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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Gémeos

Se pudesse chegar ao fim do tempo, a Madalena seria do signo Caranguejo. Um bom signo, diz que é gente caseira, agarrada à família, gente assim a atirar para o fofinho. Mas, por causa das cesarianas anteriores, do risco de ruptura uterina, a Madalena terá de ser Gémeos. Ou seja, tem de nascer nos próximos 15 dias, mais coisa menos coisa.
Ora... eu não tenho uma grande impressão dos Gémeos. Quer dizer... a minha irmã, que eu adoro de paixão assolapada, é Gémeos. E eu não deixo de a adorar. E nem acho que tenha assim um feitio tão insuportável. Não é uma miúda fácil, mas a verdade é que sempre o atribuí a outras razões, mais do que ao signo. Só que não têm conta as pessoas que me reviram os olhos sempre que digo que a Madalena será Gémeos, como se a miúda me fosse sair muito próxima do demo.
Por isso, Gémeos que lêem o Cocó, por favor, digam de vossa justiça! Defendam-se. Descrevam as vossas qualidades extraordinárias. Convençam-me, no fundo, a não meter uma rolha aqui na porta de saída, para a miúda me sair só a partir de 21 de Junho e ser um dócil Caranguejo.
Afinal, os Gémeos são boa gente, ou quê?

Secos e molhados

Há bocado os miúdos estavam lá fora, no condomínio, a jogar à bola, como acontece sempre que o tempo permite. Eram, ao todo, seis miúdos, mas às vezes são 8, outras mais de dez, todos das mesmas idades, todos rapazes, todos a aproveitar o tempo até chegar a primeira voz de comando de uma mãe ou de um pai que chama para jantar. De repente, o sistema de rega automática disparou. E o Martim não resistiu. E deixou-se encharcar até às cuecas. Rodava na direcção da água, ria que nem um perdido, batia com os pés na terra feita lama, feliz. Da sua varanda, a minha mãe acenava, desesperada. Gritava com ele, que não podia ser. Gritava comigo, que vivo em frente, para o mandar para casa. Sentei-me no terraço, encolhi os ombros e fiquei, enternecida, a vê-lo, tão feliz, tão livre, tão criança.
Este é o grande paradigma que marca a grande diferença entre mim e a minha mãe. Naquela cena ela viu falta de regras... e doença. Constipação, gripe, pneumonia, até. Eu, pelo contrário, naquela cena só vi felicidade. Liberdade. Prazer. Se não for agora, aos 4 anos, quando é que ele vai deixar-se encharcar por um sistema de rega? Às vezes acho que um dos grandes problemas dos pais é quererem que os filhos se comportem como adultos em miniatura. E confundem educação com castração. Felizmente, julgo não sofrer desse mal. E assim, deliciados, eu e o Ricardo ficámos a ver o Martim a dançar com a roupa colada ao corpo, e o Manel com as mãos na cabeça, a olhar para nós em busca de aprovação ou censura. Sorrimos-lhe como que a dizer: vai tu também, força! E ele foi, com aquele sorriso de quem está a cometer uma infracção consentida.
Que belo fim de tarde.

Família de (pouco) acolhimento

Por favor, este é um pedido de esclarecimento a quem saiba esclarecer. Porque eu não sei mesmo a resposta e pode ser que a resposta me ajude a perceber. Porque sem saber a resposta eu só acho a lei idiota, completamente desprovida de sentido. Mas pode ser por não estar a ver bem a lógica, a razão, o enquadramento.
A minha dúvida, agora, não tem nada que ver com o "caso Alexandra". É uma dúvida geral: Porque raio não podem as famílias de acolhimento acabar por adoptar as crianças que acolhem e com quem estabeleceram laços? É que não podem! Ou seja: uma família decide ser família de acolhimento. Pronto. Pensa: Ok, vamos ajudar esta pobre criança a não estar enfiada numa instituição e vamos aqui mostrar-lhe o que é uma família. Tudo começa assim, sem grandes ligações afectivas e tal. Mas depois, com o tempo, todos criam laços fortes. E esta família pensa: "é pá, e se a gente adoptasse esta criança, que é já como se fosse nossa, no nosso coração?" E depois vai-se a ver e não podem. As famílias de acolhimento não podem adoptar aquela criança que acolheram. Mas isto faz sentido para alguém? Alguém consegue explicar-me porquê, que eu não estou a chegar lá? Então é melhor para a criança ser abandonada duas vezes? Pela família de origem e pela família de acolhimento? É o quê, isto? Um jogo? O jogo do "vamos lá ver quantas vezes conseguimos destruir a vida a este puto?"
Muito agradecida a quem me guie nas teias desta lei que não entendo. Muito agradecida.

