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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Um templo de hambúrgueres

No dia dos anos da Inês, uma das The Woffices, fomos as quatro almoçar ao The B Temple, a convite do responsável, Zahari Markov. Fica mesmo pertinho do nosso escritório e, quando ainda estava em obras e não fazíamos ideia do que ia ser, já imaginávamos que se pudesse tornar na nossa cantina. O que não sonhávamos é que era um templo de hambúgueres absolutamente divinais. Já provámos muito hambúguer nesta vida. Aliás, o que não falta em Lisboa são restaurantes onde é só mesmo isso que se come. Por isso, digamos que temos todas uma espécie de master degree nessa área. Estamos por isso muito à vontade para dizer que se estes não são os melhores de todo o sempre... estão lá muito, muito perto. 

Ali só se serve carne Black Angus e Zahari Markov diz que também fez questão de experimentar muito hambúrguer gourmet para poder fazer o melhor de todos. Acho que conseguiu.

No menu temos então o Noviço, com queijo cheddar, o Benoito, com cebola roxa, alface e pickles, o Grown, com cebola caramelizada em vinho do Porto, queijo, agrião e tomate, o Gluttony, com courgette, tomate, cogumelos, queijo e rúcula, e o Pecado, com cebola caramelizada, bacon, cogumelos, queijo e ovo estrelado. O The Virgin é a opção vegan, e tem grão, courgette, cebola, cogumelos e pimentos. Também há pregos em bolo do caco.

E o que dizer da sobremesa? Não me lembro do nome mas é um bolo de chocolate do demónio, que eles servem à fatia mas que, como era o aniversário da Inês, trouxeram inteiro com velas (obrigadaaaaa!). Eu, que nem sou assim fanática por doces, fiquei maluca com aquele bolo.

Honestamente? Não sei se estamos assim muito contentes com a abertura deste restaurante mesmo colado a nós... Resistir-lhe vai ser difícil.

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The B Temple: Rua Serpa Pinto, nº 10 C

 

 

Inspira, expira...

Não é nada de grave, claro que não.

Daqui a uns dias está tudo na mesma, melhor do que antes.

Sim, senhor.

Mas estive com a casa em obras durante mais de um mês e agora estava há quase um mês com tudo no sítio.

Só que as obras voltaram. As obras do prédio estenderam-se para dentro de casa dos condóminos, para arranjar os estragos feitos pelas falhas estruturais do prédio. Havia tábuas do chão da sala que estavam podres e que foram substituídas, o que significa que vão ter de afagar o chão todo. Ou seja, tivemos de retirar tudo da sala. Tudo. Sofás, mesa, cadeiras, livros das estantes (outra vez), estantes, quadros, candeeiros, abat-jours, televisão.

Ontem à noite fizemos a remoção, todos juntos. Pais e filhos a retirar tudo, com música a tocar. Parecia divertido, se não fosse inacreditável e se não me doesse tudo, de mais um treino demoníaco do CocoFit (Pedro Almeida, obrigada por me dares cabo dos glúteos).

Hoje de manhã, entraram 5 ou 6 homens pela casa dentro, começaram a colar plásticos à volta das aberturas da sala e das portas, a tapar tudo o que estava no corredor com mantas e mais plásticos e senti-me como o miúdo do E.T. quando chegam os cientistas para o levar e ao "bicho", isolando tudo. 

Inspira. Expira. São só obras. Já vai passar. E vai ficar espectacular (dizer isto em repeat, durante os próximos dias).

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Paimão e irfilho ❤

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Não há palavras que descrevam o amor destes dois. Tal como não há palavras que revelem a alegria que sinto ao vê-los assim, neste namoro. Se não fosse por mais nada (e é por tanto mais), só por isto já estaria explicada a razão pela qual gosto tanto de ter filhos. Mas, tal como disse, é por tudo isto e por tanto mais. 

