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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Vencedor do passatempo Electrolux

Depois de ler centenas de participações, fiz uma pré-selecção de uns 20 preferidos, dos quais a Electrolux escolheu o vencedor. É o Jorge Coelho. Parabéns!!!!

Eis o que escreveu:

 

No meu tempo livre o que mais gosto de fazer é:

Viajar pelo pais em velocidade de centrifugação (mas sempre em classe de eficiência energética A+++, para não comprometer resultados).

Adoro estar com a minha família e ter o máximo TimeCare com as minhas filhas. Ter sempre em atenção o TimeManager, para gerenciar todo o tempo da forma mais proveitosa, com ciclos sempre novos e inovadores.

Em AutoSense, o nosso sistema é ter a liberdade para brincar, animar, sorrir, jogar, criar diversões únicas, onde o tempo de convívio é para nós, o mais importante. Ajustamos tudo automaticamente ao tempo (para sermos originais e para não serem necessários grandes consumos.)

No final destes dias, divertimo-nos sempre ao: PowerJet. Como funciona? Com três mangueiras e em jatos de água de elevada pressão (mas em segurança para as crianças), projetamos toda a nossa energia nesta divertida brincadeira uns para os outros.

Molhados? Sim, ficamos um pouco... encharcados... mas a secagem é super rápida, eficiente e... com garantia!

Estes são os nossos programas para os nossos tempos livres...

 

Douradinhos e Pavilhão do Conhecimento: um dois-em-um que já ganhou*

Os Douradinhos estão para esta casa como os sapatos estão para (quase) todas as mulheres. Nem sempre tenho tempo para cozinhar coisas elaboradas (quase nunca, para ser mesmo verdadeira), nem sempre tenho paciência, e cá em casa tenho a enorme vantagem de todos gostarem mais de peixe do que de carne. Os douradinhos têm, além do mais, aquele plus apetitoso de serem crocantes, o que faz com que os miúdos os adorem. E os graúdos também, já agora. E como podem ser feitos no forno, em vez de fritos, são uma escolha que eles adoram. Sempre que digo que o jantar é douradinhos ouve-se sempre um "Yeaaaaaah" ao fundo. Não falha. Eu, por exemplo, gosto de jantar só uma sopa e de "roubar" um ou dois Douradinhos à travessa. Fico perfeitamente e aquela barrinha de peixe estaladiça é o complemento perfeito para o meu jantar, para não ser só sopa (porque às vezes basta mastigar para ficarmos mais saciados).

Ora bem, até ao final do ano, os Douradinhos da Iglo têm ainda mais um ponto a seu favor. Cada caixa oferece um bilhete para o Pavilhão do Conhecimento (ou outro dos 20 centros Ciência Viva), na compra de outro.

Como se não bastasse serem um dos pratos mais pedidos cá de casa, ainda nos vai levar a um dos nossos lugares preferidos. Parece-me lindamente. 

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*post escrito em parceria com a Iglo

Mada no seu melhor

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Caiu novo dente à Madalena.

Fiquei a ver se falava na fada dos dentes, porque já lhe tinha dito que a sua última aparição já tinha sido um bónus. Que a fada geralmente só vem quando cai o primeiro dente e que, no seu caso, abriu uma excepção pela insistência e fervor com que ela lhe tinha pedido (toda a história AQUI).

Fiquei a ver se me falava do assunto mas não falou. Ainda bem, pensei. Desistiu.

Redondo engano.

De manhã chegou à cozinha com o ar mais desapontado do mundo.

Não percebi de imediato.

- Bom dia! Então? Mal encarada, logo pela manhã?

- A fada não me trouxe nada - resmungou, mostrando-me o dente que tinha secretamente guardado debaixo da almofada.

- Mau... então mas não tínhamos já falado sobre esse assunto? A fada já te trouxe presentes duas vezes, quando era suposto só trazer uma! Não podes ser pedinchona e abusadora!

Encolheu os ombros e suspirou. 

Depois, começou a pensar. E quando ela pensa... está tudo lixado.

- Para que é que a fada quer os dentes, afinal?

- [Oh, nãoooooo!] Não sei. Talvez para dar a meninos que não têm... ou... para construir um palácio de dentes! 

- Um palácio de dentes?

[de facto... sinistro]

- Sim, sei lá!

- Mas isso é muito complicado, tantos dentes para fazer um palácio.

- [Já muito arrependida de ter aventado com tal hipótese] Bom, mas sabes que as fadas têm magia! Com magia fica mais fácil!

