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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Workshop de amanhã

Bom...

O meu marido faz anos hoje. Tirou o dia para estarmos juntos. Ainda não fiz mais nada do que contactar vencedores do workshop de amanhã, que não podem ir pelas mais variadas razões.

De maneira que... ficamos assim: os primeiros a enviar email para sonia.morais.santos@gmail.com ganham a vez. O workshop foi adiado para as 20.30 porque eu tinha um evento antes e não me lembrei (a idade é lixada). Relembro: é amanhã, em Cascais.

Grata!

 

Maratona de Sevilha (só para quem tem pachorra para isto das corridas e para relatos grandes e lamechas)

Não estava bem preparada, não tinha corrido os quilómetros todos que devia, nem pouco mais ou menos. Fiz os treinos longos, é certo, mas faltaram-me aqueles treinos curtos em barda: vários de 5km, vários de 8km, vários de 10 e de 15 e de 20. Sabia disto, pensei não fazer a maratona, mas depois de ter acabado os longos com vida... olha, que se lixe, vamos a isto!

O fim-de-semana em Sevilha foi mesmo bom. Fomos na sexta de manhã, almoçámos com uma grande grupeta na Noélia, em Cabanas, e depois seguimos para o destino final. Deu para namorar, deu para descansar dos miúdos (e soube meeeesmo bem), deu para conviver com um grupo tão-tão giro, com pessoas de quem gosto muito, algumas há já algum tempo, outras há menos, mas todas boa gente com quem sabe bem estar. Tivemos um jantar incrível, com 50 pessoas, todas elas em véspera de maratona, umas já batidas nisto das maratonas, outras estreantes, outras apoiantes, umas que levaram os filhos, outras que os deixaram em casa... maravilhoso.

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A maratona em si... pois que foi mesmo sofrida. Quando fiz a primeira, em Lisboa, fiz sem sofrer. É claro que no final estava muito cansada mas nunca vi "o muro", nunca me senti extenuada, nunca achei que ia falecer a fazer aquilo. Já tinha ouvido relatos sobre maratonas muito dolorosas, até para quem já está batido nelas, mas como não me aconteceu à primeira acho que não vi bem o filme. 

Arranquei com pica e a uma velocidade superior à dos últimos treinos. Dentro de mim pensava que talvez estivesse a fazer asneira, que talvez não estivesse a fazer uma boa gestão do esforço, que talvez rebentasse antes de tempo, que talvez fosse melhor abrandar. Mas, por outro lado, estava a chatear-me abrandar. Queria manter-me naquele ritmo e, no meu íntimo, havia uma secreta - e muuuuuuito estúpida - ilusão de conseguir igualar ou bater o tempo que fiz na maratona de Lisboa (04h18m). Era uma ilusão mesmo muito estúpida, que só podia mesmo passar na cabeça de uma pessoa competitiva e maluca como eu, que até comigo compito. Como podia eu querer fazer melhor tempo que em 2015, em que tinha menos 4 quilos, e uma preparação física irrepreensível? Só mesmo no meu íntimo. Não partilhei esta estúpida ideia com ninguém, de tão estúpida que era. 😅

Aos 15km, claro, rebentei. Aliada ao cansaço generalizado, veio uma dor intensa no tendão de aquiles. Pensei: estou lixada. Como é que eu vou fazer 27km neste estado? Morta, cheia de dores, acabadíssima? O mister entrou em contacto com a incrível claque que estava em vários pontos para nos apoiar (não descrevo todos porque eram muitos e tenho medo de me esquecer de alguém, o que seria uma injustiça irreparável), e daí a nada já eu tinha 2 analégicos no bucho, entregues em mão por um dos apoiantes. 

