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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Agenda

Todos os anos é a mesma coisa. Passo, de uma agenda para a outra, os aniversários de toda a gente, que escrevo no topo das páginas, a encarnado. Ora, há pessoas que eu não vejo há 10 anos. E, ainda assim, continuo a escrever o seu aniversário ou o aniversário de casamento ou o aniversário dos filhos e até os aniversários dos baptizados dos filhos, coisas que, em alguns casos, já só mesmo eu é que saberei.
Custa-me tirar pessoas da minha agenda, mesmo quando é gente que foi feia comigo, gente que eu garanto que nunca mais vou ver nem perdoar. Parece que, ao retirá-los dali, desaparecem do mapa. Do meu mapa. E isso custa-me. Gosto de chegar a dia tal e pensar: olha, aquela cabra faz anos; onde é que andará?; sacana, como se portou mal comigo! E pronto, seguir em frente. É como se tivesse de os ter na minha agenda, para não me esquecer do que me fizeram. E, em alguns casos, sentir pena de os ter perdido. É, talvez, uma forma de luto.
Às vezes, digo ao Ricardo: Sabes quem faz anos hoje? Fulano. Ele ri-se. Xinapá, fulano... O que será feito de fulano? E acaba sempre a perguntar: Mas porque raio tens tu ainda essa data na agenda?
Não sei. Sei que ainda ontem, quando passava as coisas para a agenda nova, fiz o mesmo. Houve um ou outro nome que estiveram mesmo à beirinha de ficar para trás. Mas... não consegui. Este ano ainda constam. Para o ano logo se vê.

De como falar do medo afasta o medo

Conversa com duas amigas no messenger:

Eu: Estou tão cansada. Acho que tenho um cancro. Mal consigo levantar os braços. Amanhã vou fazer análises.
A: Já te está a cair o cabelo?
Eu: Não, ainda não comecei a fazer quimioterapia...
A: lololololol. Agora ri-me mesmo.
Eu: Se tivesse vocês ficavam tristes? Choravam?
A: Era capaz.
Eu: Iam comigo aos tratamentos?
A: Se a S. me desse boleia...
Eu: Olhavam pelos meus meninos?
A: F***-se! Isso não!
S: Vocês não estão a ter esta conversa parva, pois não? Cansaço não é cancro. Começa com c mas não é a mesma coisa, pá.
A: Se tiveres cancro é onde?
Eu: Com este cansaço todo, deve ser leucemia...
A: Ah. Olha, então quando tiveres os resultados vê se não pões no blogue, está bem? Diz-nos primeiro. Vais onde, fazer as análises?
Eu: Vou à Cuf.
A: E eles dizem logo: pumba, cancro.
Eu: ahahahah
A: Pumba: podes esquecer o freelance
A: Pumba: três filhos orfãos de mãe
S: Só espero que amanhã a esta hora as lágrimas não nos estejam a escorrer pela cara abaixo.
A: Porra. Estás parva?
S: Porque eu vou ficar muito triste, sim
A: Mas alguém falou em cancro?
S: E vou chorar, sim
A: Não tens sentimentos?
S: P*** de m****
A: C******
S: F***-se

Acho que, se falarmos e gozarmos com estas coisas, elas fogem. Pelo menos nós gostamos de acreditar que sim. Não há melhor que falar do medo para ele meter menos medo.
Uma outra amiga, num outro chat, disse: Tu estás é cheia de culpa por estares a ter uma vida óptima, enquanto freelancer.

Gosto muito das minhas amigas.
São poucas mas muuuuuuito boas!
Amanhã faço análises. Hei-de estar rija e para durar. Se não durmo é natural que esteja cansada, certo? Pronto. É isso.

Moleskine A5: extensão cerebral

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Se alguém souber onde é que eu posso encontrar a agenda A5 (um dia por página) para 2010 da Moleskine, por favor diga-me. Este ano distraí-me e agora... batatas. Já procurei em imensos sítios e dizem-me sempre que não há.
Sempre escrevi tudo o que tenho de fazer e o que fiz e agora, desprovida de agenda, sinto-me desprovida de cérebro. Ainda por cima sem dormir! Teme-se o pior. Acabo de marcar duas entrevistas em cadernos, tenho milhões de coisas marcadas em folhas e postits... SOCORRRRRRO! Se a virem, por favor, digam-me onde. Sem agenda sou um vegetal.

Zombie

A Madalena continua a acordar de três em três horas para mamar. Tem seis meses e continua nesta vida. Já come sopa mas segue pedindo mama, de três em três horas.
E eu confesso: à noite, quando ela chora, chego a odiá-la. Pego-lhe com brusquidão, nem consigo olhar para ela. Estou tão cansada. Mas tão cansada. Depois, de manhã, estou toda arrependida de não ter tido paciência, de ter sentido aquela raiva por estar a ser, mais uma vez, arrancada ao sono.
O pior é quando acabei de adormecer e estou lá bem fundo. O choro dela, nessa altura, funciona como um estalo na cara. Põe-me louca. E não é só de três em três horas que chora. Pelo meio berra várias vezes, porque lhe caiu a chucha, porque tem dores, porque quer conversa. Chego a ter dificuldade em adormecer, com medo de ser despertada no momento seguinte. AAAAAIIIIII!
Estou a começar a dar o tilt. Eu só queria dormir uma noite inteira.

Adeus pequeno pónei. Olá eu!

