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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O meu joelho

Fiz ontem a ressonância e já sei que o filme não é bonito.

Ainda não sei tudo-tudo porque o imagiologista ainda não terminou o relatório, mas como é amigo de uma amiga já me disse o essencial. E o essencial é uma ruptura do menisco interno, edema do osso - que não permite perceber se também tem ruptura -, muito líquido intra-articular derramado, e portanto uma cena do camandro.

Já chorei, já gritei, já praguejei, já me zanguei. 

Já disse que não queria gelo, nem pomada, nem as canadianas. Já fui bruta para o Ricardo. Já fui irracional e parva. 

Creio que estou a chegar ao ponto de viragem, de regresso da lucidez, em que quero é tratar disto e parar com a pena de mim própria. É óbvio que, assim de repente, há 858 situações piores do que esta. Mas esta é a minha. E eu ia correr a maratona de Barcelona no dia 13, ia fazer um monte de outras corridas nos próximos meses, tenho um filho pequenino a pedir-me colo, e uma vida agitada que me obriga a andar muito, a pé ou de carro (que também não posso conduzir). É como digo: há coisas piores, terrivelmente piores, perante as quais me curvo em sinal de respeito e me envergonho pela minha fraqueza neste momento, mas esta é a minha. E às vezes temos de fazer o luto das nossas dores e entrar em negação, chorar, revoltarmo-nos com o mundo, para depois recuperarmos a sanidade. Acho que, apesar de tudo, o processo está a ser rápido (é possível que haja recaídas - não estranhem se me virem a bater canadiana nas paredes ou coisa assim).

Em princípio isto implicará cirurgia, muito repouso e ainda mais fisioterapia. E, sobretudo, muita paciência, que é qualidade que infelizmente não possuo em grandes quantidades. 

Se eu fosse dada ao esoterismo, podia deduzir que esta foi a forma que o universo teve para me fazer abrandar o ritmo, ou para olhar mais por mim. Ou que este é um teste à minha perseverança, uma forma de treinar a minha paciência diminuta, porque - diz quem acredita nestas coisas - na passagem por este mundo temos de trabalhar os aspectos em que não somos lá muito bons. 

Infelizmente sou pouco dada a estes pensamentos. Acho que isto foi um azar do caneco e que só espero conseguir dar-lhe a volta mais depressa do que devagar. Já disse que sou impaciente? Pois.

 

(Obrigada a todos os meus amigos pelo incrível, extraordinário, absoluto e estrondoso carinho e atenção que têm tido para comigo. Sois os maiores e eu amo-vos assim mesmo muito)