Os 27 quilómetros que se seguiram foram penosos. Penosos é favor. Foram pa-vo-ro-sos. Não só pelo calcanhar (que entretanto deixou de doer tanto, graças aos analgésicos) mas porque psicologicamente quebrei. Só pensava que não ia conseguir. E perguntam vocês: e se não conseguisses? Vinha daí algum mal ao mundo? O degelo agravava-se? A mutilação genital feminina aumentava? A fome em África ia matar ainda mais crianças? A guerra na Síria nunca mais teria fim? Ou, num plano mais pessoal, o que acontecia? Matavam-te? Despediam-te? Retiravam-te as crianças por seres má mãe? Morria a tua família toda? Pois. Não. Nada. Não acontecia nada disto. Nada de importante. Mas quem se mete nestas coisas sabe que desistir só é opção se o caso for mesmo grave. A gente não se mete nisto para desistir, caneco. A gente mete-se nisto para se superar. Para chegar ao fim. Para fazermos uma coisa quem nem toda a gente faz. Chamem-lhe o que quiserem! Narcisismo, mania, síndrome do super-herói, devaneio, loucura, parvoíce. É convosco, e por mim está certo. Qualquer dos nomes que lhe queiram chamar. Porque eu própria não sei bem o que me move. Sei que tenho um prazer maluco em superar-me. Em fazer coisas que nunca antes havia imaginado ser capaz. Aaaaaah, caraças, que bom que é! 

E pronto. Foi com os olhos (e o corpo todo) posto neste objectivo da superação (ou da paranóia, whatever) que continuei. A Raquel Brinca, que consegue ser ainda mais obstinada que eu, foi o tempo inteiro focada em fazer-me chegar. Não me deixava parar, mesmo quando eu já só queria matá-la. Dizia-me palavras de incentivo, mesmo quando eu já só queria calá-la. Ia buscar águas e perguntava-me se já tinha tomado o gel certo e os sais e as gomas e o cacete, mesmo quando eu já só queria atirar-me para o chão. E foi o tempo inteiro a fazer a festa. A falar com as pessoas, a agradecer os aplausos, a pedir aplausos, a gritar o meu nome para que quem aplaudia gritasse o meu nome, a saltar, a rir. Acreditem no que vos digo: a mulher é uma força da natureza. 

O David Storch foi outro. Sempre ali ao lado, a incentivar, a dizer parvoíces que me faziam engasgar de rir, a rir-se dos 40 palavrões por minuto que eu despejava, a ir buscar água, a ser um pouco mais complacente do que a Raquel nas minhas paragens (juntos faziam uma espécie de dupla tipo good cop/bad cop). 

A entrada no centro da cidade, ao quilómetro 37, é apoteótica. Milhares de pessoas dos dois lados da rua, aos gritos, a torcerem por todos os que passam, de bofes de fora. Durante três ou quatro quilómetros é isto: gente e gente e mais gente a gritar o nosso nome e a dizer que está quase, que é já ali, que é nossa, que ninguém nos tira, que já está. A força disto... não se explica. Chorei como uma Madalena, assim a ponto de nem conseguir controlar a respiração. Sim, é verdade, sou a maior chorona da História. E o pior? Não me ralo.

A prova terminou no estádio olímpico de Sevilha. Cruzei a meta de mão dada com a Raquel (o David atrasou-se um bocadinho porque foi só à bancada pedir a namorada em casamento 😂 😍) e aí sim, foi uma choradeira épica. Estou até a pensar alterar o nome do blogue de Cocó na Fralda para Cocó-chorão, que é o que eu sou. Fizemos 04h38m. Nem sei como. Quer dizer, sei. Se não tivessem sido aquelas duas almas... provavelmente ainda lá estava agora.

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Durante o percurso só pensava no Ricardo. Tinha-o deixado para trás, com o Zé, e imaginava que, se eu estava a sofrer, talvez ele estivesse a morrer, já que sempre disse que não se sentia nada preparado para a maratona e que os treinos longos lhe custaram horrores. Quando o vi chegar, foi uma emoção. O Zé vinha na forma do costume (em festa) e, de facto, é impossível esmorecer com aquele homem ao lado. É outra força da natureza. Nunca vi criatura mais animada do que aquela, benza-o Deus. Obrigada pelo constante incentivo ao Cocó-man!

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Muito obrigada à claque fantástica composta por maridos, mulheres, amigos, tias, filhos que, durante todo o percurso, foram aparecendo para gritar o nosso nome. É que dá um alento mesmo bom. Obrigada ao Pau pelas fotos tão boas e pelo vídeo, imaginando eu como lhe custou estar sem correr. Obrigada ao mister, que andou meses a tentar que nós treinássemos mais, para que não sofrêssemos o que sofremos. Obrigada ao Vasco, "dealer" do grupo, que nos orientou nas drogas certas a tomar durante os 42 km, primeiro estas, depois as outras, só no fim as Rocktane (que me fizeram sempre cantar a Roxanne dos The Police, mesmo em estado comatoso). Obrigada à Raquel e ao David. Sem vocês... não sei se desistia (que eu sou um bicho choné) mas o mais certo era ainda lá estar agora. E, claro, obrigada à minha mãe que ficou a segurar as pontas com os miúdos em Lisboa. É a maior! Já agora, obrigada à Academia de Sobrevivência, que veio buscar o Martim e a Mada a casa no sábado e arranjou quem os trouxesse para casa no domingo, para eu não pedir à minha mãe mais esse esforço.