Hoje passei uma hora e meia na depilação. Já me assemelhava a um pequeno pónei e lá estive, deitada na marquesa até me doer o corpinho, sobretudo do frio, uma vez que o ar condicionado estava avariado e eu me encontrava, literalmente, em pêlo. À medida que o tempo foi passando, fui ficando cada vez mais gelada e branca e, a páginas tantas, tive de dizer à querida Márcia para apressar a coisa, que eu estava a ficar perigosamente parecida com um cadáver.
E agora aqui estou, lisinha e fantástica, muito mais nova graças ao aparo nas sobrancelhas, muito mais jeitosa sem penugem alguma.
Odeio depilar-me porque me dói e chateia-me ir, de livre vontade, para um lugar onde me inflingem sofrimento. Mas adoro sentir-me mulher outra vez e não um urso panda.

Casar com quem se quer

Ontem a Assembleia da República aprovou algo que há muito devia estar mais do que aprovado. O casamento entre pessoas do mesmo sexo. Felizmente que caminhamos para uma sociedade menos discriminatória, em que cada um é feliz da maneira que quer e bem entende. Os que discordam têm bom remédio: continuam a casar com pessoas de sexo oposto. Boa? É que esta lei não obriga ninguém a casar com alguém do mesmo sexo... podem ficar tranquilos.
Só é pena introduzir-se na lei uma adenda discriminatória, que impede os casais homossexuais de adoptarem crianças. Mas, pronto. Devagar se vai ao longe e eu acredito que caminhamos na direcção certa. Ontem foi um dia muito importante e, se não tivesse gravação do programa de rádio, teria ido à escadaria da Assembleia da República brindar com quem lá estava, feliz, a celebrar.

Gonçalo

O Gonçalo apareceu.
Entregou-se num posto da polícia, em Espanha. A todos os que divulgaram, obrigada.

Gonçalo: não te conheço de parte nenhuma, não somos amigos, se nos conhecêssemos podíamos até não gostar nadinha um do outro. Mas fiquei muito feliz por teres tomado essa decisão, antes que alguma coisa muito má pudesse acontecer-te. Quando tinha a tua idade, fiz mooooontes de parvoíces. Também saí de casa, só não tive a coragem de ir mais longe do que para uns metros ao lado. Achava que a minha mãe não me entendia, que ninguém me entendia, achava que nao encaixava em lugar nenhum. É uma porra, a adolescência. I've been there!
Mas olha, os senhores que tens em casa gostam de ti muuuuuuiiiiiito mais do que possas imaginar. E deves ter feito uma boa mossa nos seus corações. Patareco. Se quiseres tens aqui uma tia emprestada, que não é tão cota como os teus pais e passou por tudo isso há menos tempo que eles. Se quiseres conversar, desabafar, dizer uns palavrões... força. Não é fácil crescer. Mas, se não te puseres a dar corda aos sapatos por esse mundo fora, se respirares fundo e aguentares o tranco, acredita, tudo será melhor.
O meu email é sonia.morais.santos@gmail.com.
Se te apetecer falar com uma desconhecida, que não vai dar lições de moral, estás à vontade. Se não te apetecer, estás à vontade, também. Faz-me só um favorzinho. Mantém-te em casa, são e salvo. Sim?

Meninos/ Menina

Uma senhora deixou um comentário, muito simpático, muito carinhoso, a dizer que eu ando a prestar mais atenção à menina, pedia para ter cuidado com os rapazes, porque ela própria tinha irmãos que se ressentiram toda a vida com ela porque os pais a tratavam com uma princesa, negligenciando um pouco os dois miúdos. A senhora acrescentava que os meus últimos posts têm sido só sobre ela, sobre a Madalena. Onde andam os seus rapazes?, perguntava.
Minha querida, obrigada. Tem razão, os rapazes andam arredados do blogue, é preciso ter cuidado, sem dúvida. Mas aqui, deste lado da vida, aqui onde estou e onde sou (e não no blogue, pequeníssima parcela da minha existência), os meus rapazes estão no mesmo lugar que a Madalena. Mesmíssimo. E não minto. Nem escondo uma realidade que eu própria não queira ver. Os meus rapazes são os meus ai-Jesus. Ainda há dias fui com o mais velho ver um filme pouco próprio para o mais novo. Passada uma semana, arranjei um estratagema: fui com o mais novo ver o Alvin e os Esquilos, e o mais velho foi à mesma sala, com o pai. Mas ficaram mais atrás, para que o Martim não visse que o irmão também foi ao cinema, e se sentisse especial por ir, também ele, sozinho com a mãe.
Sei lá. Tantas coisas. Tenho ido buscá-los todos os dias à carrinha, às 17 horas. e lanchamos bolos e sumos e eles contam as coisas da escola. Nas férias fomos com eles à Kidzania, onde ficámos seis horas para que experimentassem tudo e mais alguma coisa. Os meus rapazes são o meu amor... eu sempre quis ter rapazes, pode não acreditar mas é a verdade-verdadinha,
A razão pela qual a Madalena tem aparecido tanto aqui no blogue é porque é um bebé. Uma novidade. Uma gracinha. Não creio que seja por ser menina. É só um bebé. Cheiroso. Com refegos. Coisa boa e irresistível. Quem aguenta um bebé sem ficar apanhadinho? Difícil...
Não se preocupe, a sério... mas agradeço mesmo muito. Ficará aqui um sinal de alerta, para o caso de algum dia sentir que estou a privilegiá-la. Mas parece-me uma impossibilidade. Tenho pavor de preferidos, tenho horror a discriminações, a crianças sentindo-se postas de lado, tenho uma antena que apita sempre que alguém chega e pega logo na bebé: arregalo logo os olhos, apontando para os dois manos.
Gostei muito do seu comentário. Não me ofendeu nada. Obrigada. :)