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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Passatempo Restaurante Água e Sal

Termina amanhã, à meia-noite, o prazo do passatempo Água e Sal.
Se ainda não enviaram uma frase/poema/romance, façam o favor.
Não se esqueçam: não basta "gostar" do restaurante no Facebook. É preciso tornarem-se "Amigos"... caso contrário, e por muito lindinhas e inspiradas que sejam as vossas frases/poemas/romances... serão desclassificados (para usar uma terminologia adequada).
Adeus, fiquem bem, que o Cocó vai de fim-de-semana.

António Feio: 1954-2010


Hoje fui fazer uma caminhada, às 7.30 da manhã. A brisa fresca bateu-me nos cabelos, o sol recém-nascido no céu, a cidade quieta, ainda. E eu sem conseguir deixar de pensar que o António nunca mais vai sentir uma brisa assim, nos cabelos, nunca mais vai ver o sol nascer ou pôr-se. Não vai sentir o cheiro da maresia, nem a chuva a cair nas pálpebras e no nariz, nem assistir ao princípio do bulício de um dia de semana. O António não vai voltar a rir com os amigos, não vai ter dias sim e dias não, não vai abraçar aqueles de quem mais gosta.
E, ao mesmo tempo que caminhava, junto ao rio, foi-se-me formando um nó na garganta, tão grande. A minha agenda de jornalista começa a ficar demasiado cheia de gente que já não vai sentir nada disto. Tenho demasiados nomes na minha lista que não vão atender o telefone, se eu ligar para os seus números. Porém, não os apago. Sou incapaz de os apagar.
Envelhecer é isto. Ver morrer gente que crescemos a admirar, ver morrer aqueles que nos fizeram rir, aqueles que nos são próximos, os familiares, os amigos. Envelhecer é terrível por causa disso, também por causa disso.
Como dizia alguém (não me lembro quem, mas até acho que foi o Raúl Solnado, outro nome na minha agenda para quem não adianta ligar) "eu não tenho medo de morrer, tenho é pena". É isso mesmo. Tenho pena, tanta pena que tenhamos de morrer. Sobretudo quando acontece assim tão cedo, como aconteceu ao António Feio. 55 anos. Uma luta feroz contra um cancro feroz. Tenho muita pena. Viver é demasiado bom para que tenha de acabar. E digerir isto é a tarefa mais dura da minha vida.

Almoço

Gosto de almoçar convosco, gajas. Às vezes estamos que tempos sem nos sentarmos todas e é sempre como se tivéssemos estado juntas ontem. As nossas histórias encaixam bem umas nas outras, a passagem de uma cusquice para outra resulta na perfeição, como um puzzle, e rimos sempre muito e esquecemo-nos do tempo, que passa.
Foi bom almoçar convosco, como sempre.
Agora reencontramo-nos no Algarve. Está combinado.


P.S: O Diário de Notícias trouxe-me tantas coisas boas... trabalho, o meu homem, vocês... (não, não estou grávida, podem respirar de alívio. É lamechice da idade mesmo)

Oftalmologista

Gostei muito do professor Eugénio Leite. Simpático, a explicar tudo devagar, credível, e com uma maquinaria-de-ver-olhos verdadeiramente impressionante. A certa altura, ficou um pouco preocupado: "A menina tem os nervos oculares muito apagados... algo que só seria suposto aí aos 50, 60 anos. Vamos fazer dois exames, para percebermos se isso tem que ver com os medicamentos que tomou para a asma, que é possível, ou se há algum problema recente de má vascularização."
Ui. Olhinhos de avó e o medo de que as veias estejam a irrigar mal a coisa. Medo.
Fui então para uma primeira máquina xpto, que analisaria o meu campo visual. Tinha de olhar para um ponto vermelho e carregar numa campainha sempre que visse surgirem, em redor, pontos de luz branca. Umas vezes era fácil, eles eram grandes. Outras vezes era um pavor. Porque a máquina fazia um barulho característico sempre que um dos pontos aparecia e muitas vezes eu não os mirava. Estive ali imenso tempo, como que a jogar um videojogo. As senhoras examinadoras não sabem mas, muitas vezes, quando caçava um ponto de luz, carregava na campainha e pensava "Ha-Ha! Cacei-te!" É triste como um adulto se põe a brincar aos disparos com um aparelho de exames oftalmológicos. Mas, vá, tenho a desculpa de ter estado praticamente 2 horas à espera.
Depois dessa máquina, que me deixou a ver luzinhas durante bastante tempo, passei para uma que me analisou a retina. Uma espécie de TAC ao olho.
No final, o professor disse que a minha velhice prematura dos nervos oculares não tem que ver com má vascularização, que será um defeito de fabrico ou - muito provavelmente - o resultado de muitos medicamentos para os ataques de asma. Que bom. Não me bastava ter mãos de velha (como alguém, anónima e tão simpaticamente, referiu aqui), agora também tenho olhos de velha. Canário!
Disse ainda para não abusar das lentes de contacto, para colocar lágrima artificial sempre que as tiver, para ir amadurecendo a ideia de operar a laser (uiiiii... vai ter de ser um amadurecimento looooongo), e para passar bem.
A consulta era às 19h. Saí de lá às 22h. Mas mais descansada. Não tenho a pressão elevada, as minhas dioptrias mantêm-se, não tenho nenhuma doença que me vá cegar (um hipocondríaco pensa em tudo). Ok, os meus olhos já chegaram à terceira idade. Talvez seja porque já viram muitas coisas. Eu, pelo menos, gosto de imaginar que é por isso.

Ok, this is it

A partir de hoje, acabou-se.
Apareceu por aí uma anormal que se dedicou a insultar algumas das pessoas que comentam, aqui no blogue. E uma coisa é virem para aqui insultarem-me a mim, que estou muito acostumada a lidar com a miséria humana no seu mais profundo esplendor. Outra coisa é virem para aqui ofender outras pessoas. É de uma pobreza infinita. De uma falta de educação e de chá que dá pena.
Por isso, a partir de hoje acabou.
Não entra mais nenhum comentário idiota. Nem os vou ler por inteiro. Vão logo com os porcos, que vai ser uma alegria.
Mas essas pessoas, que garantem odiar este blogue mas persistem em voltar para ofender, deviam seriamente procurar ajuda. Há tanto bom psicólogo, tanto bom psiquiatra. A sério. Há por ai gente a precisar urgentemente de ajuda. Mas aqui não vao aparecer mais, que eu não tenho formação para as ajudar. O botão que vos apaga vai começar a trabalhar.
Adeuzinhoooooo!
Ah e... get a life! Please get a life.

E agora...

... vou ali entrevistar crianças e depois vou ao oftalmologista (finalmente) e depois devo ir ao El Corte Inglés e de maneiras que é isto.

Flores


Não é dia de nada. Mas apeteceu-me.
Sempre mandámos ramos de flores um ao outro, sem ser preciso ser dia de qualquer coisa.
Gosto de te enviar flores para o emprego, para ficares com aquela cara embaraçada, sem saber o que dizer quando os colegas comentam.
Gosto de ti, já sabes.
E gosto de rosas. Vermelhas. Cheias de vida e de paixão e de boas energias. Como nós dois.

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