Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Infant Swimming Resource: feito

O Mateus completou o curso de Infant Swimming Resource. Ou seja: se tiver o azar de cair à água sem nos darmos conta, já será capaz de boiar e de ficar assim até que alguém dê conta. Ok, se demorarmos uma hora é capaz de não aguentar mas também não estou a contar que nos esqueçamos dele nem 1 minuto, quanto mais uma hora. Esta é, de resto, uma daquelas ferramentas que espero nunca ter de utilizar mas que me tranquiliza que ele tenha.

Durante dois meses, o Mateus foi para a piscina todos os dias, durante 10 minutos. Foi intenso, houve dias em que chorou, houve outros em que gostou, mas nunca ficou "traumatizado", como agora se gosta de achar que as crianças sempre ficam, por tudo e por nada.

No último dia de curso, foi vestido para a aula. E calçado. Afinal, eles nem sempre caem à água de fato de banho. Basta haver uma casa com piscina (e a casa da avó materna tem, a dos avós paternos também, bem como a nossa casa de férias), um almoço animado, e é fácil haver uma distracção e cair um miúdo à água, vestido e calçado. Os acidentes são assim, não escolhem indumentária. Ele portou-se lindamente e mostrou que nem as calças de ganga, o casaco polar ou os ténis o atrapalharam na hora de boiar para salvar a vida. 

Quando são mais crescidos, viram-se ao contrário para tentarem aproximar-se o mais possível da borda da piscina, mas o Mateus não esteve para isso e ficou-se pelo boiar. 

Mais perto do verão havemos de fazer umas aulas de refrescamento, e talvez aí já esteja suficientemente crescido para dar a volta e abeirar-se da parede, voltando a boiar, se necessário.

Estes cursos vão existindo em diferentes piscinas. Ele fez no Externato João XXIII (no Parque das Nações), mas também há cursos na Quinta da Marinha Health Club (em Cascais) ou piscina do Infante de Sagres Health Club (em Belém). É uma questão de se ver onde dá mais jeito.

A Estela Florindo, que é a instrutora certificada pelo ISR americano, é um amor, tem muita paciência e sabe muito sobre o tempo que eles podem ficar em apneia, em perfeita segurança. Gostei muito de a conhecer e acho que aplica o método de forma absolutamente surpreendente - eu ainda nem acredito que o meu bebé consegue fazer aquilo.

 

No dia 22 de Março vai haver uma sessão de esclarecimento sobre o que é isto do Infant Swimming Resource no Porto, às 19h, no Clube Fluvial Portuense. Podem inscrever-se para retirar dúvidas pelo telefone 91 616 82 70 ou pelo email: e.florindo@infantswim.com

A ideia é dar-se início a um curso no Porto, com início a 13 de Junho, mas só se houver o número de inscritos suficiente, até porque a Estela vive em Lisboa e terá de se deslocar, com filhos e tudo, para o Porto durante o tempo do curso.

Quando me perguntam se vale a pena respondo sem hesitar: recomendo vivamente.

E não, não acho caro. 500 euros por dois meses, 5 aulas por semana, em que se ensina um bebé (criança) a sobreviver caso caia à água... é um valor que merece a pena. Claro que nem todos o poderão pagar, já se sabe, e tenho pena. Mas é, sem dúvida, um seguro de vida.

PORTO ISR.jpg

 

 

 

 

Troquei o fundo do mar pelo fundo do sono

O médico disse-me que a cirurgia ia ser com epidural e que podia assistir a tudo. "É muito giro! É como ver o fundo do mar!" 

Eu, que já assisti a cirurgias de coração, peito todo aberto, com direito a afastador de costelas e tudo, em reportagem, e até já assisti a tanatopraxias (preparação de cadáveres para os velórios), achei que podia ser fixe e preparei-me para isso. Odiei - como sempre - o momento em que enfiam o cateter na veia da mão (aquilo dói para caraças e geralmente as minhas veias começam a inchar e a deitar sangue por todo o lado - por acaso desta vez não aconteceu), também não apreciei a epidural (uma coisa é estarmos com uma barriga enorme, com contracções que nos fazem ir à lua e voltar, e cheios de vontade de conhecer o nosso bebé, outra coisa é irmos tirar parte de um menisco danificado, o que nos faz sentir a dor da picada de forma incomparavelmente mais intensa), mas gostei de ver o bloco operatório sem os olhos tolhidos pela dor das contracções e, por isso, de forma muito mais clara e atenta. Só que, de repente, quando me metem o pano verde diante dos olhos e se somem todos para o lado de lá e começam a falar de brocas (percebi mais tarde que não era sobre a minha cirurgia que falavam), e começam a pincelar-me a perna com Betadine e outros desinfectantes que tais... deu-me a travadinha. Comecei a ter um medo irracional e incontrolável. De sentir dor, de ouvir barulhos quase de carpintaria no meu joelho, de perceber as coisas e não querer percebê-las. Foi um medo tão grande que estive à beira de me largar a fugir, isto se as minhas pernas pesadíssimas e dormentes tivessem deixado. Em vez disso comecei numa ladainha "ai que medo, ai que medo, por favor ponham-me a dormir, ponham-me a dormir, ai que estou com tanto medo..."

E pronto. Uma festinha na cabeça do anestesista e fui-me para outra banda. Mariquinhas.

Acordei levemente no recobro, mas continuei a dormir por três longas horas e mal as visitas saíram do quarto, às nove e qualquer coisa, ferrei-me a dormir até ao dia seguinte. Antes disso, o médico ainda me foi ver. "Então? Quis dormir??? E não viu nada... não viu o seu joelho, que é mesmo como o fundo do mar!"

Aaaaah, que se dane o fundo do mar! Já fiz snorkeling e foi porreiro. Há alturas em que nada supera um sono profundo.