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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Vencer a inércia (again)

Ontem fui correr. Saí de casa a praguejar, sem vontade alguma. A certa altura, as endorfinas libertaram-se ao mesmo tempo que a canção Geronimo, dos Sheppard, começou a bombar nos meus ouvidos. E era ver-me qual gazela (ok, uma gazela anafada), aos saltinhos e com um sorriso. Foram 5 km que acabaram por saber bem.
Daqui a pouco, vem o Pedro.
Hoje é um daqueles dias em que me apetecia muuuuuito não lhe abrir a porta.
Mas está frio e ele é tão boa pessoa…
Ai, senhores, como custa vencer a inércia.

É circo? Não, é maternidade e trabalho

Tenho entrevistas para fazer ao telefone.
O Mateus está embirrantezinho.
Ok.
Vou buscar a almofada de amamentação, ponho-o lá em cima, dou-lhe a mama e, sentada à secretária, tomo notas enquanto entrevisto pessoas ao telefone.
Às vezes ele geme.
E do outro lado a pessoa para de falar, surpreendida pelo estranho som.
É então que tenho de explicar que estou com um bebé de 2 meses ao colo, mas que está tudo bem, todas as palavras estão a ser captadas pela minha mão acelerada, ainda que distante da secretária porque tem um ser humano pelo meio.

(às vezes pareço um artista circense)

Gostar tanto, tantos anos depois

O homem foi ao Porto ter uma reunião. Para poder aproveitar as viagens para trabalhar foi de comboio. Há pouco tivemos esta troca de mensagens:
- Vou-te buscar e depois vamos buscar o Manel à escola.
- Oh, mas eu deixei o carro no parque da estação…
- Ok. Então vou buscar o Manel e encontramo-nos em casa.
- Ooooh… Eu gostava de sair do comboio e ter-te lá. Gostava tanto! Assim como se estivesse a chegar da guerra ou assim…

Comecei a rir-me sozinha. E decidi: se encontrasse lugar para o carro, fazia-lhe a surpresa. Encontrei lugar à primeira. Subi as escadas a correr. Esperei uns minutos e o comboio chegou. Vi-o sair da carruagem e corri para ele. Ele sorriu aquele sorriso enorme, abraçámo-nos e eu até levantei uma perninha. Ao ouvido disse-lhe:
- Ainda bem que te safaste da guerra.

Mateus, o bebé

O Manel quando nasceu tinha roupas XPTO todos os dias. Primeiro os cueiros e as cambraias, fitas de cetim, depois as roupinhas à homem, sapatos a condizer, todo ele kitado, nada podia falhar, os seus looks eram sempre perfeitos.
A seguir veio o Martim que basicamente herdou as fatiotas do irmão e, por isso, andava também sempre a preceito.
Depois, a Madazinha. Como era menina teve direito a todo um séquito de vestidos e saias e o diabo a sete. Como ainda por cima nasceu no Verão, era vestida e despida várias vezes, mesmo que só estivesse levemente babada, para a mãe fazer o gosto à vaidade (a minha, não a dela, coitada).

De maneira que o Mateus está cheio de sorte. É talvez o único dos quatro que está efectivamente confortável e que é só um bebé. Passa os dias de babygrow, quentinho. De pijaminha. Sem sapatos. Sem apertos. Sem estilo. Sem mariquices. 

Claro que às vezes lá lhe visto uma ou outra coisinha mais jeitosa, mas regra geral este budinha está vestido para dormir - que é, com efeito, o que ele faz na vida.

Filho da Mãe

Um leitor atento deixou-me esta explicação para o facto de "filho da mãe" ser considerado uma ofensa:
 "O culpado e criador indireto do “filho da mãe” é o antigo Código Civil (Lei nº 3.071/16), promulgado em 1916, e que foi revogado pelo novo Código, de 2002. Este quase centenário diploma distinguia filhos legítimos, frutos do casamento, daqueles tidos fora dele, fosse por adoção, fosse através de casos extraconjugais. Aos legítimos, todos os direitos; aos bastardos, nada. Essas crianças eram registradas apenas pela mãe, não tendo direito a absolutamente nada do pai, sequer o sobrenome. Ser “filho da mãe” era uma tristeza, uma vergonha, e ser chamado assim, um insulto." 

Muito interessante. E faz todo o sentido, à luz da época.
E explicar isto à miúda?
Ui… tenho tema para meses!

Mesa de jogos

O Ricardo demorou toda uma tarde a montá-la. Tem 14 jogos. Ou melhor, tinha. Agora só tem 13.
Sensivelmente dez minutos depois de finalmente montada, os rapazes decidiram ir jogar matraquilhos. O Manel, com a brutalidade energia dos seus 13 anos, girou o matreco como se estivesse na taberna e… tau, partiu uma cena essencial. O Martim chorou o resto da noite. O pai bufou o resto da noite.


E eu a achar que a mesa ia ser uma forma de são convívio…



E era bom?

Pediram-me se fazia uma espécie de crítica à comidinha que trouxe, aquando da visita à cozinha do Pingo Doce. Oh, meujamigos… não sendo eu um José Quitério da blogosfera não me importo de o fazer. Acontece que… congelei o arroz de pato e o crumble de maçã. Não foi por mal, foi mesmo porque estou numa fase da vida em que qualquer um dos dois me é interdito.
Por isso, resta-me a sopa. Essa comi, até porque não tinha batata. E posso dizer que era muito boa, se bem que irritante, porque melhor que a minha.

Ah, dizer que durante a visita, deram-nos a provar a mousse de chocolate. Eu, que nem aprecio assim tanto mousse, achei que era dos céus. Um dos outros convidados, antes de a provar, disse que seria impossível que batesse a mousse da sua mãe. O engenheiro João Neves sorriu e disse que também não estavam a competir a nível individual… O pior foi quando ele levou a primeira colherada à boca. Fiquei com a clara sensação de que houve uma mãe doceira em perigo.

De qualquer modo, e sem querer entrar aqui em delírios de entusiasmo que soariam sempre a publicidade encapotada, eu conheço a comida pronta do Pingo Doce há muito tempo e só tenho a dizer bem. Já me salvou várias vezes de jantares súbitos com convivas inesperados. Ou sem convivas inesperados, só com os da casa, que são mais que as mães. Sou fã, mas assim fã a sério da sopa de peixe. É melhor do que em muitos bons restaurantes (se não acreditam experimentem e depois venham cá dizer) e serve-me de almoço várias vezes.

Deixo, no entanto, um pedido: saladinhas. Saladinhas para pessoas que combatem gordurinhas. Isso era de valor. É que os vossos petiscos são muito bons mas não se pode propriamente dizer que sejam para pessoas com estes dramas (honrosa excepção para as sopas sem batata, que são já um sinal de cuidado para com estes amargurados cidadãos). Fico a aguardar, sim? Muito agradecida.