Muitos parabéns à Madalena Salgueiro e à Ana Lemos, que fizeram a sua primeira maratona em grande estilo! São maratonistas, raparigas!!!! Parabéns!!!! 

E pronto. Foi isto. Estou coxa, tenho os bofes de fora, tenho uma unha do pé mesmo a cair e outra julgo que vá pelo mesmo caminho. Em princípio não quero ouvir falar em maratonas nos próximos anos mas não prometo nada, que isto de correr é mais ou menos como parir. A gente jura que nunca mais e depois... bom, cá em casa é o que se vê. 😬

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Mudar de vida #3: Ana Varela

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Quem diria? Quem havia de dizer? Que a bióloga havia de dar lugar à lojista, que a cientista havia de se render à fantasia, que a investigadora podia arrumar a seriedade e dedicar-se à brincadeira e ao sonho? Quem diria? Quem havia de dizer?

Mas assim é. Assim foi.

Ana Varela tem 31 anos. Fez o curso de Biologia, em Coimbra, sem grande convicção. Seguiu-se o estágio em Biologia Celular. Ela, que tinha horror a ratos, avisou: "Tudo menos ratos". Teve azar. Na primeira semana, logo ratos. Pensou "isto não vai correr bem". Mas correu. Os colegas manuseavam os animais, chamavam-na no final. Claro que, pelo meio, faziam as brincadeiras da praxe. "Podes vir, Ana!" E a Ana vinha e havia ratinhos à solta na sala e gritos que os faziam perder-se de riso.

Com o passar do tempo, Ana aprendeu a gostar do trabalho em laboratório, e havia de ser boa no que fazia porque foi proposta para Doutoramento, candidatou-se às bolsas da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e conseguiu. Escolheu um projecto para trabalhar durante 4 anos, o único do laboratório só com animais, quase nada de linhas celulares: "O projecto consistia em mimetizar uma cirurgia ao fígado, onde fazíamos um período de isquémia e reperfusão, com estratégias de redução do impacto da isquémia no fígado." Perceberam? Pronto. Falamos deste nível de conhecimento científico. 

Correu tudo muito bem e, depois de mais um ano de laboratório, a melhorar o currículo, Ana Varela conseguiu mais uma bolsa de pós-doc. Uma bolsa de três anos. Porém, ao fim de um ano, fechou a porta. Ou talvez seja melhor dizer: bateu com a porta. "O mundo da Ciência e da Investigação é muito competitivo. Há uma pressão incrível. E houve um dia em que olhei para a minha vida e pensei que não queria aquilo para mim. A vida, para mim, é mais do que o laboratório. Queria ir ao cinema, queria jantar fora, queria viajar, queria... viver!"

E assim, em Abril de 2015, saiu. Os pais apoiaram-na no momento da ruptura mas, depois, fizeram o que os pais fazem: aconselharam calma, temperança, cabeça fresca. Ana era Bióloga, estava envolvida em projectos científicos de grande complexidade, com moléculas e células à mistura, o laboratório onde estava trabalhava num projecto com a Fundação do Michael J.Fox... o que mais podem pedir uns pais? A filha tinha estudado tanto, trabalhado tanto para chegar ali. E agora largava tudo para fazer o quê?

Para viver. Não parece pouco, escrito assim. Resumido assim.

Em Outubro de 2015 nasce, então, a Lato Latinho. Uma loja de brinquedos e de artigos de festas infantis que pretende ser mais do que isso. "Um cantinho mágico onde ratinhos são príncipes e há bailarinas que são coelhos, onde lemos histórias, inventamos histórias e fazemos parte delas. Temos tido actividades para os mais pequeninos: apresentação de livros, hora do conto, conversas com cientistas... para que venham aprender e sorrir connosco! Porque não há nada melhor que brincar, sorrir...ser feliz!"

