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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Mada no seu melhor

A Madalena tem um cabelo que é como ela: rebelde. É liso mas cheio de jeitos e, se não for domado, facilmente a miúda parece um pequeno selvagem. Na generalidade dos dias, não é domado. E na generalidade dos dias, ela parece um pequeno selvagem. Nunca quer levar ganchos, há muito que rejeita os laços, recusa bandoletes, fitas, elásticos, tranças. Anda uma mãe a criar uma filha para isto. Enfim.

Ontem decidi experimentar aplicar a prancha (já que o secador não resolve). Estive ali cheia de paciência, depois do banho, a esticar-lhe a melena com muito tempo e primor. Ela, estranhamente, deixou. Mais estranhamente ainda... gostou. E, no final, gostou tanto que parecia não se reconhecer. E, a certa altura, olhando-se no espelho, pergunta:

- Porque é que fiquei com cara de Teresinha?

 

😂 Para ela, o cabelo tão lisinho fez com que ficasse com cara de menina delicada. E menina delicada, para ela, tem nome de Teresinha. Tão bom.

 

Globos de Ouro: os looks de que mais gostei

Esta não é a minha praia - e aguardo ansiosamente a crítica imperdível da Ana Garcia Martins - mas também gosto de ver os vestidos da red carpet à portuguesa. Aliás, ontem tive uma maravilha de noite, acompanhando tudo num certo grupo de WhatsApp. 

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O meu preferido

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Odeio as sandálias mas gosto muito do vestido

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Adorei o smoking com o toque feminino do laço na camisa 

 

Houve muitos vestidos e detalhes horrorosos, mas houve uma cena que me deixou inquieta e que ainda agora me perturba a mona. O que foi isto? Circuitos integrados? (a piada não é minha, é do hilariante Manuel Marques) Electroencefalograma? Parafusos? Aguardo a teoria da Pipoca, que sabe muito disto e é capaz de ter uma explicação que me estejaa escapar.

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Nem sempre a vida segue os planos (mas pode sempre haver um plano B)

Tínhamos um fim-de-semana marcado no Alentejo para celebrar 17 anos de casamento. Desta vez, não íamos comemorar a dois mas a seis. Malas feitas, tudo pronto. Mas o Manel, que estava doente há uns dias, em vez de melhorar, piorou. Sexta-feira piorou tanto que foi internado, no SO de Santa Maria. Passámos lá a noite, por prevenção, porque a consequência da infecção que ele tem podia ser muito grave.

Dizemos muitas vezes mal do nosso Serviço Nacional de Saúde mas quanto a mim, a coisa é simples: sempre que o caso é sério recorro ao SNS e não ao privado. E nunca me arrependo. Sexta-feira foi igual. Uma palavra de agradecimento à minha querida amiga e pediatra Ana Tavares, que ao telefone me disse "se fosse meu filho ia já à Estefânia ou a Santa Maria". E, a seguir, mais palavras de agradecimento a todos os que nos acompanharam em Santa Maria, desde a pediatra Joana Fermeiro, à cirurgiã Marta Janeiro, sem esquecer a médica que fez as ecografias, Dulce Antunes, e todas as enfermeiras cujo o nome não consegui reter (mas todas atenciosas e eficientes e simpáticas - assim custa muito menos).

A noite passada no SO foi como são as noites com um filho internado, ruim. Mas no sábado de manhã a ecografia que lhe fizeram já não mostrava um cenário tão negro e, por isso, pudemos vir para casa. Com medicação e repouso absoluto, mas em casa. Um alívio.

Daí a um bom bocado, tocaram à porta. E era a surpresa do meu marido que, apesar de estarmos casados há 17 anos, consegue sempre a proeza de me surpreender. 

17 anos de casamento são 204 meses.

17 anos de casamento são bodas de rosa.

E então lá chegaram, pelas mãos de um senhor visivelmente em dificuldades para carregar aquele cesto gigante, 204 rosas, uma por cada mês dos nossos 17 anos casados.

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Foi então que fiquei a saber que as 204 rosas estavam já encomendadas a outra empresa, do Alentejo, para entregar na herdade onde íamos ficar. Com o súbito internamento do Manel, o Ricardo teve de se mexer para mudar os planos, ao mesmo tempo que geria a sua própria angústia por ter o filho no SO. Nem tenho palavras. Sacana, supera-se sempre! 

E, apesar da imprevisibilidade da vida, a surpresa foi feita, a festa foi adaptada, este dia tão especial para todos nós foi celebrado.

