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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Que máximo!

Descobri umas t-shirts e sweat-shirts no facebook e não lhes resisti. As camisolas não são baratas (e ainda por cima mandei vir duas, uma para cada rapaz), mas são tão cool e versáteis que dão para mudar de cada vez que se vestem. Vêm com uma caneta. No balão da camisola (ou t-shirt) escreve-se o que se quiser. E depois apaga-se com um pano com água ou uma simples toalhita. Ou seja, eles podem escrever diferentes mensagens consoante o estado de espírito ou a ocasião. Giro, não é?
Os rapazes hoje foram ambos vestidos com elas. O Martim levou a mensagem "O 3º B é o maior" e o Manel escreveu "Swag" (para quem não sabe quer mais ou menos dizer "estiloso" e é uma palavra de gíria inglesa que ele agora está sempre a dizer - grrrrrrr).


São da Grilo World

A rendição da idiota ou de como é bom fazer amigos em qualquer idade

Durante muito tempo (tempo demais) tive uma certa arrogância de que não me orgulho. Dizia muitas vezes que não precisava de mais amigos. Que já tinha muitos e bons. Dizia-o sem maldade, mas com alguma vaidade. Com soberba. Sentia-me feliz e preenchida com os meus amigos de sempre (ou de alguns e intensos anos) e achava que era suficiente. Que bastava, estava bom. Na verdade, os amigos que tinha ocupavam-me tanto tempo que sobrava pouco (ou nada) para possíveis novos amigos. E eu refugiava-me nisso para dizer e repetir: "Não preciso de mais amigos". Além do mais, acreditava que a partir de certa idade já não se fazem propriamente amigos-amigos. Achava eu que, a partir de certa altura, os amigos que uma pessoa tinha eram os que tinha e acabou-se. Como se a idade fosse um impeditivo de criar novas amizades (quando é justamente o contrário: a maturidade aproxima-nos naturalmente de pessoas que encaixam melhor connosco).
Hoje reconheço que fui uma idiota. É verdade que continuo com muitos amigos de há muito tempo, amigos que viveram comigo muitas coisas, amigos que eu sei que estão lá para o que der e vier, para sempre (espero) e para tudo. Eu, pelo menos, estou cá (para sempre e para tudo) para eles. Mas por razões que agora não importam, mas que são - como sempre - formas que a vida tem de nos dar belas lições, comecei a abrir o coração a outras pessoas. A deixá-las entrar. A aceitar a ideia de ter novos amigos. A achar que não têm de ser só os que estão, que a antiguidade e a força do que vivemos é importante, sim, mas não tem de ser tudo (muitas vezes não é mesmo nada). A não desconfiar do que é novo (sempre tive tendência para ter um pé atrás para tudo o que é desconhecido), a ter vontade de estar com pessoas que acabei de conhecer, a reconhecer nelas, em pouco tempo, todas as características que é suposto que um amigo tenha, e a gostar delas com a intensidade com que se gosta de um amigo verdadeiro.
Uma dessas pessoas é a Raquel Brinca. Eu tenho muita dificuldade em acreditar em cenas místicas, kármicas… esquisitas, no fundo. Sou demasiado pragmática para crer naquilo que não vejo. Mas, desta vez, confesso que estou tentada a acreditar que eu e a Raquel temos uma cena qualquer que não se explica. Assim que nos conhecemos, foi empatia imediata. Era como se aquela pessoa fosse uma amiga de longa data. E de cada vez que estamos juntas é sempre a mesma felicidade estranha. Mais: nunca nos coibimos de dizer uma à outra vários "gosto de ti" despudorados (e eu não sou propriamente uma mãos largas no que toca a declarações de amor). Se eu fosse dada ao misticismo, tenho a certeza de que acreditaria que éramos para aí irmãs ou coisa assim, numa vida passada. Almas separadas por uma encarnação, e reencontradas nesta. Era certinho. Tão certinho que, céptica como sou, estou quase a crer nisto, ainda assim.
A Raquel é fotógrafa, tem a HUG, um projecto maravilhoso de que já aqui falei, e acaba de entrar na minha vida também de uma outra forma: foi ela quem me fotografou para o meu novo livro. A sessão fotográfica meteu vários looks, muitas gargalhadas e parvoíces, e resultou em muitas fotos de que gosto muito. Nos últimos tempos, e por culpa de algum (muito) desleixo da minha parte, não estou no formato que desejava. De maneira que é raro gostar de me ver nas fotografias. Acho sempre que pareço uma lua cheia depositada em cima de um pequeno bidão. Mas ela, que é óptima fotógrafa e que tem comigo esta cena kármica (ou energética ou lá o que é), captou o meu eu, para lá do invólucro (ou apesar do invólucro). E, assim, estamos agora juntas neste livro que me deu tanto trabalhinho e que espero que vos dê (daqui a um mês e pouco) muito prazer.

Obrigada, Raquel, pelas fotos e por teres entrado na minha vida.
Obrigada vida, por me continuares sempre a ensinar a ser um bocadinho menos idiota (mas não muito, que alguma estupidez natural faz muita falta para levar isto com alegria).



Uma das fotos - que, em princípio, não será a do livro.

