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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Os psicólogos são nossos amigos, F***-**!!!

Ok, ok! O título do post anterior foi infeliz, dizer que os psicólogos tratam de miúdos que não estão bem da mona também foi infeliz, eu própria sou muito infeliz, e tudo e tudo e tudo. Eu gosto de psicólogos, meus caros, a sério. Tenho alguns amigos com essa digníssima profissão. São gente de bem. Até já tive um programa de rádio com um. E que deu origem a um livro, "O Melhor do Mundo", que também podem comprar para lhe encher os bolsos a ele e a mim, que bem preciso, obrigadinha.
Eu não tenho nada contra psicólogos, meus queridos. Só não acho que o Martim tenha de ir a um. Certo? Certinho? Pronto... Já passou. É domingo, eu sei, um dia difícil para todos nós. Amanhã, segunda-feira, será pior um bocadinho. Mas depois fica tudo bem, sim? Então adeus. Cá beijinho aos psicólogos. Cá beijinho.

O Martim não precisa de engordar o bolso aos psicólogos, muito obrigadinha

Eu agradeço. Sinceramente. Agradeço. As pessoas são queridas e querem ajudar. Mas o Martim não precisa de psicólogos. Ele é super saudável, super feliz. Se querem a minha opinião sincera, ele parece-me mais saudável que o irmão, tão certinho e engomadinho, tão adulto para os seus 6 anos.
Eu queixo-me, claro. Sai-me do pêlo tanto disparate. Mas é normal que as crianças os façam, que tenham bicho carpinteiro, que desafiem os pais, que mexam, que partam, que estraguem. Senão for agora é quando? Quando tiverem a minha idade, filhos, um emprego?
Por isso, Martim: continua a dar cabo da minha cabeça, filho. Eu cá estarei para aguentar. Deixem os psicólogos para os putos avariados da mona. O meu é só irrequieto. Antes isso que alguns que conheço, que parecem bonecos: imóveis, mudos e tristes.


P.S: Mas obrigada na mesma pelos conselhos... Não esquecer que eu aqui só deposito o disparate. Como se imagina, há muito mais que não escrevo, justamente por ser o normal, a vida de todos os dias, os momentos em que tudo corre de feição.

Tabasco: um parceiro na educação infantil

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O Martim aprendeu o feminino de "puto".
Da primeira vez que o usou recebeu a explicação de que aquela palavra era feia, uma asneira a não usar nunca-nunca.
Ele gostou. Da palavra, da solenidade da explicação, da ameaça contida. E passou a usá-la amiúde. Sem saber o que significa, claro, mas consciente do efeito provocado.
Tentámos de tudo: ralhetes, castigos, quarto escuro, gritos, fingir-que-não-era-nada-connosco, fazer-de-conta-que-estávamos-mortos e, claro, porrada.
Mas ele parece gostar de todos os métodos. Parece gostar muito. Porque repetia em voz alta, cada vez mais alta, às vezes minutos depois da repreensão.
Até que, no outro dia, decidi fazer uma coisa diferente. Andava ele pela casa a dizer "És uma puta, és uma granda puta", quando eu me passei dos carretos. Fui à procura de pimenta para lhe pôr na língua, mas não havia pimenta. Então, abri o frigorífico, tirei de lá o Tabasco super-picante e dirigi-me a ele, abri-lhe a boca, espetei-lhe uma boa gota dentro, e fechei-lha.
O que se passou a seguir foi digno de desenho animado. Ele corria pela casa aos gritos, e eu até conseguia ver fumo sair-lhe pelas orelhas. Pediu água. Bebeu muita. Prometi que, da próxima vez, não lhe daria água, sequer. Ele chorou. Chorou muito. E o meu coração apertou-se. Mas fingi que não.
Eram onze da manhã e ele acabou por adormecer, com lágrimas na cara e a língua no lençol, para refrescar.
Nunca mais disse o feminino de puto. Às vezes vai para dizer mas trava a tempo, arregala os olhos e garante: "Eu não disse, eu não disse, eu não disse".
Não há dúvida de que há receitas antigas que continuam a resultar. Mesmo que adaptadas aos tempos modernos.
Viva o Tabasco. Viva a boa educação.

Novo Apelo

Obrigada à Helena Belo, à Tânia, à Mamã Vera, a todas as pessoas que tentaram ajudar. Já tenho quem tenha sabido que o bebé tinha um problema cromossómico e optou por continuar com a gravidez. Agora precisava mesmo de um depoimento de quem tenha decidido interromper a gravidez. Por não se sentir capaz de ter um filho diferente. Porque não quis. Porque não suportou. Porque é normal. Porque acho que a multiplicidade de casos e opções é muito importante. É o que enriquece o programa. É o que ajuda as pessoas a identificarem-se e a não se sentirem sós nas suas decisões, nos seus dramas. Se conhecerem alguém, agradeço muito. Para a rádio. Para a Viagem da Cegonha, da Antena 1. Obrigada.

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