Conta-me #2

Veste um pullover verde já muito coçado, borbotos naquele lugar do torso onde os braços roçam, uma ou outra nódoa antiga, camisa de quadradinhos por debaixo, calças de bombazina castanhas, sapatos de sola gasta comprados no Paraíso do Calçado, estabelecimento comercial onde já o pai comprava sapatos, junto à estação. Ernesto Augusto Pacheco, quando não veste assim, veste muito parecido a assim. Pullover azul já muito coçado, borbotos naquele lugar do torso onde os braços roçam, uma ou outra nódoa antiga, camisa de riscas por debaixo, calças de bombazina bordeaux, sapatos de sola gasta comprados no Paraíso do Calçado, estabelecimento comercial onde já o pai comprava sapatos, junto à estação. Mais coisa menos coisa, é isto. No armário, castanho e bordeaux. Nas gavetas da cómoda, verde e azul. 

Mas não é apenas no vestir que Ernesto Augusto Pacheco é reincidente e enfadonho. Ernesto Augusto Pacheco, revisor de profissão, é homem que aprecia a ordem e toda a gente sabe que a ordem é prima direita da repetição. Assim, no que toca às refeições, por exemplo, Ernesto Augusto Pacheco segue os análogos rituais há cerca de vários anos, procedimento que lhe confere segurança gástrica e alegria intestinal. O mesmo com os gestos, copiados todos os dias, os pés a saírem da cama enfiados nos chinelos de xadrês, primeiro o direito, depois o esquerdo; o roupão verde vestido de seguida, primeiro a manga direita, a seguir a esquerda; o escanhoar da barba a ecoar um som peculiarmente familiar, de baixo para cima, face direita primeiro, face esquerda depois; e por aí fora, numa mimese que outros suporíam impossível mas que para Ernesto Augusto Pacheco representava o prazer supremo da vida. Dia após dia após dia isto, sem tirar nem pôr, porque quer o tirar quer o pôr dar-lhe-iam cabo dos nervos.

Ernesto Augusto Pacheco vive sozinho desde que saiu de casa dos pais, aos 17 anos, tendo feito há pouco 52. Nunca se lhe conheceu mulher, namorada, namorado ou animal de estimação. Ao fim-de-semana, se tiver a sorte de não precisar de sair para comprar algum artigo de primeira necessidade, permanece mudo e quedo todo o sábado e todo o domingo, de tal forma mudo e quedo que, à segunda, quando volta a comunicar com outros seres humanos chega a sobressaltar-se com o som da sua própria voz.

E, em bom rigor, Ernesto Augusto Pacheco não precisa muito de comunicar com outros seres humanos. O seu trabalho é ler páginas e páginas e páginas de livros e livros e livros. Ou melhor, páginas e páginas e páginas de textos que virão a ser livros, depois de revistos por si e de impressos pela gráfica. Passa por isso dias e dias e dias a ler palavras e frases à cata de erros de ortografia ou de sintaxe, a examinar gralhas, espiolhando parágrafos em busca de uma vírgula a mais ou a menos, e rosnando impropérios ao encontrar uma calinada qualquer, malditos-pretensos-escritores-que-nada-sabem-da-língua-e-julgam-que é-só-meia-dúzia-de-patacoadas-e-cá-vai-livro-palavra-de-honra.

Um dia, que seguia igualzinho ao anterior e que por essa simples razão era já um dia suficientemente bom na vida de Ernesto Augusto Pacheco, calhou escutar uma conversa entre o Azevedo e a Lídia, que não haviam dado pela sua chegada (sinal inequívoco da falta de atenção de ambos à vida, uma vez que o colega chegava sempre à mesmíssima hora). Comentavam então os dois metediços a inexistência de uma mulher na vida do revisor, conjecturando sobre se isso faria dele homossexual ou tarado, quem sabe pedófilo ou desses que se sentem atraídos por animais. E dito isto riam, imaginavam coisas e riam alarvemente, com lágrimas e tudo. Não podia acreditar. Ernesto Augusto Pacheco sentiu um rubor subir-lhe às bochechas, o coração disparar, um suor frio percorrer-lhe as têmporas. Não sabia se o mal-estar era provocado pelas enormidades que acabara de escutar sobre si mesmo ou se pela contrariedade que sentia por aquele episódio lhe modificar o rumo do dia. Saiu da sala sem que dessem por ele, foi à casa de banho refrescar a cara e retomar o fôlego, e voltou procurando cumprimentá-los com o mesmo bom dia de sempre, com a entoação costumeira, e o facias usual, para que não lhe notassem qualquer diferença nos actos, nos gestos, no modo. Por dentro, porém, Ernesto Augusto Pacheco fervia. Mal conseguiu trabalhar, tal era a agitação que lhe ia dentro. Só pensava em formas de lhes provar o quão enganados estavam, em como ele era homem como o suposto, mais homem que o Azevedo, mais homem que o marido da Lídia, mais homem do que qualquer homem que aqueles dois já tivessem conhecido.

