Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Cueca diária, confusão desnecessária

Há uns tempos comprei ao Mateus umas cuecas com os dias da semana escritos atrás, em inglês. Eram giras, achei-lhes graça e trouxe.

A questão acabou por se tornar complexa. Por vezes, a cueca correspondente ao dia pode não estar disponível (ainda por lavar, ainda por secar) e custa-me vestir-lhe numa terça a cueca que diz Wednesday ou numa sexta a cueca que diz Sunday. Sou a pessoa mais desorganizada que conheço mas há aqui uns mínimos que me impedem de trocar a nomeação das coisas. Talvez seja defeito de profissão, talvez seja algum rigor e respeito pelas palavras e seu significado, talvez seja aquele receio de que, na escola, ao ajudar a criança nas suas idas à casa-de-banho, acabem também a conferir o dia da semana concluindo que, das duas uma, ou é gente caótica que nem atina na tarefa (aparentemente) simples de atribuir a peça de roupa certa ao dia correspondente, ou é gente que nem sabe os dias da semana em inglês. Não sei. O que sei é que, por causa disto, ando de manhã a vasculhar a gaveta em busca da cueca apropriada para o dia da semana, remexendo tudo, ou então, se estiver com pressa (que é sempre), acabo a escolher outro modelo qualquer, sem designações que possam trocar a ordem natural das coisas.

IMG_0529.jpg

(sim, eu sei que hoje é Wednesday e que, por isso, esta cueca pertence a amanhã, mas sucede que hoje atinei com a peça certa e ele levou a quarta-feira vestida, tudo indicando que amanhã também conseguirá vestir o dia correcto. Urraaa!)

Clube de Leitura e jantar de "Natal" são já esta sexta

Às 19h, na Fnac do Colombo.

Estão inscritas 35 pessoas para a tertúlia e 20 para o jantar.

Se ainda não se inscreveram e pensam ir ao jantar por favor digam porque já reservei mesa para 20 e, se formos mais, é preciso alterar a reserva.

Não se esqueçam de levar um livro de que gostem muito (da vossa prateleira se forem desapegados, novo se não conseguirem libertar-se) para trocarmos presentes.

 

Até lá!

Somos o Esquecimento que Seremos (Hector Abad Faciolince)

Hoje tive um almoço com uma pessoa com quem nunca almocei, que conheço há 22 anos sem na verdade conhecer no sentido de conversar e privar, e no entanto conhecendo desde bebé (que peguei ao colo) e cujo crescimento fui acompanhando por interposta pessoa, que o amava com a visceralidade - e orgulho e deslumbramento - com que os pais amam os filhos. E percebi que há ali tanto de genética como de construção pessoal, há ali uma herança de humor, inteligência e capacidade para conversar, mas há também tudo o que não se herda, mas antes se edifica por mérito próprio.

Levei para esse almoço o livro que estou a ler (já podia tê-lo terminado há semanas mas ando a ler devagarinho a ver se o termino o mais tarde possível) porque queria ler-lhe uma passagem que significou muito para mim e porque pensei nele quando a li.

Quando tirei o livro da mala, ele olhou para mim e disse que estava a ler um livro do mesmo autor e, passado um bocado percebeu que, afinal, era o mesmíssimo livro, só que com uma capa diferente. 

Não queríamos acreditar. Arrepiámo-nos ambos, ficámos realmente incrédulos, entre tantos livros para ler e estamos os dois mergulhados no mesmo. Fico a pensar se é apenas coincidência estarmos os dois a ler o mesmo livro, o livro de um filho sobre a morte do pai. Leio-lhe a passagem, que ele ainda não leu, e reflectimos sobre ela, ainda impressionados pelo acaso que não podemos jurar ser mesmo um acaso. 

No final do almoço, peço a conta. O empregado abeira-se com o terminal do multibanco, olha para o livro e pergunta:

- Está a ler esse livro? Muito bonito. Muito bonito mesmo.

E ficamos os dois, de novo, congelados naquele momento.

Talvez seja uma mera casualidade. Ou então, se quisermos acreditar, talvez seja mais do que isso.

 

(na verdade, o nome do livro de Faciolince vem do lindíssimo poema de Jorge Luís Borges)

Um daqueles momentos de orgulho

Já não é a primeira vez que alguém me avisa que uma das minhas reportagens está num livro escolar. Da outra vez foi num livro de preparação para os exames. Desta vez foi no manual de Português do 4º ano do meu afilhado Francisco. A mãe, ontem, enviou-me uma mensagem com a fotografia das páginas e com a pergunta: "Se calhar fazias tu a análise do texto, não?"

Há coisas que me deixam mesmo quentinha por dentro. Esta é uma delas.