Nada a ligava ao universo infantil. Não é mãe, não tem sobrinhos, nada. Mas sentiu um apelo imenso pela fantasia, quase como se precisasse de um regresso ao imaginário, tão contrastante com o seu eu científico. A ciência trocada pela fantasia. A objectividade transformada em sonho. Já o nome "Lato Latinho" estava escrito no destino. Aliás, estava escrito na sua própria infância, pelo que fazia todo o sentido trazê-lo até este renascimento da menina por detrás da cientista. "Quando eu era pequenina não dizia os "erres". Substituía-os por "éles". E na terra onde nasci, em Valado dos Frades, toda a gente brincava com isso. Até que me ensinaram uma ladaínha, para eu aprender a dizer os "erres". Era assim: Se eu fosse um rato ratinho/ roía a tua roupa/ dava mais um saltinho/ e dava-te um beijinho na boca. Ora, eu não dizia "rato ratinho" mas sim "lato latinho". E as pessoas mais próximas começaram a tratar-me assim. Quando andava a pensar em que nome dar à loja, fui a uma loja lá da terra e a pessoa que me atendeu disse: "Então, Lato Latinho, o que vai ser?" Pronto. Fez-se luz."

Mas não há apenas esta curiosidade, do nome da infância recuperado agora que quis recuperar o seu lado infantil. Há também a questão dos ratos, a que tinha pavor, dos quais fugia no laboratório, agora transformados em reis no seu mundo de fantasia. Se isto não é um belíssimo e metafórico ajuste de contas com a vida... não sei então que será. 

Quem diria? Quem havia de dizer? Que era possível trocar as voltas ao destino de forma tão inesperadamente poética. É científico: a felicidade vale mais do que qualquer Ciência.

 

Lato Latinho: Avenida Afonso Henriques 32, Coimbra.

https://www.facebook.com/LatoLatinho/

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Fotografias: Raquel Brinca, HUG

Passatempo 9º Workshop #Receita Perfeita

E já estamos quase a fazer mais um workshop!
Vamos cozinhar e jantar muito bem maravilhosamente. 
Para quem ainda não sabe o que é isto, trata-se de um workshop em que, guiados pela nossa chef Mónica Alves Pereira, vamos aprender a fazer pratos deliciosos, vamos cozinhar e, por fim, jantamos todos juntos animadamente. E posso dizer-vos que têm sido mesmo animados, estes jantares. Mesmo bons! Nem consigo dizer de qual deles gostei mais!
As fotografias estão a cargo da fotógrafa Raquel Brinca, que além de talentosa é uma animação. Tudo com a parceria do extraordinário Lidl que nos brinda com os melhores produtos.

O próximo Workshop vai ser, então, na próxima SEXTA-FEIRA, DIA 24 DE FEVEREIRO.

Onde?
No Cooking Memories, o atelier de cozinha da Mónica Alves Pereira. Fica na Marina de Cascais

O que vamos cozinhar (e jantar)?

Risoto de espargos

Tiramisu

Como podem participar?
Através do formulário em baixo. Escolherei 12 pessoas, via random.

E é gratuito?
Estes workshops do Cooking Memories têm habitualmente o custo de 40€ por pessoa. Mas o que peço a cada um dos 12 vencedores são 15€ por cabeça, para doar a uma instituição de Cascais que tem um trabalho muito meritório e que se chama Fundação AJU (têm uma série de projectos de solidariedade em mãos). Em princípio será agora no mês de Março que vamos fazer a doação do valor já amealhado!

O que mais vos posso dizer?
Que nos vamos divertir muito, que vamos ter um jantar de arromba, e que vão gostar de certeza!

Têm até terça-feira (dia 22) à meia-noite, para participarem!
Boa sorteeee!

 

Pukatuka

Não podia estar mais à vontade para falar.

Não conheço a autora ou autoras.

Nunca recebi produtos ou qualquer outro tipo de pagamento desta marca.

Não tenho meninas bebés, pelo que não há aqui qualquer interesse subliminar.

Mas digo-vos uma coisa: só de olhar para o Instagram da Pukatuka apetece-me largar a ter filhas.

Vou ter de deixar de seguir a página sob pena de ter um desregulamento hormonal.

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