 

O Manel está a melhorar. E nós já estamos de olhos postos no próximo aniversário (eu estou especialmente ansiosa pelas Bodas de Ouro, já imaginando 50 anos a multiplicar por 12 meses, o que perfará 600 meses e... 600 barras de ouro! Pena que já estarei demasiado idosa para usufruir... 😂)

 

17 anos

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Neste dia eu não achava que fôssemos ficar juntos para o resto da vida. 

Gostava de acreditar que sim, claro, mas tinha as maiores dúvidas.

E ele sabia disso. Fartámo-nos de conversar sobre o assunto. Sobre a minha falta de fé em geral, e no amor em particular.

Hoje continuo a não ter a certeza absoluta que seja para o resto da vida (ninguém pode ter). Mas acredito muito mais nisso - incomparavelmente mais - do que há 17 anos.

Dezassete anos juntos, sem nos fartarmos um do outro, é obra. 

O mais impressionante? É ainda sentir borboletas na barriga quando, ao final do dia, o oiço meter a chave na porta (e não, não são gases).

Parabéns a nós!!!!!!!!

Venham mais 17!

Liberdade Interdita

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Foto: Augusto Brázio

 

Os ponteiros do relógio brilham no escuro e marcam onze horas e vinte e cinco minutos. António (chamemos-lhe assim) deixou passar a hora do sono mais uma vez. Agora, deitado na cama dura, sente-se afogado em pensamentos que não domina, não consegue dominar. Há noites em que parece que vai dar em doido, agarra a cabeça com as duas mãos para segurar o que lhe vai dentro, só que tudo gira a grande velocidade, à velocidade de três disparos certeiros. Um metro acima de si, Carlos parece passar pelo mesmo. O movimento incessante do corpo não engana, os lençóis em alvoroço para a esquerda e para a direita ajudam a confirmar que, um metro acima de si, Carlos combate a tortura do mesmo pesadelo de todas as noites.

António levanta-se. É escusado tentar dormir. Caminhar ajuda a cansar as ideias. Quatro ou cinco passos para cá, quatro ou cinco passos para lá. Quatro ou cinco passos é tudo o que tem para andar. Junto à porta verde de ferro, imagina-se a abri-la e a sair para a rua. Só isso. Sair para a rua. Deixar que os passos o levassem para onde quer que o desejo escolhesse. Só isso. Ir. Apanhar no rosto o frio da noite, fumar um cigarro. Ir até à horta, ver o estado das suas coisas, o lugar onde antes estavam as couves, o lugar onde antes cresciam os tomateiros, o sítio das batatas. Tudo coberto de ervas daninhas, tudo abandonado, toda a sua vida abandonada de um momento para o outro. Encostado à porta verde de ferro, resta-lhe a imaginação. Quando se vira, dá com os olhos do Carlos, sentado no beliche, também desistente do sono. Ambos sabem o que ambos pensam. Porque ambos dispõem apenas dos mesmos quatro ou cinco passos para cá e quatro ou cinco passos para lá. Porque os dois sonham acordados com o mesmo: liberdade.

António tem 62 anos e está detido no Estabelecimento Prisional de Alcoentre há sete anos e oito meses. Faltam-lhe doze anos e quatro meses para o final da pena. António espera pela liberdade condicional com a ânsia normal de quem está privado da autonomia, mas com o temor próprio de quem pouco tem para lá dos muros da cadeia. 

Em Setembro de 1994, perdeu tudo: a mulher com quem viveu 25 anos, o emprego, o sossego da consciência, a liberdade. Nessa noite que jamais esquecerá (até porque os pensamentos vivem uma vida própria no interior da sua cabeça), o mundo desabou à velocidade de três disparos certeiros.

Nessa noite, em Setembro, António e a mulher tinham acabado de jantar. Como sempre, ele foi tomar um banho rápido antes de se meter na cama e ela foi para uma casa contígua, lavar a loiça da janta. A certa altura, no banho, António estranhou o ladrar dos cães. Estavam demasiado inquietos para o seu gosto. Suspeitando que alguém teria entrado na sua propriedade, provavelmente com o intuito de roubar, pegou na caçadeira e fez-se ao caminho, pé ante pé, para surpreender a gatunagem. Procurou nos vários recantos do terreno sem descobrir vivalma. Até que se encaminhou para a casa das máquinas. Foi aí que os seus olhos viram o que jamais deviam ter visto. A mulher com quem comemorara as bodas de prata estava ali, nos braços de outro, ela sem camisa, o outro desabotoado, as ideias de António confusas, Juntar? Amantizar? Sou alguma galdéria ou quê? Porque é que não posso casar, como as outras, na Igreja, de papel passado, tudo certo aos olhos dos homens e aos olhos de Deus?, a sua Alzira, tão temente a Deus, uma mulher católica e de respeito assim, embrulhada com o vizinho na sua própria casa.

