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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

O Poço da Cidade*

Por causa de um trabalho que vai sair na Time Out da próxima semana, liguei ao jornalista Appio Sottomayor. Queria pedir-lhe ajuda, a ele que é um estudioso e apaixonado por Lisboa, a ele que já por mais de uma vez me ajudou não dizer disparates quando me ponho a falar da minha cidade.
Liguei-lhe e, como sempre, ele deslumbrou-me ao desfiar conhecimentos, um atrás do outro, com uma graça rara, com a leveza de quem conta um conto. Appio Sottomayor sabe. Sabe muito. Lisboa está na palma das suas mãos e eu fico entre a inveja de saber tão pouco e o deslumbramento de o ouvir perguntar "E sabe de onde vem a expressão 'Andar a nove'?", para de seguida começar a explicar, como se fosse um avô a ler uma história a uma criança. Em dez minutos aprendi imenso. Sobre galegos e "meias desfeitas", sobre os bifes do Faustino, sobre as obras de Santa Engrácia, sobre outras expressões, como o "Ficar a ver navios".
E quando desliguei fiquei a pensar que me faz falta, que nos faz falta, a nós jornalistas novos, umas boas conversas com os jornalistas de outros tempos, que sabem tanto, que viram tanto, que viveram tanto. Fazem falta, em todas as redacções, homens e mulheres com memória. Mesmo que se quisessem reformar (e não fossem, como tantas vezes acontece, compulsivamente reformados - ou, pior, despedidos), era contratá-los como consultores. Para os ouvir, para aprender com a sua memória. Mas não. Os jornalistas de hoje tendem a desprezar a chamada "velha guarda". É pena. Talvez devessem, todos, ligar ao Appio. Talvez assim, em apenas 10 minutos, compreendessem o quão importante é ouvir quem já viveu. E quem sabe.


*O Poço da Cidade era o nome de uma crónica lisboeta que Appio Sottomayor teve, durante anos, no extinto jornal A Capital. O Poço da Cidade é também o nome de dois volumes de livros, que são, justamente, a reunião dessas crónicas.

Um prémio, duas vezes. Obrigadinha...



Bem... As pessoas são fofinhas. Queridas. Atenciosas. E eu? Uma mula. Já me propuseram vários desafios, aqui na blogosfera. E quase sempre... esqueço-me. Passa um dia, passam dois... e depois já não sei em que post me deixaram o desafio, procuro, vasculho, não encontro, praguejo, insulto, raios parta a isto, onde está o desafio, onde está que não o vejo... E pronto. Passa. Imagino que me achem uma pedantezeca que não alinha em nada. Não é por mal. Falta-me o tempo.
Há uns dias este blog deu-me um prémio. Este prémio. Mas era tão complicado... fui deixando passar. Até que este blog me atribuiu hoje o mesmo prémio. E aí pensei: caramba. Não pode ser. Tenho de tratar disto. E aqui está ele.
O meu muito e muito obrigada às duas alminhas caridosas e amigas dos dois blogs. Agora tenho de publicar aqui as regras deste prémio. E as ditas são:
1. Exibir a imagem do selo "Olha que Blog maneiro"
2. Postar o link do blog que nos premiou
3. Indicar 10 blogs da nossa preferência
4. Avisar os premiados
5. Publicar as regras
6. Conferir se os blogs indicados (isto é, que nos premiaram) passaram o selo e as regras
7. Enviar uma fotografia nossa ou de um (a) amigo (a) para olhaquemaneiro@gmail.com , juntamente com os 10 links dos blogs indicados para verificação; caso os blogs tenham indicado o selo e as regras correctamente dentro de alguns dias você recebera uma caricatura em P&B;
8.Só valerá se todas as regras acima forem seguidas!

Ufa... Isto não é fácil. Então cá vão os 10 blogs da minha preferência, sem ordem:
a gata christie
a pipoca mais doce
tricotar a vida
perante o riso geral
é inutil resistir
luz de estrelas
a fast song
pedro rolo duarte
oito e coisa
respirar o mesmo ar


E pronto. Obrigada a quem nomeou o cocó. E desculpem o meu desleixo.

Não dói, morreu, está morto, mortinho

O meu dente foi finalmente exterminado!
A dentista cheia de medo. A anestesiar. Depois a introduzir o aspirador na minha boca, temendo que eu gritasse, como da outra vez, só com a dor causada pelo frio.
- Não dói?
Não doía.
A seguir, a dentista a experimentar a água fria directamente no dente. A medo. Sempre de olhos postos nos meus, à procura de sinais de sofrimento.
- Não dói?
Não doía.
Em seguida, a dentista a escavar, a escavar, com a broca maldita. Eu, que cortei as unhas rentes com medo de me mutilar (da outra vez fiz vincos fundos na minha carne, de tanto fincar as unhas), só imaginava a broca a chegar ao nervo e aquela dor a dilacerar-me de novo.
Mas não.
A broca chegou, enfim, ao nervo. E aí, dentista e assistentes bateram com as mãos umas nas outras, como quem dá cinco. Felizes, aos vivas!
- Chegámos ao nervo! Chegámos ao nervo! E não lhe doeu! Boa! Vamos dar cabo dele!
E deram.
E não doeu.
Bendito anti-inflamatório. Bendito Dr. Fernando Cirurgião (a consultinha já está marcada, já não sou uma grávida orfã de obstetra).
Sou uma pessoa muito mais feliz.
A sério.
É incrível como se dá valor à ausência de dor quando se tem dores de verdade.

