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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Viagens na nossa terra - Minho #3

A noite em Ponte de Lima foi demoníaca. A culpa não foi de Ponte de Lima, mas sim da tosse da Madalena. Começou mal se deitou. Eu e o Ricardo ficámos num quarto, com o Mateus, e os outros três ficaram sempre noutro quarto. Nessa noite, porém, a tosse da Mada era tão forte e imparável que decidimos fazer uma troca: o Manel veio dormir comigo e o Ricardo foi dormir com a Mada, para ir vendo se ela estava bem. Não estava. Ouvi-a do meu quarto e não preguei olho a noite inteira. Passei o tempo inteiro a trocar mensagens com o Ricardo, tipo "coitadinha... vamos ao hospital?" ou "já a levaste até à janela, bem agasalhada, para apanhar ar?". Às seis da manhã trocámos. Ele veio e eu fui. A Madalena acabou por capitular por volta das 7h da manhã e, às 8h, o Mateus acordou (ouvi-o no quarto ao lado). Fomos tomar o pequeno-almoço à vez, para deixar a Mada mais um bocado. Foi mesmo uma noite horrível. Felizmente, Ponte de Lima estava mesmo ali ao lado para nos apaziguar com o seu encantamento.

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Entrámos por acaso numa lojinha que se chamava Mercearia da Vila e foi uma sorte. Bebemos café, comemos duas fatias de bolo (qual delas a melhor) e fiquei a saber que a Mercearia da Vila está na mesma família desde 1906, que começou por ser só mercearia e agora é também um alojamento, e fiquei com pena de não pernoitar por lá (mas já está na nossa lista e para a próxima não escapa!).

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Estávamos nós a sair da Mercearia quando fomos abordados por um casal conhecido. Há uns anos fui contactada por um marido que queria surpreender a mulher no seu aniversário. Como estavam no Algarve e eu também, ele pediu-me se eu não aparecia no restaurante para lhe cantar os parabéns, porque ela gostava muito de me ler. E assim foi. Nessa noite, eu e os meus filhos cantámos-lhe os parabéns e, desde então, de vez em quando mantemos contacto. Quando os vi dei um salto porque já não me lembrava que eram ali de cima. Fiquei a saber que me tinham enviado uma mensagem, com um convite generoso, que eu não vi porque sou uma despistadada do pior! Mas foi muito bom encontrar aquele casal tão simpático. Beijinhos, Pi e Zé.

E a ponte? E o rio Lima? E aquela vista, de um lado para o outro? Sublime.

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2017 na retrete (rima mas é um frete)

Uma das minhas resoluções de Ano Novo foi muito simples e prosaica, apesar de conter em si mesma um grau de dificuldade que nem todos poderão compreender. Trata-se de... beber mais água. 

Acontece que sou pessoa tipo camelo. Isso, podem aproveitar: Cocó confessa que é uma camela. Nem mais.

A verdade é que podem passar-se dias sem que me lembre de beber água. Posso até correr 10 km ou mais sem sentir sede. Acho que até podia correr uma maratona (se fosse no Inverno) sem beber água. Provavelmente falecia mas a questão é mesmo a de não sentir necessidade. Tenho de me forçar para beber água porque, se não pensar no assunto, nem sequer me lembro. Ora... a água é essencial, como todos sabemos. É verdade que está presente em muitos alimentos mas beber água é mesmo importante para tudo e mais alguma coisa e eu não o faço. 

Posto isto, dizer que a minha primeira resolução de Ano Novo está a confinar-me a um habitáculo pequeno e forrado a azulejos. De 5 em 5 minutos é ver-me correr para a retrete mais próxima, o que é chato, limitativo e enervante. 

Vamos ver por quanto tempo consigo aguentar esta resolução tão... líquida.

 

Viagens na nossa terra - Minho #2

O hotel onde calhou dormirmos, perto de Vila Nova de Cerveira, era muito bonito (Hotel do Minho). Foi o único em que tive pena de dormir apenas uma noite. De resto, sobre isto de dormir uma noite em cada hotel, dizer que aprendi uma lição: nunca mais misturo as nossas coisas nas malas. Para a próxima vez que andarmos neste esquema nómada, cada um de nós terá a sua malinha, com as suas coisas. É que andar de rabo para o ar todas as manhãs à procura das roupas de 6 pessoas é coisa para esfrangalhar os nervos a um viajante.

De sublinhar a simpatia da funcionária Ana Luísa Carlos, que fez questão de ir fazer uma fornada de croissants só porque a Madalena se lastimou por já não haver nenhum. Chegámos ao pequeno-almoço mesmo à hora do fim, eu insisti com a Mada que comesse outra coisa, mas a empregada ouviu e ofereceu-se logo para resolver a questão. Adoro encontrar pessoas que fazem a diferença, que se vê mesmo que estão ali com gosto e não com má vontade. Um bom ano para a Ana Luísa!

Ah, não há cá publicidades subliminares ou o que quer que seja que alguns gostam logo de inventar. Nesta viagem não houve parcerias de qualquer espécie. 

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Depois do pequeno-almoço...seguimos para Valença. 

