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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

MERC'ART

Sempre que vamos ao Time Out Market (no Mercado da Ribeira) temos os olhos postos nos pratos. Mas desde 17 de Novembro até 18 de Dezembro, vale a pena levantá-los para o tecto porque é lá que estão, penduradas, ilustrações de 50 dos melhores artistas nacionais. Trata-se da primeira galeria de arte suspensa cá no burgo e chama-se Merc'Art. Entre os artistas (de renome e novas promessas) contam-se nomes como Afonso Cruz, João Fazenda, André Carrilho, Pedro Zamith. 

As obras podem ser vistas, apreciadas, namoradas e, por fim, levadas para casa. Não, não vai ser preciso subir ao escadote para as remover do tecto - há reproduções em formato A2, A3, postal (e até os próprios originais). São 12500 reproduções a preços muito acessíveis. As edições liitadas e assinadas pelos autores custam 15€ e 25€ e os originais começam nos 250€. Mas há mais: as vendas dos 2500 postais revertem a favor da HeArt, uma associação sem fins lucrativos que tem como objectivo divulgar e promover o trabalho artístico de pessoas com deficiência.

Não esqueçam: o Merc'art termina a 18 de Dezembro e pode ser visto às segundas, quartas e domingos das 10h à meia-noite, e sextas e sábados das 10h às 02h.

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Ah, antes que venham as polícias da publicidade encoberta, dizer que não recebi um chavo para falar sobre isto (por acaso acho mal, mas pronto) e escrevo sobre o assunto por achar uma excelente ideia e também porque a prima e madrinha mais espectacular do universo faz parte do Time Out Market.

Simulador de sintomas

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Na semana passada recebi uma caixa.

Lá dentro, umas barbatanas, uns óculos esquisitos que pareciam ter uma graduação gigantesca, e umas luvas.

Pensei: "Lá está mais um daqueles press releases malucos que não servem para nada".

Na caixa havia também um papel. Dizia "Simulador de sintomas". E continuava.

"Vamos começar?

1- Tire todos os objectos da caixa.

2 - Tenha o seu telemóvel e prepare-se para filmar tudo.

3 - Tire os óculos e experimente-os. Como está a sua visão agora?

4 - Experimente as luvas. Agora tente apertar o botão da sua camisa ou de um casaco. Foi fácil?

5 - Experimente as barbatanas. Não, não lhe vamos pedir que dê um mergulho, tente andar com elas em passo acelerado. Conseguiu?

 

Dia 4 de dezembro assinala-se o Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla. Tentámos que sentisse, da forma mais real possível, alguns dos sintomas destes doentes. Aquilo que sentiu nestes minutos é apenas uma pequena parte do que 8.000 portugueses sentem há anos."

 

E pronto. Fiquei rendida. 

Sem dúvida uma excelente forma de passar a mensagem.

Foi ontem o Dia Nacional da Pessoa com Esclerose Múltipla. Consultem o site e saibam mais: http://www.spem.pt/esclerose-multipla

 

Fígados e derivações

Boca. Dentes. Língua. Faringe. Esófago. Estômago. Fígado. Pâncreas. Intestino delgado. Intestino grosso. Ânus. Glândulas salivares. Bílis. Suco pancreático. Suco gástrico. Suco intestinal. Vilosidades intestinais. Movimentos peristálticos. Transformações químicas. Transformações mecânicas. Bolo alimentar. Quimo. Quilo. Fezes. Proteínas. Glúcidos. Lípidos. Minerais. Vitaminas. Fibras. Água. Exercício físico. Rótulos. Conservantes. Emulsionantes. Edulcorantes. Prazos de validade. Incisivos. Caninos. Pré-molares. Molares. Coroa. Dentina. Esmalte. Polpa. Raiz. 

Adjectivos. Verbos. Pretérito perfeito composto do indicativo. Pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo. Futuro composto do indicativo. Pretérito perfeito do conjuntivo. Pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo. Futuro composto do conjuntivo. Derivação por prefixação. Derivação por sufixação. Derivação por prefixação e sufixação. Derivação parassintética. Composição por justaposição. Composição por aglutinação. Preposições. 

 

Eis um resumo do meu fim-de-semana.

 

Alimentem esta ideia

A esta hora a Madalena está com as amigas Francisca e Carlota num supermercado a fazerem voluntariado para o Banco Alimentar Contra a Fome. Amanhã será a vez de eu ir com o Manel e o Martim.

Este fim-de-semana está a acontecer mais uma campanha de recolha de alimentos para entrega às pessoas mais carenciadas que são apoiadas todos os dias. E só em Lisboa são mais de 90 mil. E todos podem ajudar. Em supermercados durante o fim-de-semana e online até 11 de Dezembro, através do site http://www.alimentestaideia.pt/ ou a partir do banner que está aqui em baixo (e que vai directamente para o site). Num fim-de-semana de chuva é uma forma simples e cómoda de doar produtos sem sair de casa!

