Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

18 de Outubro (faz hoje 1 ano)

Faz hoje 1 ano que fiz a minha primeira (e única) maratona. 

Foi um dia tão emocionante que só quem já passou por isso pode perceber.

Vim de Cascais até ao Parque das Nações sempre a correr, sem parar por um segundo sequer, e isso é algo que ainda hoje me deixa inundada de espanto. De Cascais ao Parque das Nações, catano!

Nunca tinha feito nada que durasse tanto tempo, sem interrupções. Estive 4 horas e 18 minutos a correr. Só a correr. Nem mesmo quando escrevi o meu último livro, que foi das coisas que mais trabalho me deu, nem mesmo aí fiquei 4 horas seguidas sem intervalar para fazer outra coisa qualquer. Mesmo quando estou a trabalhar intensamente, há sempre um telefone que toca, um email que chega, uma conversa que se interpõe, um café.

No final, senti uma emoção para a qual ainda não tenho palavras. Chorei como uma criança abraçada aos meus queridos Vasco Brinca e Pedro Almeida, que meteram na cabeça que eu ia conseguir fazer 4 horas e pouco. O Vasco foi o tempo todo a cortar-me o vento, a ir buscar-me água nos abastecimentos, a mandar-me fazer as curvas por dentro, a dar-me gel sem cafeína, depois com cafeína, e magnésio, e a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para me evitar quebras que estragassem o seu prognóstico.

Hoje é um dia que recordarei para sempre, mesmo que consiga (como espero) fazer outras maratonas. Porque a primeira vez é sempre especial. E no meu caso foi mesmo muito.

18920243_Rty3b.jpg

 

 

Just another day

Levei a Madalena à ginástica acrobática. Ao contrário dos outros dias, em que a levo de mota para ser mais rápido em hora de ponta, tive de ir de carro para levar o Mateus. Os irmãos foram ao Sporting de metro e a D. Emília tinha de sair, pelo que tive de o levar connosco. Estive com ele no parque, enquanto ela esteve na aula. Vimos um lago com peixinhos e tartarugas. Ele subiu e desceu no escorrega, "outra vez", e lá ia e lá vinha, "outra vez", e mais uma e de novo, "outra vez". A aula terminou - felizmente para os meus pés torturados nuns saltos bem altos - e fomos para casa. Antes ainda passámos na mercearia para comprar fruta e algumas coisas que faziam falta para o jantar. Quando chegámos a casa, livrei-me dos saltos, revirei os olhos de prazer ao sentir a planta dos pés encostada ao chão frio da cozinha. Mandei a Madalena tomar banho e aqueci a sopa para ir despachando o Mateus. Dei-lhe a sopa. Ao mesmo tempo, pus-me a fazer o jantar da Mada (e dos rapazes, se não comerem uma bifana pelo estádio). Depois de dar a sopa ao Mateus, numa outra parte da cozinha, comecei a fazer a salada de fruta que ela me pediu para ter para pequeno-almoço. Sim, os pequenos-almoços cá de casa estão a mudar. O pão em vez dos cereais. Mas às vezes torcem o nariz ao pão (coisa que jamais compreenderei, eu que adoro pão) e então estamos em busca de outras alternativas saudáveis (iogurte com granola caseira, frutas variadas). Acabei o jantar, ela chamou-me para lhe levar a toalha. Servi-os de peixe, comi um gaspacho. O Mateus comeu tudo sozinho e nós aplaudimos. Depois ele ainda comeu meia banana e ela uma ameixa. Lavei a loiça. Acabei a salada de fruta. Fui dar um banho rápido ao Mateus. Vesti-lhe o pijama. Deitámo-nos todos na cama, li a história. Deitei-os. Amanhã há mais.

Mada ligada à corrente

Ontem a Mada chegou a casa e parecia que tinha andado a cheirar produtos ilícitos. Sentou-se diligentemente a fazer os trabalhos, que despachou mal o diabo esfregou um olho, a seguir inventou mais dois trabalhos para fazer, depois sentou-se ao piano, com os auscultadores, e largou a tocar todas as músicas que já aprendeu. Só percebi quando, da cozinha onde estava a fazer o jantar, estranhei o seu silêncio. Quando espreitei, ela afastou um dos auscultadores para me dizer, com os olhos muito abertos, que estava a percorrer todo o livro. "Boa!" E lá continuou.

Daí a bocado, comecei a ouvir uns estrondos. Repetidos. Fui ver. Estava a Madalena posta de cabeça para baixo. A fazer pinos. Uns atrás dos outros. "Estou a treinar os pinos que aprendi na ginástica acrobática. Estou cada vez melhor, não achas?"

Ao jantar, falou sem parar e com o volume acima do costume. 

O pai virou-se para mim e, entredentes, perguntou:

- O que é que esta tem hoje?

Encolhi os ombros.

Os irmãos pediram-lhe que se calasse, por amor de Deus.

Ela ignorou.

 

Hoje acordou e pensei que estivesse mais calma.

Não. 

Foi na mecha à minha frente, a caminho da escola, sempre a olhar para o relógio e a dizer "Já são 8 e 53; já são 8 e 54; já são 8 e 55; já são 8 e..." Passei-me: "Ó rapariga, cala-te!!!!!" Não se comoveu. O irmão de rojo, a ver se lhe acompanhávamos a passada, e ela sempre à frente, qual coelho branco da Alice, "estou atrasada, estou atrasada".

 

Sempre fui do tipo eléctrico mas não sei se tenho pedalada para esta miúda, sinceramente. 

 

Martim no seu melhor

A estudar história com o Martim, explicava-lhe o que era um rei absoluto. 

"Para ele, só Deus era superior. Era um rei que se achava mais importante do que qualquer outra pessoa."

Ele fez uma pausa, acenou com a cabeça e disse:

- Tipo o Manel.

🙄​