Valença é tão querida, também. As ruelas dentro das muralhas, a vista soberba para o rio Minho e Espanha mesmo ali do outro lado. Andámos muito pelas ruazinhas, tudo muito arranjadinho e limpo, muito bem conservado, conseguimos escapar ao comboiozinho que circulava e que fazia o Mateus gritar "Béuuuuuu!", "Béuuuuuuuu", e fizemos algumas compras.

 

Viagens na nossa terra - Minho #1

Queríamos que a última semana do ano fosse passada em família. Pensámos ir para fora mas, por outro lado, temos um país lindíssimo para lhes mostrar e nunca o pomos em primeiro lugar. Já fomos com eles para Paris, para Londres, Marrocos, México, Brasil... então e Portugal? Ok, já fomos muitas vezes ao Alentejo, já fomos à Madeira, a São Miguel, nos Açores. No Verão vamos sempre para o Algarve (e não dispensamos as férias nas nossas praias de sempre) mas por tudo isto fazia todo o sentido aproveitar esta semana para os levar até ao norte. Queremos muito ir ao Douro mas desta vez rumámos ao Minho.

Olhámos para o mapa, definimos alguns pontos que queríamos conhecer ou onde queríamos voltar, mas não marcámos hotéis. Tudo estava em aberto. E lá fomos. Parámos para almoçar no Porto e decidimos dormir em Viana do Castelo.

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Lembrava-me que já tinha entrevistado uma pessoa de Viana do Castelo, que tinha aproveitado o desemprego para criar o seu próprio negócio, a loja Conto de Fadas. Procurei a morada no Google e apareci de surpresa na loja, para grande espanto da Ana Sá. Foi ela que me disse que não podia perder as Bolas de Berlim da pastelaria Natário, mesmo na porta ao lado. Nem pensámos duas vezes. A fila era grande e desmotivava um bocadinho, mas por outro lado fazia antever coisa boa. E se eram boas, senhores!!!!! Sem dúvida as melhores Bolas de Berlim que já comi na vida. 

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A seguir, estava a pensar contactar a Filipa, da Amour d'Été, também de Viana do Castelo, mas não foi preciso. De repente uma pessoa abordou-nos, muito simpática, e percebi que era nem mais nem menos do que a Filipa. 😊 Foi ela quem nos falou de uma Pizzaria muito boa onde irmos com os miúdos (Pizzaria Dolce Viana). Confesso que não me apetecia nada pizza mas estava um frio de rachar e a Pizzaria estava mesmo ali pertinho. Estava tão cheia que só comi uma sopa mas os miúdos elogiaram as pizzas. E estava muuuuito quentinho lá dentro.

Viana do Castelo é muito bonita, a praça principal e as ruazinhas são encantadoras.

No dia seguinte, fomos no Elevador de Santa Luzia até ao Santuário de Santa Luzia. A viagem neste funicular é a mais longa de todos os funiculares do país. Tem 650 metros, ou seja, mais do dobro da distância do da Nazaré (com 310 metros). Em termos de comparação lisboeta, dizer que o da Bica tem 283 metros, o da Glória 276 metros, e do Lavra 188 metros.

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Seguimos viagem para Caminha, onde almoçámos, na Tasca do Chico. A posta Barrosã era qualquer coisa de divinal mas o almoço não correu muito bem. Zanguei-me com os miúdos, que estavam a discutir há horas, um a chamar nomes ao outro, a outra a chorar porque o outro lhe disse não sei o quê. Ainda ponderei acabar logo ali com a viagem, tal foi o desaguisado. As viagens de carro podem ser muito giras mas também podem dar nisto. Crianças muitas horas fechadas num espaço fechado potenciam conflitos. Acabámos por encontrar hotel em Vila Nova de Cerveira, eu fiquei um tempinho sozinha e tentar recompor-me, o Ricardo levou-os a desopilar (jogaram à bola num campo para libertarem tensões) e à noite já estava tudo na paz do Senhor. De resto, acho que este momento acabou por ser bom, para a rapaziada acalmar. 

Vila Nova de Cerveira é linda de morrer. Um verdadeiro presépio em tamanho real. As ruas todas decoradas, as passadeiras encarnadas, os motivos natalícios por todo o lado. Um amor. Não tenho fotos porque ainda estava em modo pós-crise e ainda não estava virada para captar momentos. 😅

Depois de procurarmos um pouco, encontrámos um restaurante que estava muito bem cotado nos sites de restauração: La Scarpetta. E digo-vos uma coisa... que maravilha! Sem dúvida a não perder.

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Estava muito frio, passeámos um bocadinho ainda nas ruas desertas e depois fomos para o hotel porque no dia seguinte esperavam-nos mais quilómetros.

Página em branco

Não vos vou cansar com o balanço de 2016, até porque ninguém está verdadeiramente interessado nesse desfiar de acontecimentos da vida alheia. Posso apenas dizer que foi um ano muito bom em alguns aspectos (se este for igual já é incrível) mas com momentos bastante ruins, sobretudo nos últimos 2 meses. Mudar de ano não altera grande coisa, infelizmente os problemas não se somem simplesmente porque se começou um novo calendário, mas é sempre bom imaginar que sim, que um ano novinho em folha é uma espécie de livro em branco onde podemos escrever textos perfeitos, com a letra direitinha e sem rasuras, pelo menos nos primeiros meses (ou dias, vá). 

Vamos lá então ver como 2017 se porta. 

Feliz ano novo, pessoas!

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