- Humpf! Magia? Se tivesse magia podia perfeitamente fazer aparecer um palácio sem precisar de andar em todas as camas à procura dos dentes, não achas? E também podia fazer aparecer dentes na boca dos meninos que não têm...

 

E pronto. É isto. Acho que daqui para a ausência de fé é um saltinho. Uma pessoa começa por questionar as fadas, segue-se o Pai Natal, vai por aí fora e depois acabou-se. Caraças. 

E se fosse consigo? - Homofobia

e se fosse consigo?.jpg

 

Na segunda-feira tivemos um amigo jantar cá em casa e não deu para ver o "E se fosse consigo?". Os miúdos lembraram-se logo de manhã, à noite voltaram a lembrar, mas dissemos que viam depois. Confesso que pensei que não voltassem a falar no assunto. E, afinal, ontem à noite começaram todos a pedir para ver e, apesar de já ser tarde, foram tantos os pedidos que lá cedemos. Impressionante como, de facto, se ligaram a este excelente programa. 

Foi de novo muito bom. Emocionei-me outra vez (emociono-me em todos os programas), quando aquele pai de um homossexual, de um meio rural, pediu a todos os pais que saiam do armário quando confrontados com uma notícia semelhante à que recebeu lá em casa. Um homem simples, muito provavelmente de um meio pequeno onde todos os preconceitos tendem a desaparecer mais devagar, e que disse de forma clara aquilo que todos os pais deviam fazer. Um homem tão grande.

Para não variar, os meus filhos ficaram colados ao ecrã. Fiquei mesmo feliz quando os senti indignados com a reacção de algumas pessoas, que diziam coisas como "aquilo é anti-natura" ou "são uma aberração", "não concordo", "deviam fazer essas coisas lá dentro de casa". E sorri com uma satisfação indisfarçável quando lhes vi o entusiasmo sempre que alguém intervinha de forma mais acesa para defender o casal de homossexuais. 

Há muitos momentos em que tenho dúvidas sobre o nosso papel de pais. Sobre se estamos a fazer isto ou aquilo bem ou mal. E depois há momentos como o de ontem, em que sei que há coisas que estamos definitivamente a fazer bem. 

 

 

Parabéns, mãe!

A minha mãe faz hoje 70 anos.

Não parece. Acho que ninguém diz que tem 70 anos.

A minha mãe é tradutora de alemão (traduz livros e revistas), toma conta do meu filho Mateus (como já tomou conta dos outros), leva a Madalena à escola e vai buscá-la, às vezes leva os outros ao ténis e ainda fica com os 4 para, de vez em quando, irmos nas nossas escapadinhas.

A minha mãe é uma mulher incrível.

Construiu muito sozinha.

Pagou toda a minha educação, que passou sempre por colégios e universidade privada. Pelo caminho, comprou duas casas, vendeu uma, comprou outra ainda melhor e não deve nada ao banco (além de ter a sua poupança). Sozinha, sem um companheiro a contribuir para o bolo. Viajou sozinha e acompanhada (uma das viagens que fez foi comigo, eu tinha 14 ou 15 anos e andámos 15 dias pela Europa, de carro). Foi sempre uma trabalhadora incansável (ainda hoje consigo ouvir o tac-tac-tac da máquina de escrever horas a fio).

Aturou-me nos piores momentos. E, acreditem, fui uma adolescente muito complicada. Muito.

A minha mãe não é perfeita, como ninguém é. Tem alguma dificuldade em demonstrar os sentimentos, bastante tendência para o conflito, uma imensa desconfiança, uma profunda hipocondria (que herdei, apesar de sair mais ao meu pai em quase tudo). É uma mulher com alguma dureza, ou seja, com ela ninguém faz farinha. Chamamos-lhe carinhosamente "general", posto de que não abdicou nem quando foi avó. Os netos, quando ficam com ela, sabem que não esticam a corda porque ela parte com muita facilidade. Não é bem uma corda. É um elástico fininho.

Nem sempre nos damos bem, um eufemismo para dizer que andamos muitas vezes às turras. Dizem os entendidos no alinhamento astral que isto de eu ser Escorpião e de ela ser Touro também não facilita. Mas gosto muito dela, tenho a maior das admirações por tudo o que fez e ainda faz, e uma imensa gratidão. Imensa.

Parabéns, mãe! Tenho para mim que vais ultrapassar os 100 anos, o que, para alguém que já se imaginou à beira de falecer 140 milhões de vezes (mesmo quando era só uma rinite alérgica) é do caraças.