Em 5 meses...

... ele decepcionou-me seis vezes.
A primeira foi às 5 semanas. Uma dor na barriga levou-me ao consultório e, depois da ecografia, ele disse que achava o saco pouco redondo, que talvez fosse uma gravidez ectópica. Assim, como quem diz: "Tens aí um abcesso, que chatice." Mandou fazer a análise de sangue. E eu, a tremer e chorosa, fui.

A segunda foi quando lhe liguei, contente com o resultado da análise, com valores elevados, que apontavam para aquele número de semanas de gestação. Do outro lado da linha, limitou-se a dizer, como quem fala de outra merda qualquer, "Isso é um fraco positivo". Quando, perante todos os resultados que vi na net, não era verdade. Não era um fraco positivo. Um outro obstetra sossegou-me ao telefone, mandou-me ir ter com ele, fez-me uma ecografia e disse que tudo lhe parecia perfeitamente normal.

A terceira foi umas semanas depois quando o mesmo dente que ainda me está a lixar a vida me começou a doer muito. A dentista disse que era preciso tomar antibiótico, mas pediu para ser o obstetra a indicar qual devia tomar. Ao ligar, respondeu: "Olha lá, eu não sou dentista!" A perder a paciência, repliquei que não, pois não, mas que era obstetra e tinha, por isso, obrigação de saber que antibiótico faria menos mal ao feto. Respondeu: "Os dentistas também sabem. Ela que te diga." E mais nada.

A quarta foi com as contracções. Às 13 semanas comecei com contracções. Tratou-me como uma atrasada mental: "É impossível ter contracções às 13 semanas". Eu, que além de não ser atrasada mental já tenho dois filhos, sei o que são contracções. Calei-me, para não me arreliar. Mas as contracções continuaram.


A quinta decepção foi agora. Que as contracções se tornaram mais fortes e dolorosíssimas. Fui lá, entre consultas, num instantinho. Admitiu, a custo, que podiam ser contracções provocadas por "aderências das anteriores cesarianas". Fez análise à urina (insistindo em infecção urnária, que não tinha),receitou magnésio (coisa que devia ter feito, pelo que percebo, desde a primeira queixa), ferro (porque estou anémica) e no final, claro, fez-me pagar tudo-tudinho, mesmo a estúpida e inútil análise ao chichi, mesmo depois do erro ter sido dele, que insistiu em infecção urinária e não acreditou quando lhe disse: "Você pode chamar-lhe outra coisa qualquer, bicos de papagaio, artrose, até cancro. Mas o que eu tenho são contracções".

A sexta decepção foi esta semana. A dor de dentes violenta, a dentista sem me conseguir tocar, a pedir desculpa mas que não podia receitar anti-inflamatório, e que o dente só lá ia com anti-inflamatório, mas que isso só o obstetra poderia permitir. Ou não. Mandei-lhe um fax, não respondeu. Liguei-lhe. Enfadado, atirou: "Diz lá...". Expliquei o drama, em lágrimas, e ele, à pressa, só respondeu: "Anti-inflamatório não. Só Benuron." Mas, mas, mas... O Benuron não me faz rigorosamente nada, o dente está muito infectado, não posso ficar 4 meses a chorar de dores. "Pois. Benuron. Adeus."

Em desespero, falei com outro obstetra, o mesmo que me descansou ao princípio. "Pode tomar Ananase ou Maxilase. São enzimáticos, não fazem mal ao bebé. E para as dores tão fortes pode tomar Nolotil. E ponha-me a par, as melhoras, um beijinho." E no dia seguinte eu já não chorava de dor. E já não tinha o olho deitado abaixo e o ouvido a doer. E estou a melhorar e, em princípio, na quinta-feira, a dentista já vai conseguir desvitalizar-me o dente e acabar-me de vez com o sofrimento. E que sofrimento...
Obrigada, Dr. Fernando Cirurgião. Muito obrigada mesmo.

Entretanto, sinto-me burra. Sou burra.
Sou burra porque estou triste de o deixar, apesar de seis decepções em cinco meses. Mas foi ele quem me tirou dois filhos de dentro da barriga. Foi ele que mos tirou, coisa que eu não conseguiria ter feito sozinha. De certo modo, foi ele quem mos apresentou, quem mos meteu no colo. Conheço-o há oito anos. Confiei nele. Confiei-lhe a minha vida, a nossa vida.
Mas a verdade é que, das outras vezes, tudo correu bem. Nunca lhe liguei. As consultas eram rotineiras e decorriam sem espinhas: balança, eco, audição do coração, análises, ctgs.
A verdade é que quando tudo corre bem, tudo corre bem. O problema é quando as coisas correm mal. É aí que se vê. E desta vez tem-se visto. E o que se tem visto não é bom. Não é bonito.
Sou burra porque estou triste, estou decepcionada. E perdida. É o fim de uma história. E eu, talvez pela história da minha infância, gosto muito pouco de finais assim.

Ajudem o Rodrigo

Circula na blogosfera um pedido de ajuda. O Rodrigo tem 7 meses e desde as 6 semanas tem uma Leucemina Linfoblástica Aguda. Precisa urgentemente de um transplante de medula. É preciso encontrar um dador compatível e o que se pede é que o maior número de pessoas contribua com uma recolha de sangue, a ver se se descobre este super-homem ou super-mulher. E que tal salvar uma vida? Já viu que felicidade? Pode saber mais aqui.