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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Nova busca

Esta não é para mim, mas para uma amiga jornalista:
1 - Pessoas que não durmam. E que, depois, adormeçam em toda a parte. A falar com amigos, em pé. Pessoas com distúrbios sérios do sono.

Estas são para mim:
1 - Ex-católicos que se tenham convertido ao islão ou a outra religião.
2 - Infiéis confessos, que não se importem de dar a cara e dizer: sim, eu sou um infiel inveterado e não há nada a fazer (também podem ser casais, daqueles com relações abertas, ora agora vou eu pular a cerca, ora agora vais tu).


Há por aí pessoas nestas circunstâncias?
Muito e muito obrigada.

Madalena

A Madalena está melhor da bronquiolite, graças ao amigo Ventilan e à amiga cinesioterapeuta, que lhe esborrachou os pulmões até sairem montanhas de porcaria.
A Madalena já gatinha, ou melhor, rabinha (desloca-se arrastando o rabo).
A Madalena faz burrinho velho, assobia (ou seja, sopra), bate palminhas (a preferida dela), diz adeus e dá beijinhos.
Este fim-de-semana, a Madalena estreou-se nos passeios de bicicleta da família. De capacete e casacão, provavelmente a pensar "Mas que raio é isto agora?"
A Madalena tem 8 meses e mostra os dentinhos às pessoas, sorridente que só ela.
Nós, cá por casa, andamos mesmo apaixonados por ela. Os meus rapazes, então... ui! A Madalena é o ai-Jesus deles. Cheira-me que os magarefes que se queiram aproximar dela, daqui a uns anos, estão bem tramados com eles.

Hoje, nas bancas, Nós Tristes (revista do jornal i)

Com um trabalho sobre a Servilusa e outras coisas bonitas, que vale a pena ler, entre elas aquela história da rapariga (hoje uma mulher) que foi fazer uma cirurgia para tirar pedras da vesícula e ficou numa cama, sem se mexer, sem falar, sem ver, mas... lúcida. E que está assim há 15 anos, numa tristeza sem fim.

P.S: Obrigada pelos desejos de melhoras. Agora, além de mim, a pequena Mada também está mal. Na quinta às 2 da manhã fui com ela para o hospital porque não respirava quase nada. Estava aflita, muito aflita. E lá ficou, uma hora e picos, a fazer aerossóis e a receber oxigénio, a pobrezinha. :( Só me lembrava o meu Martim, que aos dois meses ficou uma semana internado, com uma bronquiolite que não o deixava respirar.
QUANDO É QUE VEM O SOL, QUANDO??!

Pedro Choy


Fotografia de Gonçalo F. Santos

Para quem não leu a revista Nós deste sábado, aqui fica um dos textos. É a história de Pedro Choy. Uma verdadeira inspiração para quem tem a mania de se queixar muito da vida e fazer pouco para lhe dar a volta. Adoro pessoas assim.


