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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O novo SushiCafé na cidade

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Ontem fui almoçar ao novo SushiCafé, que abriu há dias na Rua Barata Salgueiro, e fiquei rendida. Para começar, o espaço é lindíssimo. Depois, sentei-me e parecia uma parola. Fiquei a olhar para uma espécie de comprimido, que me botaram em cima da mesa, e pensei: queres ver que toparam que sofro de uma maleita e estão a fornecer o remédio, assim como quem não quer a coisa? Quando olhei para as minhas amigas percebi que ou sofríamos todas do mesmo mal (maluquice crónica?) ou aquele comprimido era outra coisa qualquer. Era. A empregada, percebendo a nossa parolice, aproximou-se com um jarro de água, que despejou para um pratinho, e explicou:
- Põem esse botãozinho na água e ele cresce, transformando-se num toalhete, para refrescarem as mãos.
Assim fizemos. Aquilo começou a crescer (numa transformação um pouco.. como dizer? Fálica) até ficar num cilindro que, depois de desenrolado, era efectivamente um toalhete, com cheirinho bom e tudo. Porreiro, pá! Dois pontos, para começar. Decoração e tecnologia ao serviço da higiene.
Quanto à comida propriamente dita... dizer que é perfeito. Sushi do bom, arroz no ponto, peixe saboroso e fresco, sabores deliciosos a fazerem lembrar o fogo de artifício que o rato Rémy, o rato do Ratatui, sentia quando degustava bons petiscos.
Uma maravilha, só vos digo. Na foto podem ver o Wagyu Satay (carne wagyu marinada em satay, mousse de coco, vidrado de papoila e crumble de satay) e o Chocolato (bolo de chocolate com sete texturas, ganache flexível e solo de chocolate).
Eu não sou crítica gastronómica nem me pagam para dizer bem mas recomendo vivamente. Percebo pouco (nada?) de cozinha molecular e de fusão e o catorze, não faço puto de ideia do que é «ganache flexível» ou outras coisas com nomes pomposos e por vezes impronunciáveis. Por isso, a minha opinião vale o que vale. Pouco. Gosto de comer e é tudo.
Eles garantem que têm um conjunto de chefs com formação superior, experiências profissionais em hotéis de cinco estrelas e passagens por reputados restaurantes japoneses, tais como o Kabuki, Armani Hashi, Midori, entre outros. Pois eu cá não sei, não faço ideia, não averiguei se têm mesmo esse currículo todo ou se nunca passaram de Badajoz. O que eu sei, o que tenho a certeza é que comi maravilhosamente. E que me trataram bem. E que a decoração é linda. E que até tinham um toalhete mágico. E que, no dia seguinte, o meu sushi todo-o-terreno, baratinho, de take away, me soube pessimamente. Porque quando se come sushi a sério fica muito mais difícil suportar um mau sushi. Por isso, vou voltar ao SushiCafé da Barata Salgueiro em breve. Sem sombra de dúvida.

Para uma amiguinha pequena

Era uma vez uma princesa tão linda, mas tão linda, tão elegante, mas tão elegante... que se quebrava por tudo e por nada. Ela era como uma bailarina de uma caixinha de música. Alta, esguia, linda. E frágil. Era preciso ter para com ela com todos os cuidados. Qualquer toque mais brusco e... lá se partia a doce princesa.
No reino todos sabiam da sua condição. E todos se preocupavam muito com a princesinha de cristal, como ficou conhecida. Ninguém a queria ver partida. Ela era tão linda...
Às vezes, a princesa ficava contente por ter gesso. Pode parecer estranho que alguém possa ficar contente por ter um braço partido mas, na verdade, não tem nada de misterioso. A verdade é que as amigas da menina, quando a viam de novo quebrada, a enchiam de mimo e atenção. E quem é que não gosta de mimo e atenção?
Mas, se por vezes a princesa ficava satisfeita, outras vezes ficava triste. Porque lhe doía no sítio quebrado ou porque não podia brincar com as amigas à sua vontade. Uma vez, no Verão, a princesa não pôde dar aqueles mergulhos na piscina nem na praia e ficou muito, mas mesmo muito triste.
Certo dia, estava muito calor, e a princesa abriu a janela do seu palácio. Nisto, apareceu uma fada, muito pequenina, a reluzir.
- Olá, princesa!
A princesinha assustou-se e caiu, mas felizmente não partiu nada.
- Desculpa, não te queria assustar! - lamentou a fada.
- Não faz mal... tu... tu... tu és uma fada? - balbuciou a linda princesa.
- Sou. E estou aqui para te dizer uma coisa. Apesar de te partires com facilidade, apesar de teres esse aspecto encantadoramente frágil, vais ser a mulher mais forte deste reino e de todos os reinos vizinhos.
- Forte? Forte como? Assim muito, muito gorda? - temeu a princesa.
A fada riu-se. Mas riu-se mesmo muito, às gargalhadas. A princesa não sabia que as fadas podiam rir assim.
- Não! Vais ser elegante e linda, a mais perfeita do reino. Mas vais ser corajosa e inteligente, vais ser capaz de fazer coisas fantásticas, vais ser a melhor princesa do mundo!
- A sério? - quis saber a menina - Mas... e os meus ossos, vão continuar a partir-se como se fossem de cristal? É que isto às vezes é aborrecido, sabes?
- Sei, claro que sei! E a partir de hoje nunca mais te vais quebrar.
- Não????
- Não! Os teus ossos agora estão mais fortes porque estás mais crescida e a comer muito melhor. Tenho uns olhos especiais, que vêem os ossos, e consigo ver que estão rijos, quase inquebráveis, na verdade. Mas o mais importante é aquilo que te disse há pouco: tu vais ser uma mulher forte e corajosa, capaz de actos heróicos, apesar da tua aparência franzina e delicada. Aliás, já és uma menina muito bravia! Todos no reino te adoram e admiram. E vais ser sempre muito feliz.

