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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

1 ano

Fez ontem hoje um ano que a minha vida mudou. É estranho dizer isto mas é verdade. A vida tem sido gentil para comigo em vários aspectos, nomeadamente nisto de me levar pessoas queridas. Fui muito poupada a mortes, com excepção para os meus queridos avós, mas disso, enfim, já estamos à espera. O Tiago foi o primeiro amigo que partiu. Fez ontem um ano. O Tiago foi vizinho do mesmo prédio durante 20 e muitos anos, amigo de infância e adolescência. Muitas das coisas que vivemos pela primeira vez, vivemo-las juntos. O Tiago, também conhecido por bombeiro porque uma vez apagou um fogo que deflagrou debaixo da sua janela (se a memória não me falha), era alegre, era livre, era combativo. Ajudou a construir um hal-pipe nas traseiras dos nossos prédios e foi feroz quando houve quem quisesse acabar com aquilo. Era bravo. Não se deixava atemorizar por dá cá aquela palha. Durante muitos anos teve um cão, o Doggy, e parece que ainda o consigo ouvir a gritar o seu nome pela rua, com aquele vozeirão de homem acabado de formar: "Doooggy! Doooggy! Dooooggy!"

Soube que se tornou um lutador pelos seus sonhos. Quando morreu, tinha uma escola de surf sua, em Carcavelos, e dias antes de partir confidenciava que era triste que a doença ruim lhe acontecesse agora, logo agora que estava tudo a correr tão bem.

A perda do Tiago foi dura. Nós, os amigos de sempre, juntámo-nos para um luto comum. O nosso grupo no messenger serviu de catarse à tristeza. Partilhámos fotos, revivemos histórias, rimos, chorámos. Creio que não exagero se disser que ficámos atordoados. Um pouco como se fosse impossível um de nós morrer. De certo modo, foi como se uma parte de nós, da nossa história, morresse com ele. Ver os amigos de sempre carregarem, de queixo a tremer, o caixão do Tiago foi muito perturbador. E isso, seguido de outro episódio doloroso, mudou muita coisa cá dentro.

Ontem foi dia de homenagem. Na praia de Carcavelos. Família, amigos, flores brancas jogadas ao mar.

Estava com medo da intensidade do momento mas foi sereno, bonito sem ser dilacerante, tranquilo e apaziguador, até.

O Tiago partiu mas continua vivo em cada um de nós. E isso é reconfortante de ver.

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