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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Ano novo

Gosto da passagem de ano e de tudo o que traz consigo. A ideia de recomeço. A possibilidade de principiar tudo de novo, cadastro limpo, toda uma agenda em branco à espera de registos de relevo, reset ao que não nos orgulhamos, esperança num futuro melhor. Gosto das resoluções. Não das vazias, daquelas que já todos sabem - até mesmo nós - que não vão passar de Janeiro, mas das outras, as que nos fazem realmente pensar no que foi feito, no que podemos melhorar, no que não queremos repetir. A passagem de ano, se for bem aproveitada, pode mesmo ser uma forma de nos pensarmos, de nos medirmos, de nos escrutinarmos, com tudo o que isso tem de intenso, deslumbrante e doloroso. 

Aqui por casa houve resoluções que vão implicar mudanças. Regras que estabelecemos e queremos muito cumprir. A mais partilhável - e mais prosaica mas não menos importante - é a do uso do telemóvel. Às 19h, acabou-se. Para nós e para eles. O Martim ainda liga pouco ao telefone mas o Manel estava a ficar demasiado conectado. Chega. À noite, o telefone fica numa caixa e não há cá mensagens, emails ou facebooks para visitar. Temos todos ordem para nos policiarmos uns aos outros. Se alguém estiver a recair tem de ser chamado à razão. 

Isto parece pouco, mas é na verdade muito. Nestes 15 dias em que eles estiveram de férias e eu abrandei o ritmo de trabalho, afastei-me do telefone e o meu cansaço desapareceu quase instantaneamente. Não nos damos conta mas estamos reféns. Sempre contactáveis, sempre disponíveis, em permanente estado de alerta, de vigília, a absorver informação, imagens, parvoíces. O tempo esvai-se e nem sabemos bem como foi, e depois desta voragem sobra pouco. Muito pouco. 

Houve muitas outras decisões que implicaram protestos por parte dos miúdos, mas educar também é criar conflitos, também é tomar decisões pouco populares mas que estamos certos de serem as mais acertadas. Os pais nem sempre podem ser amados pelos filhos e ontem eu sei que nos detestaram. Não é fácil, mas é necessário. Quero acreditar que, um dia destes, serão os primeiros a agradecer as medidas. 

Gosto da passagem de ano e desta ideia de que podemos aproveitar as páginas em branco do calendário para tentar melhorar, corrigir, aprimorar. O importante é manter o entusiasmo ao longo dos meses. A ver vamos como nos saímos.

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