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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Cueiros

Nos primeiros dias de um recém-nascido não há coisa melhor para lhes vestir do que cueiros. São muito práticos e lindos. Com uma camisinha de cambraia de gola ficam uns príncipes. Há quem torça o nariz quando se trata de rapazes, por achar que um cueiro é um vestido, o que é um verdadeiro disparate. Um cueiro é um cueiro e ponto final. São a peça mais tradicional de bebé que existe. Cá por casa todos usaram e, agora, só tive de comprar um, para o baby M estrear quando nascer. Este foi o escolhido. Ainda não tinha nenhum com bolinhas, logo eu que adoro o padrão. Mal lhes botei os olhos em cima foi amor à primeira vista.

Alguns dos cueiros dos manos, que vão agora aconchegar baby M nos primeiros dias.



Cão multitask

Vamos finalmente começar as aulas com o Mojito, para ver se ele se transforma num cão civilizado.
Infelizmente não vamos poder ir ao treinador que me tinham recomendado, em Cascais, porque ir todas as semanas para tão longe, no meio da histeria da nossa vida, era meio caminho andado para deixarmos de frequentar as aulas caninas (mas confesso que fico cheia de pena, querida Sofia).
Bom, estávamos então a fazer a lista das coisas que queremos que o bicho aprenda. À medida que ia escrevendo num papel, ia dizendo em voz alta:
- Deixar de acordar às 6.30 da manhã todos os dias; deixar de ficar meia-hora a 45 minutos na rua e depois vir fazer em casa; parar de saltar para cima de nós deixando-nos os braços e as costas em sangue; parar de ir o caminho todo a roer a trela (já destruiu três); não puxar; vir quando o chamamos para o podermos soltar sem medo que fuja; não roer a cama…

Devo ter engolido umas palavras ao dizer esta última pretensão porque o Ricardo parou o que estava a dizer para exclamar:
- Fazer a cama??????
- Ahahahahaahahahah! Sim! Fazer a cama, lavar a loiça, passar a ferro… Vai ficar um espectáculo de cão!




Arf, arf, arf

O cão acordou - como sempre - às 6.30. Olhei para o relógio e pensei: "que se f***". Lamento. Podia pôr aqui outra palavra, mais educada, mas para ser verdadeira tenho mesmo de colocar esta, ainda que disfarçada, porque o que eu pensei foi mesmo "que se f***, ele que espere". Mas o bicho continuou a ganir e eu pensei que quem ia acabar por se f*** era eu, a ter de limpar dejectos na cozinha, e então vesti-me e fui. O Ricardo tinha ido à meia-noite, achei que não era justo estar a ir também de madrugada. Saí à rua e era de noite, mas noite escura, noite sem vivalma nas ruas, noite de silêncio e estores fechados e sonos que quase se podiam palpar. Dei a volta do costume, ele fez o xixi do costume, mas como o cocó do costume não veio dei uma segunda volta, num total de meia-hora de passeata com toda a calma e serenidade. Não fez cocó. Vim para casa, deitei-me mas comecei a sentir aquele perfume que, infelizmente, também já pode ser considerado "do costume". Levantei-me e deparei-me com duas poias gigantes na cozinha. Fechei a porta, respirei fundo (há que respirar fundo sempre que estivermos à beira de cometer um crime), abri a porta, encostei-lhe o focinho à primeira poia, depois à segunda, ralhei, limpei, fechei a porta e larguei a chorar. Chorar alivia-me bastante, de maneira que a seguir dormi. Dormimos ambos (leia-se eu e o meu homem, que lá o que o bicho esteve a fazer não sei). Quando acordámos, o Ricardo foi com a Madalena fazer as compras do mês, eu fui à Staples comprar o material escolar da Mada, cerca de 30 itens que incluiam coisas como papel manteigueiro, caderno musgami (oi?), papel sortido, feltros, velcro, cola de madeira, barro, e por aí fora. Saí dali à pressa porque já estava na hora de apanhar o Manel, que tinha jogo às 14h. Liguei-lhe para sair de casa, apanhei-o, levei-o, voltei para casa, fui com o Martim passear o Mojito. Fomos ter com o Ricardo e a Mada para almoçar. O Ricardo seguiu para casa, para arrumar todas as compras do mês, eu fui levar o Martim a Caxias, a uma festa de aniversário. A mãe do aniversariante ofereceu-se para ficar lá com a Madalena e ela olhou para mim com olhos de gato do Shrek. Ficou. Nota para futuras mães: não se ofereçam simpaticamente para ficar com ela, que ela fica. Vim para Lisboa, ainda consegui ver parte do 2º jogo do Manel. O pai também foi lá ter. Ganharam um jogo, perderam outro. Viemos para casa, passeámos o cão, Manel tomou banho, fomos buscar os outros a Caxias, seguimos para as Amoreiras para testar as lentes de contacto do Manel, ah hoje já não vai dar, só amanhã, e eu com o beiço a tremer, praticamente à beira do choro, "Mas viemos de propósito!", pois mas agora só amanhã. Dali íamos visitar uma tia, que foi operada, mas estava a dormir e já não fomos. Ainda passámos em Campo de Ourique para comprar um cueiro para pequeno Baby M estrear quando nascer. Passámos nos frangos, ainda demos um pulo ao Pingo Doce para trazer Gaspacho e Pleno (não há Pleno em lado nenhum!) Chegámos a casa já de noite, fomos passear o cão, e ainda estivemos a arrumar tralha espalhada por aqui e por ali.
Da próxima vez que perguntar - em voz alta ou só em pensamento - porque é que me sinto tão cansada, talvez seja melhor esbofetear-me. Amanhã aproxima-se um dia bastante parecido com este. E depois de amanhã. E… bom, na verdade é quase sempre isto, mais coisa menos coisa.