Alexandra

Eu não queria ter visto o que ontem vi, no Jornal da Noite da SIC. Não queria. Não sei se viram. Mas a televisão russa fez um documentário sobre a Alexandra, a menina que esteve toda a vida confiada a uma família de acolhimento portuguesa e que agora, aos 6 anos, foi arrancada da família e levada para a Rússia, para a guarda de uma mãe que tudo indica ser alcoolica, prostituta e desequilibrada. A menina não fala uma palavra de russo e chorou como uma desesperada no dia em que a retiraram da família que, não sendo biologicamente sua, era a sua. A única que conhecia.
Ontem eu não queria ter visto no documentário a mãe a açoitar violentamente a criança, apenas porque ela disse que queria ir ter com a irmã Valéria (de Portugal), desejo mais que compreensível e que permanecerá seguramente por muito tempo.
A Alexandra está há uma semana na Rússia e já apanha tareias. A Alexandra ainda está a aprender que aquela é a sua nova mãe e já é castigada como se as duas tivessem uma relação inquebrável. E o pior: tudo isto se deu à frente de uma câmara de televisão, de jornalistas que faziam o documentário. A pergunta é: o que fará aquela família quando não houver câmaras por perto?
Não pensei que, tão pouco tempo depois da Esmeralda, houvesse outra história em que o "superior interesse da criança" viesse assim partir-me o coração.

Correcção: A Valéria é, afinal, a irmã russa. Um anónimo feroz instou-me a ser mais correcta com a informação. E eu, cheia de medo e obediente, aqui estou. Mas tenho a dizer o seguinte: se a mamã lhe dá pancada porque a menina pede para ir ter com a irmã russa (também sua filha), o que lhe fará quando a criança lhe pedir para ver ou falar com a família portuguesa? Nem é bom imaginar.

Anatomia de Sloan


Este senhor é médico, numa das minhas séries preferidas, postadas aqui em baixo. Chama-se Eric Dane, mas para mim é o Mark Sloan. E ainda bem que não é o meu médico, porque ter tensão alta é grave, sobretudo na gravidez. O meu homem não vai gostar deste post, mas hoje está um dia feio, acordei com cara de segunda-feira (apesar de estar de férias) e apetecia-me um colírio para a vista. Afinal, sou casada e feliz mas continuo a ter olhinhos na cara. E bom gosto. Pronto.

Séries

A Gata desafiou-me a desfiar as minhas 15 série favoritas... Hum... Estou um bocadito desmemoriada, já que os meus neurónios andam ocupados com o fabrico de outro ser humano, mas vou tentar. Cá vão, então, sem ordem cronológica ou hierárquica:
- Anatomia de Grey
- O Sexo e a Cidade
- Serviço de Urgência
- CSI
- Balada de Hill Street
- O Justiceiro
- Modelo e Detective
- Dempsey & Makepeace
- Verão Azul
- Macgyver
- Norte/ Sul
- Miami Vice
- Fama
- Seinfeld
- Alô Alô
- Tudo em Família

Ops! Já estão 16. Cá estão eles, Gata. Com atraso mas... cá estão eles. :)

Cum catatau!

Disto nunca eu tinha visto na televisão. E assim fiquei, de mão a tapar a boca e olhos arregalados. Muito bom! Só faltou andarem à chapada, mas não duvido que isso ainda venha a acontecer no Jornal Nacional da TVI, à sexta.

Há Ovar, há ir e voltar

E lá fui, a Ovar primeiro, a Vila do Conde depois. Sentadinha no banco de trás, que o G., tão querido, arranjou uma carrinha Mercedes para eu ir mais confortável, e levámos a minha irmã para me agarrar na mão caso o parto se tornasse iminente. Ao todo fizemos 730 quilómetros, entre a ida e a vinda levámos 12 horas, mas foi bom, um dia de férias bem gasto com histórias boas de ouvir, pessoas boas de conhecer, gente que nos muda por dentro. De ter estado tão sentadinha e de pernas esticadas nem uma contracção tive, nem uma dor, só aquele desconforto provocado pelas voltas que a rapariga dá, tão bruscas e violentas que chega a parecer que moram cardumes de trutas dentro da minha barriga. E agora sim, vou sossegar. Prometo. Sopas e descanso e pouco mais. Em breve a Madalena chega cá a casa. E aí é que se acaba o sossego de vez. A todos os que se preocuparam, chamaram parva, irresponsável e deram conselhos de hospitais onde desovar, caso chegasse a hora, muito e muito obrigada. A maluca já chegou a casa, sã e salva e (ainda) grávida até dizer chega.

Ovar ou desovar, eis a questão

Amanhã parto para Ovar, às 7h da manhã. Estou um pouco apreensiva, confesso. Quando todos à minha volta dizem que sou maluca por fazer esta viagem grávida de 35 semanas e com o útero esticadinho na zona das cicatrizes... e com contracções, e tão cansadinha... é inevitável que me sinta um pouco na dúvida: serei maluca? Irresponsável? Workaholic? Estúpida?
Será que acabo a desovar... em Ovar?

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