E foi assim que a vida de Ernesto Augusto Pacheco mudou. Passou os dias seguintes a criar uma conta de facebook - algo de que evidentemente não dispunha até então -, a convidar os colegas para serem seus amigos, a procurar na internet uma fotografia de uma mulher de beleza unânime, loira, voluptuosa, de lábios carnudos e olhar verde, e a criar-lhe também a ela uma conta de facebook. Uma noite, fez magia entre os dois. O seu facebook revelava que ele e a loira que baptizou de Laura estavam "numa relação". Sorriu de uma felicidade que não se lembrava de alguma vez ter vivido. Sentiu um frémito ao imaginar-se com aquela mulher de expressão lúbrica, e percebeu que o seu desejo talvez não estivesse morto, talvez apenas adormecido. Dedicou-se a fazer posts e respectivos comentários. Fotografias de um jantar a dois. Dois copos, dois pratos, uma flor. "Um jantar inesquecícel", escrevia Ernesto Augusto Pacheco. E ela, Laura, comentava "Sem dúvida, meu amor". Quando terminava de escrever o comentário da amada, o revisor sorria um sorriso sardónico e experimentava uma felicidade que o completava. Parecia que lhe explodia o peito. Proliferavam os corações, os "meu amor", os "adoro-te", as piscadelas de olho cúmplices. Ernesto Augusto Pacheco era, por fim, um homem aos olhos dos colegas, ainda incrédulos com o tamanho das novidades. Ernesto Augusto Pacheco era, por fim, um homem aos seus próprios olhos.

Sentia-se melhor do que nunca. Aquela relação fazia-lhe bem. Mudava-lhe o curso dos dias, o que se presumiria trágico mas se revelava, afinal, uma descoberta maravilhosa. Começou por sair da cama sem calçar os chinelos, sem vestir o roupão, sem passar a lâmina pela barba. Esquecia-se de preparar o galão onde devia mergulhar a carcaça com manteiga, como sempre. Entrava no serviço a sorrir ou a assobiar, conversava com as pessoas, deixava passar gralhas, uma ou outra vírgula, nunca os erros ortográficos, que até para o devaneio há limites. Comprou roupa nova, já não vestia o pullover verde já muito coçado, borbotos naquele lugar do torso onde os braços roçam, uma ou outra nódoa antiga, camisa de quadradinhos por debaixo, calças de bombazina castanhas, sapatos de sola gasta comprados no Paraíso do Calçado, estabelecimento comercial onde já o pai comprava sapatos, junto à estação. 

Ernesto Augusto Pacheco estava apaixonado. Laura era a mulher da sua vida, com os mesmos gostos pela leitura, os mesmos autores preferidos, a mesma forma correcta de escrever. Os dias eram tão diferentes agora. Tão alegres, tão cheios de surpresas e possibilidades. Já não se sentia sozinho, na profunda solidão da sua vida. E era um homem. Muito mais do que alguma vez havia sido.

Sónia Morais Santos

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 "Conta-me" é, como o nome indica (e não mente) uma rubrica de contos 

LuMee: selfies mal iluminadas, nunca mais!

A Pop The Bubble enviou-me um presente que é assim para cima de espectacular!