Olhando para ele, para a forma dominadora como fala, para o modo seguro como trabalha, avaliando as 18 clínicas que tem, espalhadas por todo o país, ostentando o seu nome, metade português, metade chinês, “Clínicas Dr. Pedro Choy”, medindo e pesando o homem, o médico, Pedro Choy, ninguém diria, dessa análise precipitada e ligeira, que nasceu pobre. Mas nasceu. Muito pobre. Tão pobre que só teve electricidade aos 15 anos. Tão pobre que as instalações sanitárias da sua pobre casa, em Almeirim, eram no fundo do quintal e consistiam num buraco feito no chão, rodeado por uma cabana de madeira feita por si e pelos irmãos, com tábuas e pregos. Tão pobre que, todos os anos, Pedro Choy e os irmãos tapavam esse buraco com terra e abriam outro buraco ao lado.
Pedro Choy nasceu em Macau e veio com três meses para Portugal, mais concretamente para Almeirim, onde vivia uma avó (mãe do pai). Um ano depois, rebentou a guerra colonial e o pai foi para Macau, onde ficou 14 anos. A mãe de Pedro Choy, chinesa, ficou sozinha com quatro filhos, três rapazes e uma rapariga, numa terra estranha, sem falar uma palavra de português. “A minha mãe, além de ser chinesa, vestia-se de uma forma completamente chinesa. Naquela altura, em Almeirim, nunca ninguém tinha visto um chinês. As pessoas andavam atrás dela como quem vê um extraterrestre. Faziam fila para a ver. A ponto de, um dia, ela ter desatado a fugir e ter caído, porque tinha medo. Por outro lado, o meu pai era o único adulto com quem ela conseguia falar, dado que não falava português. É uma sobrevivente, a minha mãe. Uma mulher muito especial.”
Quando chegou a Portugal, e sobretudo a Almeirim, a mãe de Pedro Choy desconfiava que algo de muito sério se passava. Acostumada à densidade populacional da China, estranhava a escassez de pessoas. “O meu pai assegurava-lhe vezes sem conta que não havia nenhuma espécie de guerra, que estava tudo bem. Não havia nem guerra, nem peste, nem epidemias. Porque ela não conseguia acreditar que a população da terra fosse mesmo só aquela, que não estava ninguém escondido.”
A avó de Pedro Choy morava numa casa igualmente pobre, com chão em terra e divisões improvisadas pelos netos, com tábuas. Era cauteleira e vidente. Na terra era conhecida como “a bruxa”. “Lembro-me de passar de ouvir as pessoas dizer: ‘Lá vai o neto da bruxa’. Não foi fácil. Fomos vítimas de chacota, não só por sermos pobres mas também por sermos chineses. No meu caso, por exemplo, inventavam-me nomes. Chamavam-me ‘Choy-Roy-Foy-Coy-Moy…’, tudo acabado em oy.” Mas Pedro foi educado para ser forte. O pai ensinou-o a dar como resposta: “Pois é. É por isso que sou melhor do que tu.”
Pedro Choy e os irmãos cresceram e fortaleceram-se, num ambiente hostil. Apesar da pobreza, os “filhos da chinesa” e “netos da bruxa” nunca andaram sujos nem nunca passaram fome: “Podíamos usar roupas usadas, velhas, dadas, mas estavam limpas. Podia não haver dinheiro para comprar carne mas tínhamos, pelo menos, arroz todos os dias. Arroz e leite. Não passávamos fome, do ponto de vista quantitativo.”
Passar fome, passou mais tarde, enquanto estudante universitário. Quando pediu uma bolsa de estudo e a viu recusada, Pedro Choy sentiu uma revolta grande. “Eu era a pessoa mais pobre do meu curso. Se eu não tinha direito à bolsa, quem é que tinha? Investiguei e descobri que os bolseiros eram filhos de empresários, que pura e simplesmente não faziam declarações de rendimentos.”
E assim, sem bolsa, foi trabalhar. De resto, mesmo antes de entrar para a faculdade, aos 14 anos, prevendo qualquer dificuldade tentou armazenar dinheiro e trabalhou na Compal, em Almeirim. Era higienista, nome pomposo que, na prática, significava lavar a fábrica toda. “Foi o cargo que escolhi porque era o mais bem pago. Tinha um subsídio de risco porque era necessário lavar as máquinas por dentro. E às vezes havia acidentes. Além disso, era preciso carregar às costas sacos de 50 quilos de soda cáustica. E a soda cáustica, como o nome indica, é...cáustica.”
Além desse trabalho, teve outros: na apanha do tomate, nas vindimas, como servente de pedreiro. Mas o dinheiro amealhado não foi suficiente e, na universidade de Coimbra, onde foi tirar Medicina, passou fome. “Comia uma vez por dia, ao almoço, na cantina da universidade de Coimbra. Não tocava na maçã e no pão. Embrulhava-os e levava para casa, para me servirem de ceia. É difícil dormir quando se tem fome.”
Para dar a volta, rompeu com uma das suas convicções, a de que ensinar karaté devia ser gratuito. “A fome faz repensar algumas convicções”. Algum tempo depois de se tornar mestre de karaté, convidaram-no para ser segurança. Foi segurança de discotecas e, mais tarde, foi convidado para ser guarda-costas. “Fui guarda-costas de algumas figuras conhecidas por esse mundo fora. Era contratado para fazer reforço de segurança, ou seja, em circunstâncias de perigo. Isso permitia-me trabalhar durante duas semanas, três semanas, um mês, a remunerações absolutamente impensáveis.”
Pedro Choy chegou ao 4º ano de Medicina mas depois interessou-se mais por um curso de Medicina Tradicional Chinesa, na Universidade de Marselha. Os outros dois irmãos são médicos e a irmã é bióloga e uma das mais reputadas investigadoras na área da genética. Uma família de vencedores. Talvez porque o pai sempre lhes tenha exigido o máximo, que fossem os melhores. Talvez porque cresceram a ver a mãe num empenho extraordinário para cuidar de quatro filhos numa terra estranha, onde era vista como um extra-terrestre. Talvez porque sim, porque lhes está na massa do sangue. Pedro Choy tem 18 clínicas, espalhadas por todo o país, ostentando o seu nome, um nome que foi alvo de zombaria e que hoje é um nome de sucesso. Ninguém diria que o homem por detrás do nome nasceu pobre. Mas nasceu. Muito pobre. A prova provada de que é possível mudar o destino. Ou, como diz o provérbio chinês: “É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão.”