"Chorei e foi de tristeza"

Hoje o Martim, acabado de vir da escola, disse:
- Hoje chorei na escola, mãe.
- Foi?
- Sim. E foi de tristeza.
- Então? O que aconteceu?
- Os meus amigos quase todos estavam a chamar "gay" ao M. E eu pensei: "ele deve chegar a casa tão triste, tão triste…" e comecei a chorar.
- Mas…
- Eu sei que "gay" não é palavrão, nem é ofensa, mãe. Mas o Miguel não é gay! Ele gosta de meninas, como eu. E, por isso, aquilo magoa. Eles fazem de propósito para o magoar. E eu fico triste.
- Então e não podes contar à professora, para ela poder fazer alguma coisa?
- Poder posso… mas hoje falei com o J. e combinámos que vamos dar porrada em quem voltar a chamar isso ao M.
- Se calhar era melhor juntares mais amigos, explicares que o que eles estão a fazer é horrível, perguntares se gostavam que lhes fizessem o mesmo, chamá-los à razão. Se não conseguires, devias falar com a professora. A porrada não é uma boa opção.
- Ok… Mas é tão triste, não é?
- É. Muito triste mesmo.

(o meu querido cavalo bravo… parece o mais desligado do mundo e, afinal, não passa de um coração doce, sempre defensor dos oprimidos…)

Um dia ele mata-me

Eu não queria chatear-vos muito com isto dos meus treinos e não sei quê. Mas hoje… hoje foi do demo. Fomos para o Jardim do Cabeço das Rolas (onde nunca tinha ido e moro no Parque das Nações há 8 anos), subimos degraus dois a dois, subimos outra escadaria em agachamentos, subimos uma ladeira de relva íngreme como o raio que a parta, a correr, 4 vezes, e… fizemos TRX. Prendemos o sacana numa árvore e foi um vê se te avias de agachamentos. O Pedro perguntou se eu alguma vez já tinha plantado uma árvore (fazendo a graça de já ter tido filhos e de já ter escrito livros). Eu respondi que sim, que arrancar uma é que ainda não, mas temia bem que a coisa se desse hoje, com a árvore a suportar os meus puxões sofridos. A certa altura, o esforço foi de tal maneira que senti uma dor abdominal como a que antecede as menstruações mais intensas (ou como uma contracção antes de se tornarem severas, no parto). Juro que pensei que o período ia aparecer, apesar de não ser altura dele, tal foi a violência da coisa. Depois, enfiei as argolas nos pés, fiquei com as mãos no chão (em prancha, com os pés suspensos da árvore) e tive de levar os joelhos ao peito - um verdadeiro exercício circense que me está, neste momento, a dificultar até a simples tarefa de teclar. No fim do treino, o Pedro tirou uma foto da pessoa em farrapos, jazendo ao lado do seu objecto de tortura. Amanhã é dia de descanso. Quinta-feira… ele volta a atacar (que um trovão me rache ao meio se não é desta que fico gira!)


De peru para… galinha, vá

Hoje estou bem menos peru que ontem. O que vale é que assim como me dá também me passa depressa. O treino de ontem foi absolutamente demolidor (o Pedro trouxe um step, uma corda para saltar, e um TRX demoníaco) e julguei que hoje não me levantava (e era desta que ele ficava à porta). Mas… surpresa das surpresas, hoje acordei moída mas já sem gemer quando me levanto ou sento, já sem aquela sensação de febre, de gripe e de sono. Creio que o meu corpo já principiou a aprender que a vida dele mudou. As dores musculares vão passando à medida que os músculos são constantemente submetidos ao esforço.
Ontem, ao fim do dia, tive uma reunião na escola de futebol dos miúdos, para que os pais decidissem a que torneio de verão queriam que os filhos fossem. A participação no torneio, que dura uma semana, implica inscrição, implica deslocações, alimentação e há ali claramente quem não tenha possibilidades para isso. A ideia é, então, fazer bolos, salgados, rifas para vender em dias de jogos em casa, para se conseguir juntar um valor que, para muitos, parece uma miragem. E eu acho, cada vez mais, que a ida dos miúdos para ali só lhes pode fazer bem (tirando, talvez, a profusão de palavrões por minuto que os pais atiram ao árbitro em cada jogo - no último jogo acho que até o Ricardo aprendeu alguns novos).




Um peru

Hoje a pessoa está chateada como um peru.
Desanimada.
Filhinhos, é assim: acontece poucas vezes, que a pessoa tem a mania que isto é um permanente carrossel e faz por isso, mas também acontece. Ah, e tal, mas queixas-te de quê, não tens filhos com doenças crónicas ou terminais, tu também pareces estar com saudinha (a avaliar pelo lombo), a existência corre-te bem, e se fosses chatear o Camões?
E eu vou. Vou chateá-lo, para não vos aborrecer a vós, pessoas simpáticas.
O "meu" Pedro já cá esteve hoje, a sovar-me forte e feio e a libertar as endorfinas aprisionadas. Fiquei melhor mas ainda longe da minha costumeira boa disposição e estupidez natural. Amanhã ele volta, com os seus aparelhos de tortura, a ver se o ânimo aumenta (e o peso diminui - ah ah ah, que espirituosa).
Hoje a pessoa não está nos seus dias.
Recolhe-se, pois, para não vos contagiar com o azedume.
Pensavam que isto era sempre a sorrir e a acenar?
Pois que não é.
Não é.