para cursar Mestrado e Doutoramento. Além de que não queria perder o ritmo de trabalho que tinha conquistado. Foi feito um requerimento dirigido ao presidente do Conselho Científico da Universidade de Aveiro a solicitar permissão para frequentar o Doutoramento que, dois meses depois, chegou aprovado pelos 17 membros do conselho, por unanimidade.” 

E foi assim que, aos 85 anos, Brasilino se tornou doutor. No dia 5 de Julho defendeu, durante duas horas, a tese com quase 500 páginas, "Antero de Quental: um patriotismo prospectivo no porvir de Portugal". Porquê, Quental? "Porque foi um poeta de muito valor, tão brilhante como Camões e um pensador extraordinário. Tão extraordinário que, no final do acto doutoral, apresentei uma proposta para que a Universidade dos Açores fosse designada por Universidade Antero de Quental. Entretanto já recebi a resposta do reitor da dita universidade a agradecer a proposta mas afirmando que não estava no horizonte alterar a designação de Universidade dos Açores".

Agora, com quase 86 anos, uma vida inteira de experiência, dois livros de poesia e um volume de ensaio publicados, uma licenciatura (com 15 valores) e um doutoramento (aprovado por unanimidade do júri), Brasilino Godinho pretende arranjar emprego: "Se estive 8 anos a fazer dois cursos universitários (licenciatura e doutoramento) e manifestei capacidade para os frequentar e concluir com boas avaliações, com certeza que estou habilitado a trabalhar! Ou como assessor numa instituição oficial ou particular relacionada com Urbanismo e Construção Civil, ou como professor de Cultura Portuguesa ou Cultura Espanhola. Se não arranjar emprego, vou continuar estudos na área das Humanidades, dedicar-me mais à escrita e publicar dois livros que tenho em carteira”.  

Um exemplo de perseverança e vontade de viver, sem dúvida. E se é verdade que esvaziou o sentido ao provérbio que diz que "burro velho não aprende línguas", não é menos verdade que deu todo o sentido a um outro: "Parar é morrer". É que Brasilino está mais vivo que nunca.

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Fotografias: Filipe Andrade 

 

Mayday, Mayday!

O nosso próximo encontro na Fnac do Colombo não vai ser, afinal, no dia 27 (sexta-feira), mas sim no dia 26 (quinta-feira).

Excepcionalmente, terá de ser numa quinta-feira porque na sexta há outro acontecimento já marcado na agenda da Fnac.

Será que ainda conto convoso na mesma?

🙏

 

 

Martim, o portador de más notícias

Chega a casa, vindo da escola, com um tom esverdeado.

Olho para ele, ralada:

- Então, tudo bem?

- Não.

- Não? Então?

- Acabo de saber que vou ter 40 testes este ano. E daqui a duas semanas tenho 3. E na semana seguinte a essa tenho mais 3.

 

Dores. Muitas dores. 

Tanto que ele vai ter de estudar. Tanto que eu vou ter de estudar. 

Sim, estudo também, para lhe fazer perguntas.

Sim, ele ainda não voa sozinho.

Já expliquei nos outros anos que ajudo os meus filhos até sentir que eles já têm autonomia para o fazer sozinhos. Tal como quando lhes ensinamos a andar de bicicleta: seguramos no banco até sentirmos que eles conseguem equilibrar-se sem a nossa mão. O Manel deixou de precisar de mim a meio do 7º. No ano passado, tentei largar o Martim mas não correu bem. Ainda precisa da nossa atenção, do nosso acompanhamento. E eu, em podendo, estou cá. Lixada da vida mas estou cá.