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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Passatempo Del: os resultados!

Custou... mas foi!

Eis as duas vencedoras do passatempo que pedia um novo nome para o centro de estética da Del:

Cláudia Guedes e Débora Duarte! A primeira ganha 100 euros em tratamentos, a segunda ganha 50€ em tratamentos. 

Não vou revelar os nomes que ambas sugeriram porque, se o fizer, estrago a surpresa que a Del quer fazer: a renovação da imagem da sua casa, com a ajuda das concorrentes do passatempo. A nova imagem provavelmente só será lançada em Janeiro, aquando do aniversário da loja.

 

Adeus, Diário de Notícias

Ontem fui ao Diário de Notícias despedir-me. Foi a segunda vez que me despedi daquele edifício no Marquês de Pombal. A primeira custou bastante menos do que a de ontem. Foi em 2007 e o motivo que me levou a voltar as costas ao jornal onde nasci e cresci como jornalista foi o convite para ingressar na equipa fundadora da revista Time Out Lisboa. Estava animada, queria muito mudar de ares, sentia que o que lá vinha não ia ser bom para mim se continuasse naquelas paragens. Acho que foi uma excelente decisão, ainda que não me tenha aguentado assim tanto tempo na Time Out, de onde saí em 2009 para me tornar freelancer (outra excelente decisão).

Dessa vez, a despedida custou pouco não só por estar cheia de planos como porque sabia que o DN continuava ali, naquele edifício que conhecia tão bem, onde estavam vários amigos e onde poderia voltar, em visita, se acaso me batessem as saudades. E voltei algumas vezes, em trabalho, enquanto colaboradora. Mas mesmo que não voltasse, sabia que estava ali. Não há vez que passe no Marquês sem que olhe para o edifício, Prémio Valmor, e não me lembre do tanto que lá vivi. Há um carinho imenso pelo Diário de Notícias que nunca me abandonou e, com ele, inclui-se - claro - o espaço onde tudo aconteceu: as aventuras do DNA, para onde fui pela mão do Pedro Rolo Duarte, as conversas, os desabafos, as aprendizagens, o Ricardo, que conheci entre os murais do Almada, os muitos amigos que ali fiz, as muitas reportagens, no DNA e depois na Sociedade e também na Notícias Magazine, as discussões, os plenários, as crises, os prémios, as alegrias e as tristezas. 

Ontem, porém, despedi-me do edifício sabendo que, mesmo que me batam as saudades, não poderei lá voltar. Porque o DN está a mudar de poiso, para as Torres de Lisboa, e agora, quando olhar para aquele prédio, ele já não será o meu Diário de Notícias, será outra coisa qualquer. As memórias, aquilo que lá vivi, ninguém mas tira, é certo. Mas o desmantelamento do jornal tem qualquer coisa de desmantelamento de uma parte de mim. Uma parte muito importante de mim.

Eu sei que os jornais já não são como antes, que o Diário de Notícias já não vende o que vendia, que foram despedidas muitas pessoas, que aquela redacção enorme já não faz muito sentido, que as dívidas têm de ser pagas e o prédio, vendido, é um valor importante que entra em caixa (ou sai para pagar dívidas). Eu sei tudo isso. Racionalmente, faz sentido. Mas emocionalmente não. 

Ontem fui ter com a Maria João e tive de respirar fundo quando chegámos ao segundo andar, antes de entrarmos na redacção. Tinha-lhe dito que ia fazer um esforço para me controlar, para não fazer figuras tristes. Ela repetiu um "é só uma casa" como se fosse um mantra do qual se quisesse convencer, mais do que convencer-me a mim. Entrámos na redacção e senti um nó na garganta. Caixas, mesas vazias, cadeiras desertas, mais caixas, pessoas a empacotar. Estava a tentar controlar a situação quando, lá do fundo, veio a Paula, a Graça, a Ana Mafalda. A Paula perguntou se me vinha despedir e abraçou-me. Foi quanto bastou. 

Custa-me muito saber que, no final da semana, vai estar tudo vazio. O prédio feito fantasma, quando antes albergou tanta vida, tanta história, tanto frenesim. O silêncio no lugar do alarde das vozes, das teclas dos computadores, dos toques dos telefones, do stress que, além de poder ser escutado, quase podia ser palpado, de tão denso que por vezes se tornava. O nada quando antes havia ali tudo.

As memórias ficam, são nossas, ninguém as encaixota e leva para longe. Isso é verdade. No meu caso, 11 anos de memórias. Mas vai custar muito passar pelo Marquês e saber que ali já não mora o Diário de Notícias.

 

(obrigada, Maria João, por ESTE texto lindo)

(boa sorte a todos os que continuam no DN, nesta nova morada para onde vão)

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