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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Bebé a caminho

Devagarinho, a casa começa de novo a encher-se de coisas de bebé. Ontem dei por mim meio espantada a olhar para o pequeno séquito, como se só agora tomasse consciência de que, se tudo correr como é suposto, vai mesmo desaguar um bebé aqui em casa - e já não falta muito. Na verdade, pelo menos para já, sinto que podia continuar grávida durante mais um ano ou dois. Digo "pelo menos para já" porque me lembro de sentir exactamente o mesmo quando foi da Madalena e, de repente, lá pelos 8 meses e qualquer coisa, senti vontade de a conhecer, de lhe pegar, de a ter cá fora. Por isso repito: pelo menos para já ele podia permanecer aqui mais um ano ou dois. Mesmo com as limitações a que estou obrigada, adoro estar grávida. Continuo, à quarta vez, a achar fascinante este fenómeno de ser um dois-em-um, de ter um ser vivo cá dentro, que cresce, que se alimenta, que dorme e que me dá sinais da sua existência todos os dias, praticamente a todas as horas. Gosto do meu corpo imenso, de me deitar de lado e sentir a minha enorme barriga, gosto de sorrir quando dou por mim a andar como uma pata choca ou quando o colostro decide dar o ar da sua graça. Até gosto da bipolaridade que me faz sentir monstruosa num determinado instante, e no seguinte sentir-me sexy com as minhas formas generosíssimas. Gosto de imaginar o bebé e de o acariciar e de conversar baixinho com ele, divirto-me com as mãos dos meus filhos na barriga, todos a quererem sentir os pontapés ao mesmo tempo. E, por saber que será a última vez, quero desfrutar de tudo com intensidade, quero saborear cada momento para nunca mais me esquecer, quero prolongar isto, que é tão bom, porque não poderei repeti-lo. Para ser sincera, nem sequer posso pensar muito no facto de esta ser a última vez porque se o faço ainda acabo à batatada com o médico quando chegar a hora de mo tirar daqui.
Por outro lado, aqui dentro o bebé não chora, não mama, não me acorda de 3 em 3 horas, não compete pela minha atenção com os outros. Eu tenho três filhos que amo perdidamente e, por isso, sinto que podia continuar grávida por mais um ano ou dois, neste amor que já é mas que não tem ainda comparação com o amor que sinto pelos outros, nesta espécie de sonho que, apesar de ser real, possui ainda os contornos de uma certa fantasia, de um imaginário, de uma construção idílica, como tudo aquilo que sendo presente é, ainda assim, um bocadinho futuro. 

Baby Blues

Sou tão fã desta colecção! É tão divertida e tão real.
Lembro-me que o primeiro de todos foi-me oferecido pela Maria João. Acho que foi quando o Manel nasceu. Fez-me cá um bem! Eu tão à toa e ali, naquelas páginas, as minhas dúvidas e desesperos escarrapachados, com tanto humor.
Desde então li vários, sempre com um sorriso ou com várias gargalhadas. Quem conhece?


28 semanas

Fomos hoje à consulta das 28 semanas. Sete meses já cá cantam e parece que foi ontem que me larguei em prantos na cozinha, agarrada a um teste que dizia "grávida" com todas as letras, para que não restassem dúvidas. Hoje levámos os três Ms connosco e foi uma emoção. "Ahhhh… aquilo é o coração??? UAU!!!! Bate tão depressa!"; "Olha, aquilo é o pé? A sério? Ele está a agarrar o pé com a mãozinha? Que querido!" As exclamações deles faziam-me oscilar entre a vontade de rir e a de chorar de comoção.
Baby M, que já estava de cabeça para baixo, decidiu que não valia a pena ficar a fazer o pino por tanto tempo (e para nada, na verdade), e virou-se ao contrário. Neste momento está com os pés voltados para a saída, o que explica a forte sensação que venho sentindo de que a criatura está aos chutos à porta, a ver se a arromba (habemus vândalo).
Desgraçadamente, tenho de ficar deitada entre 8 a 10 horas por dia, com as pernas levantadas, a ver se as contracções abrandam e se o meu útero não rompe. Não há qualquer indício de parto iminente, a parede de útero onde foram feitas as costuras das anteriores cesarianas parece não estar fininha mas, ainda assim, não posso mesmo continuar com as contracções que tenho. Logo agora que queria fazer o ninho, que queria preparar tudo, que tenho os 3 miúdos em casa, que o ténis, a guitarra, o futebol e a natação vão começar e era preciso levá-los, e que ainda faltam duas semanas para começarem as aulas. Definitivamente, isto não vai ser fácil…
Mas, sim, é verdade: já fomos de férias e, por isso, agora é sorrir e acenar. Acenar ainda posso.


A fazer o ninho

Quando estive de repouso percebi que não tinha rigorosamente nada preparado para a chegada do baby M. Claro que era cedo, demasiado cedo. Mas a verdade é que, com a quantidade de contracções que vou tendo (desde que cheguei a Lisboa, com as arrumações e o diabo a sete, aumentaram muito), posso muito bem voltar a ter ordem de imobilidade a qualquer instante. E, por isso, sinto que tenho de me apressar. De lavar roupas que já tenho e comprar coisas que me faltam. De preparar todas as coisas, antes que fique tudo por fazer - e por muito bom que o pai seja (e se é!) não há melhor que uma mãe para fazer este ninho. Hoje já me perdi de amores por uma mantinha. A Madalena, que está a gritar por atenção redobrada, enfiou-se dentro do saco. Vou ter de ser muuuuito habilidosa na gestão dos sentimentos desta bichinha. Afinal, não é fácil perder o estatuto de caçula da família.

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