 

 

Ops, a mãe comeu!

É assim: não sei o que se passa comigo mas estou em modo devorador.

Tenho fome.

Tenho MUITA fome.

E fome de gordices. Só me apetece comer batatas fritas, gorduras em geral, beber vinho, comer chocolates. Eu nem sou uma pessoa de doces (sou muito mais de comida, em geral) e estou desenfreada. 

Por isso, miúdos, sabem aqueles dois últimos quadradinhos do Toblerone que comprei para vocês no freeShop? Ops, a mãe comeu! Assim mesmo, sem dó nem piedade. Primeiro um, a seguir o outro. 

Esta semana já tinha um treino minuciosa e cruelmente elaborado pelo demoníaco mister Pedro Almeida e devidamente colocado nessa plataforma do inferno chamada TrainingPeaks, mas não cumpri nada. Nada. O meu marido foi nadar, pedalou nos rolos, e aqui a pessoa a comer e a olhar. E ele: "Vem nadar também!" E eu: "Nah". E ele: "Vamos correr os dois?" E eu: "Nah". E ele: "Não pedalas, hoje?" E eu: "Nah".

É evidente que a pessoa está a enchouriçar (basta um deslize para a pessoa principiar a assemelhar-se a uma alheira) mas nem isso a demove de ingerir tudo o que lhe aparece à frente.

E é isto.

Para a semana, a pessoa vai ter de fazer uma inversão na sua marcha devoradora, antes que seja um caminho sem regresso. Além de que... diz que a imbecil se inscreveu no Half IronMan em Setembro. E, parecendo que não, faltam menos de 4 meses.

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Hoje há Jackpot

Já sei onde vou comprar casa.

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Foi neste edifício que conheci o meu marido. 

Foi neste edifício que me fiz jornalista (já era antes mas foi aqui que tudo se consolidou).

Foi aqui que fui feliz durante doze anos.

Uma moradia no último andar parece-me lindamente.

 

(notícia completa AQUI)

Cá Dentro

Um guia para descobrir o cérebro. Da editora (que é mais um presente do que uma editora) Planeta Tangerina.

Cá Dentro, de Isabel Minhós Martins, Maria Manuel Pedrosa e Madalena Matoso, é um livro ilustrado sobre tudo, mas mesmo tudo, o que se passa dentro da nossa cabeça. E é um livro para miúdos mas também para graúdos. É impossível não ficar agarrado a algum dos capítulos, seja o dos Sentidos, o da Aprendizagem, da Memória, da Consciência, do Corpo, das Emoções, e muitos outros. Nada fica por dizer. Fala do nosso cérebro mas também do cérebro dos animais. E desmistifica mitos (serão os cérebros de rapazes e raparigas iguais ou diferentes? Será verdade o mito de que só usamos 10% do cérebro? Serão os canhotos desajeitados por usarem apenas o lado esquerdo do cérebro?)

É filosofia, é informação, é emoção, é ilustração. São mais de 300 páginas que, apesar de serem acessíveis a miúdos desde os 10 anos, não são nunca simplistas e mantêm sempre o rigor científico. 

É mesmo, mesmo, mesmo bom. Como sempre são os livros desta editora que é um planeta com nome de fruta sumarenta.

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Mada no seu melhor

Ontem, quando vimos o grupo de praxados e praxadores, a Mada ficou muito espantada e quis saber o que raio vinha a ser aquilo.

Expliquei.

Abriu muito aqueles olhos grandes e não disse coisa alguma, que é sinal de que, não tarda nada, vem aí coisa maior, seja pergunta ou afirmação. Foi pergunta.

- Eu também vou ter de aturar isto?

Ri-me. E comecei a aligeirar, dizendo que era uma forma de toda a gente ficar a conhecer-se, que se não houvesse excessos até era divertido (no meu caso foi), que se construíam boas relações, e que os caloiros estavam, na verdade, a divertir-se.

Ela ouviu tudo, com a boca muito fechada, o que acontece quando está mesmo atenta, a absorver cada palavra. Depois, olhou de novo para o grupo. Os caloiros não sorriam. Tinham as mãos atrás das costas, a cabeça baixa, ao mesmo tempo que escutavam palavras de ordem atiradas em grito. Voltou os olhos na minha direcção e eu já sabia que estava feita ao bife. 

- É. Não há dúvida de que se estão a divertir imenso. A sério que eu vou ter de aturar isto?