* Texto publicado na revista Nós, do jornal i, de Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

Sinais de Fogo

Da primeira vez, gostei dos Sinais de Fogo. Eh lá, jornalismo a sério, que saudades, o gajo a apertar o Sócrates e o Sócrates, como sempre, a sair-se lindamente, que se há político que está preparado para as entrevistas é este, honra lhe seja feita. Da primeira vez fiquei mesmo entusiasmada, sim senhor, que maravilha, um jornalista bem documentado, sem paninhos quentes, a fazer as perguntas que realmente interessam, toma lá esta e agora vê como é que te desenrascas.
Desta vez, porém, detestei. O Gonçalo Amaral terá dito duas frases, vá, três. O que se viu foi um monólogo do jornalista, que defendia a sua própria tese sem dar hipótese ao outro de responder. E pior que isso foi vê-lo a introduzir temas e depois, quando o ex-investigador da PJ estava prestes a responder, zás, "Não vamos falar do Caso Joana". Não vamos? Então para que é que o introduziu?
Gosto muito do Miguel Sousa Tavares, admiro o seu trabalho desde que ainda usava camisolas com vaquinhas. Mas hoje... hoje aquilo não foi jornalismo, foi uma crónica, um monólogo, um combate de boxe contra um fulano algemado.

Escola, escolinha


É tão linda. E diz que vai ser construída. E diz que as obras começam já em Março. E que as aulas têm início já no ano lectivo de 2010/2011. E eu, que tanto pedi aos santinhos para que isto acontecesse. E fica a 5 minutos a pé de casa. E é do pré-escolar (3 anos) ao 12º ano. E eu passo pelo terreno vazio todos os dias, a ver se há novidades. E primeiro plantaram umas árvores. E depois puseram uma placa, a anunciar que ali ia nascer uma escola. E eu todos os dias peço com força. Porque tenho três filhos e o colégio é muito caro para mim. Para nós. E uma escolinha nova, a estrear, vinha mesmo, mesmo a calhar. E é isto. Amanhã vou passar por lá outra vez, a ver se já se vislumbra uma retroescavadora bonita. E acho que, mal comecem as obras, vou lá todos os dias, levar o lanchinho aos senhores e incentivá-los a trabalhar. Meus grandes queridos, toca a fazer esse cimentozinho em condições, faz favor, cá beijinho, meus grandes queridos, cá beijinho.
UMA ESCOLA PÚBLICA A 200 METROS DE CASA É UM SONHO. OXALÁ NÃO SEJA SÓ ISSO. OBRIGADINHA.

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