E, dito isto, a fada disse adeus e sumiu, pela mesma janela por onde entrara.
E a verdade é que a linda princesinha nunca mais se quebrou. E apesar de se ter mantido sempre linda e elegante, ao longo dos anos, foi capaz de grandes valentias e passou a ser conhecida, no seu reino e nos reinos vizinhos, como «A princesinha corajosa».

E, para desanuviar desta história tão pesada, mais um passatempo

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A Minha Chucha é uma empresa super original. Uma ideia simples de uma mãe que, um dia, decidiu aproveitar um nicho de mercado: não havia chuchas personalizadas nem personalizáveis. Vai daí e nasceu A Minha Chucha. Basicamente, pode pedir para gravar o que quiser (desde que caiba) na chucha da sua linda e maravilhosa cria: o nome (perfeito para levar para o infantário e evitar partilhas de micróbios), uma frase gira tipo «Feito na Bimby», «A avó adora-me», «Menina do papá», etc.

Ora, o que propomos é que, no âmbito do Dia da Mãe que se aproxima, escrevam frases inspiradas sobre serem as melhores mães do mundo e enviem para cocofralda@gmail.com. A frase mais gira ganha um pack de chuchas à escolha no site: www.aminhachucha.com.
O passatempo termina no sábado, dia 30 de Abril, e os resultados serão anunciados no Dia da Mãe (se tivermos capacidade para ler as vossas 6.823 frases em tempo útil).

Mãe coragem

«Há um ano, recebeu uma chamada do telemóvel do marido: "Tens que ser muito forte!". Ausente do país em viagem de trabalho, pela primeira vez desde o nascimento dos filhos, Carlos teve um AVC hemorrágico. Aos 35 anos, de forma brutal. "O meu mundo desabou naquele momento", recorda Sandra. Apanhou o primeiro avião para Munique, deixando o seu Alexandre de seis meses ("ainda mamava!") e a sua Maria de quase dois anos, com os tios. Durante um mês viveu 16 horas por dia nos cuidados intensivos do hospital, junto ao marido em coma, com os médicos a dizerem-lhe todos os dias que ele não iria sobreviver. Interrompeu a sua vigília apenas para vir festejar os dois anos da filha. "Sempre a tentar sorrir e a não chorar ao pé dela." Por fim, trouxe-o para Portugal. Continua em coma, agora numa unidade de cuidados continuados no Entroncamento. Morando em Samora Correia e trabalhando em Lisboa, Sandra faz 300 quilómetros todos os dias. Acorda às 5h30, trata dos filhos, passeiam em conjunto os dois cães e, depois de levá-los à escola, vai sempre visitar o marido antes de começar a trabalhar. Fala com ele, conta-lhe o dia anterior, "na esperança que me oiça e entenda". A sua vida mudou radicalmente. "Tudo o que eu achava que não conseguia fazer sozinha, passei a fazer. Sempre pensámos que apenas um não ia conseguir dar conta do recado". Mas consegue. E com a responsabilidade acrescida de compensar a ausência do pai e de fazer tudo como tinham planeado. "Quero ter a certeza de que faço o melhor possível, como se ele estivesse ao meu lado", reconhece. É nos filhos que arranja forças. Pensou que a sua vida ia acabar, mas "era irreal desistir". Por eles, leva a vida para a frente: "Como sou totalmente impotente para alterar a situação do Carlos, olho para tudo o resto da minha vida e penso no que posso mudar. Não desisto e vou continuar a dar tudo por tudo." Para os filhos, gostava de ser um exemplo; para os outros, um sinal de esperança. "Achamos que perante certas situações nunca iríamos conseguir dar a volta. Mas conseguimos. Arrajamos forças que não sabíamos existir. Os filhos são o grande mote e alento. Por eles, fazemos coisas impensáveis." Sandra acredita que ainda é possível a situação do seu marido evoluir, ainda que leve largos anos. "Quero poder dizer-lhe, se ele melhorar: 'Aqui estão os nossos filhos. Estiveste sempre connosco'.»

Este é um excerto de uma reportagem que saiu na Pais & Filhos de Maio (e que já está nas bancas). É da jornalista Ana Sofia Rodrigues.
Esta história tocou-me profundamente. Serve para mostrar como a maior parte das nossas merdinhas não são mais do que isso: merdinhas. Claro que todos temos o direito de nos ir abaixo. Mas é bom que tenhamos a noção do que são os problemas reais. Brutais. Avassaladores.
À Sandra desejo muita força e coragem e ânimo. E ofereço-me para ficar com as crianças, se precisar de ir a algum lado, mesmo! Ao Carlos desejo que acorde depressa, porque tem uma família maravilhosa à sua espera.

Breu

Ontem, mal cheguei de Évora, carreguei no interruptor para abrir o estore da sala e, nesse mesmo instante, CATRAPUUUUUM! O estore despencou a alta velocidade deixando a sala num breu triste. Bem-vindos, seus camelos! Pensavam que era assim? Iam para a rambóia e deixavam aqui o estore sozinho, ao abandono?
De maneira que estou na sala, às escuras, porque o estore tapa três janelas do chão ao tecto. A escrever de luz acesa, como se fosse de noite. Quem me conhece sabe como sou dependente da luz para ser feliz e contente e produtiva e saudável da mona. Odeio dias cinzentos, odeio casas escuras, odeio lâmpadas de velório. De maneira que hoje lá vem o senhor que arranja estores e é bom que consiga resolver o assunto rapidinho, que isto de trabalhar na penumbra não é para mim. Sobretudo depois de quatro dias de muita luminosidade pascal nos alentejos.