Chama-se LuMee e consiste em quê? É uma capa para o telemóvel com um botão que, uma vez pressionado, acende umas luzes laterais fortes que permitem fazer selfies à noite com uma iluminação perfeita. Sabem quando vão jantar fora, a dois, e querem fazer a típica foto juntinhos e fica uma treta porque está escuro como breu e na imagem só se vê - e mal - o branco dos vossos dentes? Ou quando vão sair com amigas e se juntam todas contentes para o mesmo efeito só que só aparecem as vossas sombras? Pois bem... acabou-se! Com a LuMee, não haverá mais selfies mal iluminadas, ainda que estejam num beco mais escuro que a vida de Donald Trump. 

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Carinhas ridículas, duck face, tudo o que se quiser mas... com iluminação! 

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Podem ver mais AQUI.

Obrigada, Pop The Bubble!

 

Uma nova geração de fraldas*

No fim-de-semana passado (não este, o anterior) fui ao Continente de Oeiras a convite da Dodot falar de uma nova geração de fraldas, em muito diferente das outras. O convite pareceu-me certeiro, ou não fosse este blogue o Cocó na... Fralda. Além da questão do nome, há outra. É que quatro filhos depois e já devo ter trocado umas 30 mil fraldas ou mais, já para não falar das que troquei à minha irmã e a outras crianças da família. Sou uma verdadeira mestre nisto.

Ora, não diabolizando as outras fraldas - porque as há boas no mercado - o que eu acho é que esta nova tecnologia Dodot bate tudo o que já se inventou. De resto, a marca não para de se reinventar, se estudar, de evoluir, que é algo que devemos apreciar. Podiam sentar-se à sombra da bananeira, ah que já temos aqui uma marca valente e boa, vamos dedicar-nos em exclusivo a recolher os lucros, mas não. Continuam empenhados em fazer a próxima fralda ainda melhor do que a anterior e conseguem sempre supreender. São líderes e os outros andam sempre a reboque, imitando as inovações que eles trazem. Sinceramente, depois desta nova tecnologia não estou a ver o que podem inventar mais. Só se conseguirem um sistema que consiga vaporizar os xixis e os cocós, fazendo-os desaparecer para todo o sempre, o que era incrível mas - imagino - tremendamente difícil. 

Bom, o que é que estas fraldas têm afinal? Têm três tubos no seu interior, ultra-absorventes, que fazem com que a humidade seja distribuída uniformemente. E o que é que isto permite? Simples. Em vez de o xixi ficar todo acumulado a meio, fazendo aquele efeito "abelhinha" da fralda, ele espalha-se de modo igual pelos tubos, mantendo o rabinho do bebé mais seco e evitando que a fralda inche. 

Porque é que isto é tão bom? Por várias razões:

1 - Experimentem imaginar-se a fazerem a vossa vida com um enchumaço no meio das pernas. Não é agradável.

2 - Com a fralda descaída, abrem-se folgas nos elásticos laterais, de onde escapam xixis nocturnos que os ensopam até à alma. Trocar de pijama a meio da noite é chato, sobretudo quando eles, cheios de sono e birra, começam aos pontapés.

3 - Com a fralda descaída e as folgas laterais acima descritas, há espaço para enfiar uma mãozinha. E todos sabemos como as nossas adoráveis crianças adoram uma plasticina... o resto deixo à vossa imaginação. 😬🙈😂

4 - Os tubos ultra-absorventes permitem que, mesmo com muito xixi, a criança esteja seca.

5 - Com a fralda bem ajustada ao rabinho, eles brincam, dormem ou fazem a sua vidinha sem nos dar (tanto) cabo da cabeça, o que é francamente positivo.

 

A nova geração de fraldas chega numa altura em que há também uma nova geração de pais, mais exigentes, também eles mais atentos à tecnologia, e que conseguem com muita facilidade aperceber-se destes benefícios - que são mesmo evidentes. Estes pais, por serem mais atentos e envolvidos com os filhos, também trocam frequentemente as fraldas aos seus bebés, ou seja, ninguém sugere que deixem os miúdos com a mesma fralda todo o santo dia só para verem se a fralda nova incha ou não incha. Mas que vão notar a diferença... eu acho mesmo que vão. 

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*post escrito em parceria com Dodot