IMG_0495.jpg

 

 

Um livro que é uma pérola

IMG_0505.jpg

Quando o Pai Natal andava na azáfama das compras para as crianças lá de casa viu este livro na livraria achou que era mesmo o presente ideal para a Mada. E era.

São 100 histórias de 100 mulheres extraordinárias, que conseguiram alcançar os seus sonhos mesmo quando toda a gente lhes dizia que era impossível. Mulheres que souberam impôr-se à vontade dos demais por saberem que só seriam felizes se a sua vontade prevalecesse. Mulheres como a jornalista Anna Politkovskaya, como a realizadora Brenda Chapman, a faraó Cleópatra, a política Evita Peron, a pintora Frida Khalo, a pirata Grace O'Malley, a ativista Helen Keller, a escritora Isabel Allende, a velejadora Jessica Watson, a sufragista Kate Sheppard, a rainha e guerreira Lakshmi Bai, a cientista Marie Curie, a geneticista Nettie Stevens, a espiã Policarpa Salavarrieta, a juíza do supremo tribunal Ruth Bader Ginsburg, as tenistas Serena e Venus Williams, a pintora Tamara de Lempicka, a escritora Virginia Woolf, a ambientalista Wangari Maathai, a artista Yoko Ono ou a astrónoma Zhenyi Wang, só para dar um exemplo de cada uma das letras do alfabeto (mas há muuuuitas mais).

 

A Madalena adora que lhe leia uma ou duas histórias destas mulheres antes de adormecer. Fica sempre boquiaberta com os seus feitos e acaba sempre com um sorriso vitorioso. 

Ontem, no final, disse: "Um dia hão-de escrever outro livro como esse e o meu nome há-de lá estar".

Achei a coisa mais bonita de todas porque revela, além da capacidade de sonhar e acreditar, uma auto-confiança que nunca tive. 

Queridos, mudei o terraço

Há empresas que estão atentas e que se antecipam às nossas próprias necessidades. Passo a explicar. Há uns tempos recebi um email de um responsável da Recer. Tinham visto uma foto em que se via o meu terraço e achavam que aquele piso estava feio, estragado e a precisar de uma intervenção. Eu, que sabia disso tudo mas que tinha passado por obras cá em casa há pouco tempo, respondi amavelmente que pois sim, sabia disso, mas uma coisa de cada vez, e que quando mudasse queria madeira ou aqueles compósitos a imitar madeira e coisa e tal, e tal e coisa. Mas o senhor insistiu. Que tinha todo o gosto de nos fazer uma visita guiada ao showroom, mostrar toda a gama disponível de cerâmica, que eu ia ficar surpreendida com as vastíssimas opções. Ah, mas cerâmica não... nós somos um bocado vândalos, vai que partimos o chão em três tempos, e queríamos mesmo era madeira, que é tão bonito, e o senhor sorria como que a dizer "vem cá que até andas de lado quando vires o que aqui temos". E lá fomos. 

Bom... não fazia ideia que aquilo era possível. Vocês não têm ideia da quantidade de opções disponíveis! Cerâmica a imitar ferro, cerâmica igual a madeira mais clara, a madeira mais escura, cerâmica igualzinha a basalto, a mármore, cerâmica para paredes, para pisos, para exterior, para interior... Mosaicos, uns mais pequenos, outros maiores, outros a imitar a azulejaria antiga... um mundo, senhores! Um mundo!

Indecisa como sou, fiquei lá horas. Pensei acomodar-me a um cantinho e ficar por lá a dormir uma semana, até conseguir chegar a uma escolha. De repente dei por mim a querer construir uma casa toda de raiz para poder usar os diferentes tipos de material. É tudo tão bonito... 

Por fim, lá nos decidimos. Como já tínhamos a ideia da madeira, optámos por uma cerâmica tipo tábua corrida. E garanto que é preciso levar lá a mãozinha para ter a certeza de que não é madeira. Vêem-se os "nós do corte da árvore", os veios, as peças são diferentes, têm uma rugosidade que - também ela - faz lembrar a madeira... enfim. Incrível. O melhor? Não estraga. Dura uma vida. Quando perguntei se estava mesmo a falar a sério, o responsável disse: "Estou, estou. Para nós é uma pena... (risos), mas a verdade é que estamos a falar de um material que dura uma vida inteira".