Adoro

Chegaram ontem estas letras, da Vertbaudet. Adoro. Podem ser personalizadas como se quiser (pode-se pintar, fazer colagens, forrar com tecido) ou podem ser deixadas assim, em branco. Pode-se escolher as letras do nome dos filhos ou o que se quiser. Acho um apontamento delicioso.

Trabalhinhos lindos que nos engolem

Todos os anos vem para casa uma pasta (quando não é uma caixa) com os trabalhinhos dos nossos filhos. O Manel já não traz, mas trouxe sempre durante 7 anos (dos 3 aos 10). Do Martim também já tenho uma quantidade considerável de desenhos, pinturas e pequenas esculturas. E até a Madalena já acumula um alegre amontoado de trabalhos manuais. Não tarda será a vez de pequeno baby M.
No início é tudo lindo e maravilhoso. Cada rabisco é olhado com comoção, cada boneco ainda que apenas levemente parecido com uma silhueta humana é recebido com grande êxtase, cada peça de barro faz tremelicar uma lagriminha emocionada. São uns artistas, os nossos meninos, tão queridos, tão habilidosos, tão profundos na sua inocência. Depois, com o tempo e com a profusão de trabalhos artísticos dos filhos, uma alminha só consegue pensar onde raio vai meter tanta "arte", e acaba a encaixotar tudo e a pensar que talvez para o ano ganhe coragem de mandar uma boa parte para o lixo. Mas nunca consegue. Eu pelo menos ainda não atingi esse patamar de desprendimento. Tenho milhares de obras em caixas etiquetadas com o nome do autor e o ano de produção, engolindo-me espaço e mais espaço, e atrevo-me a apostar que nunca mais nenhum deles vai querer olhar para aquilo duas vezes. Talvez nós, pais, quando todos eles já tiverem seguido as suas vidinhas, passemos horas a fungar perante pedaços de barro bafientos e cerâmicas estaladas pelo passar dos anos. Talvez o arquivo nos venha a servir de combustível à nostalgia e à saudade de um tempo que já não volta. Talvez o melhor - agora que penso nisso - seja deitar tudo fora depressa, que já antevejo largas horas de depressão.