E pronto. Só faltava escolher quem fizesse a obra. Pedi ajuda no Facebook (o homem que fez as obras cá em casa sumiu do mapa e nós não conhecíamos mais ninguém), recebi dezenas de sugestões, algumas com garantia de serem os melhores do Planeta (o que me restaura alguma fé nesta categoria profissional, onde só se escutam histórias de tipos que se piram, que deixam as obras a meio, que levam três anos para fazer 40m2 ou pedem um valor de tal modo astronómico que uma pessoa tem de vender um rim de cada membro da família para conseguir meter-se nisso), e vai daí que vieram cá a casa uns 5 ou 6 homens ver o trabalho e fazer o orçamento. Um deles é pai de um amigo e foi a mulher (mãe do meu amigo), que me lembrou que o seu Luís podia muito bem ser o homem certo. E foi. Foi quem apresentou o orçamento mais competitivo, foi quem nos pareceu mais sério, foi o que disse que levaria menos tempo para fazer a obra (os outros deviam justificar os preços absurdos com o tempo excessivo que levavam para a fazer), e tinha a vantagem de ser pai de um amigo. Qualquer coisa que corresse mal era convidar o filho para jantar, provocar-lhe uma pequena indisposição gastrointestinal e dizer "meu amigo, isto é só o princípio" (Brincadeirinha...). 

A obra levou apenas três dias e ficou simplesmente maravilhosa. Perfeita. Agora acordo todos os dias, abro a janela, olho lá para fora e nem acredito. Em breve mostro o antes, o durante e o depois. 

Obrigada à Recer pelo desafio, pela proposta, pela simpatia e pela paciência (que isto de escolher entre tantos materiais espectaculares não é fácil). 

E obrigada ao Luís, da Versatilorbis. Juro que não sabia que era possível ser tão eficiente, no que às obras diz respeito.

7583872240_IMG_1171.JPG 

7583872240_IMG_1164.JPG

7583872240_IMG_1168.JPG

 

Post escrito em parceria com a Recer

O Cocó fez 10 anos!

Foi na sexta-feira que este jeitoso blogue fez dez anos.

Dez anos. Duas mãos cheias. Uma década inteirinha a vir aqui partilhar histórias. Histórias pessoais, histórias familiares, histórias de pessoas que entrevisto e que acho que podem gostar de conhecer. 

O blogue de hoje não é - de todo - o mesmo de há dez anos. Perdeu talvez a espontaneidade de quem começou isto sem perceber bem a dimensão que tinha ou podia vir a ter. Mas acho que ganhou em conteúdos, deixando de ser apenas um conjunto de textos sobre uma família, para passar a ter uma série de rubricas que lhe deram mais corpo, mais maturidade, mais sentido jornalístico para quem, como eu, sempre gostou de contar as histórias de quem ia tendo o privilégio de conhecer. 

Obrigada a todos os que estão desse lado. Os que estão desde os primeiros posts, em Janeiro de 2008, aos que foram chegando entretanto. Os que preferem os textos mais pessoais aos que vibram com o "Mudar de Vida" ou os "Papa-Léguas", o "Consultório", o "Conta-me", as "Mulheres do Caraças", as "Casas onde a Cocó não se Importava de Morar", o "Clube de Leitura". 

Em breve haverá mais novidades, a par com todas estas rubricas que já fazem parte do ADN deste blogue.

Dez anos, hein? Um crescido.

7583920480_IMG_1411.JPG

 

7518853408_IMG_1483.JPG 

7583920480_IMG_1436.JPG

7583920480_IMG_1453.JPG

7518853408_IMG_1512.jpg

É isto

IMG_0274.jpg

Quando vi este quadrinho em Niagara-on-The-Lake pensei imediatamente nela.

Temos sido muito terapeutas uma da outra, neste sentido em que falamos, choramos, rimos, e bebemos juntas.

Há um ano, ela apresentou-me a uma pessoa que tem mudado radicalmente a minha vida. Mas radicalmente mesmo.

Tenho uma sorte do caneco em tê-la na minha vida, é o que é. 

 

Clube de Leitura para adolescentes

fernando pessoa.jpg

 

É uma ideia bonita, que espero que dê frutos. Não sei se conseguirei convencer o adolescente cá de casa a aparecer, mas vou tentar.

A partir deste mês (começa já no dia 30 de Janeiro), a Casa Fernando Pessoa reunirá adolescentes dos 15 aos 18 anos para explorar textos de Pessoa - da sua poesia à sua correspondência - procurando descobrir o que cada um lê no texto e em constante diálogo: para chegar do mundo aos livros e dos livros ao mundo.

Andreia Brites é a dinamizadora destes encontros.

Nota importante: não é preciso conhecer já Pessoa. Podem nunca ter lido nada. Chegarem em branco, saírem com curiosidade, gostando de umas coisas, não gostando de outras, querendo ler tudo, estranhando, deixando que se entranhe (ou não). Há abertura para tudo. Descobrir é isso. E isso é bom.

Sempre na última terça-feira do mês.

A entrada é livre mas sujeita a marcação prévia (porque a lotação é evidentemente limitada).

Inscrições aqui: servicoeducativo@casafernandopessoa.pt

pessoa2.jpg