Ao alimentarem esta ideia, estão a ajudar muita gente que precisa!

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Puzzles de tamanho real

Chegaram cá a casa ontem às 11h da manhã. 11 caixotes. O Mateus adorou-os. Ainda fechados serviram-lhe de palco, depois de abertos serviram de esconderijo.

Passámos a tarde a fazer puzzles. Já temos sofá grande, sofá de orelhas, 6 cadeiras montadas. Falta a mesa.

Ainda há muita coisa fora do sítio e ainda faltam pequenos acertos de obra.

Mas a sala já está tão diferente que parece outra.

Mudámos de casa sem mudar de casa. E sabe mesmo bem.

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Presentes solidários, presentes Missão Continente

Acho que toda a gente tem consciência de que o Continente tem um fortíssimo papel de responsabilidade social, através de várias iniciativas ao longo do ano e - claro - também nesta época natalícia. 

Para quem não sabia, a Missão Continente promove a saúde familiar através do apoio a Centros de Saúde de norte a sul do país. Basicamente os Centros de Saúde participam no Concurso Missão Continente e os que apresentam os melhores projectos de intervenção na comunidade recebem o apoio. Os projectos devem promover estilos de vida saudáveis, literacia em saúde ou o aleitamento materno. 

O valor do prémio é determinado pela angariação de fundos, que decorre da venda dos presentes solidários da Missão Continente. Que presentes são esses?

A manta (PVP 4€) e a lata de bolachas (PVP 3€) à venda em todas as lojas Continente e no site Continente. Por cada produto vendido, a Missão Continente doa 1€ para o apoio aos projectos a concurso. 

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Outra forma de contribuir é através de chamadas para o 760 10 10 10 (o custo da chamada é de 60 cêntimos + IVA, dos quais 50 cêntimos revertem para o financiamento dos melhores projetos dos Centros de Saúde).

 

Em 2015, foram doados mais de 378 mil euros aos 25 projetos vencedores apresentados pelos Centros de Saúde.

 

Como é que o Centros de Saúde se podem candidatar a serem apoiados pela Missão Continente? Anualmente, é lançado um concurso dirigido aos centros de saúde. As candidaturas decorrem normalmente até meados de outubro e os projetos são selecionados mediante avaliação de um júri especializado cujos membros pertencem ao Advisory Board da missão Continente e mediante votação online por parte do público em geral. Os resultados são apresentados no 1º trimestre do ano seguinte. Isto é, os projetos vencedores agora a concurso serão conhecidos no 1º trimestre de 2017.

 

Este Natal ofereçam presentes solidários, ofereça presentes Missão Continente!

 

 

Mulheres do caraças #1

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Tamara Milagre é alemã, tem 48 anos, e vive há quase 20 em Portugal. Aos 41 anos fez uma mastectomia bilateral. No ano seguinte, removeu também o útero e os ovários. Não, não tinha cancro. Mas tinha uma gigantesca probabilidade de vir a ter, comprovada por exames genéticos. Como descobriu? Foi Sandra, doente terminal com cancro que conheceu por acaso (terá sido por acaso?) que a fez tomar consciência da realidade. Sandra não sobreviveu mas salvou-lhe a vida. Mudou-lhe, aliás, a vida por completo. Mas esta é uma longa história que se conta já a seguir.

Aos vinte e tal anos, Tamara decidiu ir estudar Arquitectura. Era enfermeira e os pais acharam que não estava boa da cabeça. A razão não era assim tão louca. "Trabalhava então nos cuidados intensivos de neurocirurgia. Tinha visto muita coisa terrível: crianças acidentadas e com sequelas permanentes, tumores, pais de crianças pequenas a morrer... Além disso, tinha acumulado muitas horas de trabalho e, quando pedi para usufruir desses dias de férias, queriam dar-me o valor correspondente mas não o tempo de folga. Estava muito sobrecarregada emocionalmente. Precisava de fazer qualquer coisa diferente, que me distraísse. Sempre tinha gostado de desenhar e pensei 'por que não Arquitectura?'"

Começou então a fazer a urgência de noite e a estudar durante o dia. Não queria largar a Enfermagem, até porque era o que lhe permitia pagar o curso. Voltar a depender dos pais estava fora de questão. Na frequência do curso, fez um intercâmbio em Barcelona e, daí, uma excursão até Lisboa. "Quando me vi no autocarro em cima da Ponte 25 de Abril, olhei para um lado e vi o Cristo, o rio, do outro lado o mar, o casario e a luz de Lisboa em frente... olhei para as minhas colegas e disse: 'meninas, eu vou viver aqui!"

E assim foi. Chegou à Alemanha, largou a casa onde estava, vendeu o carro, a mota, tudo, e veio para Portugal. "Foi mesmo amor à primeira vista." Não falava português e, por isso, foi o primeiro assunto de que tratou, ao chegar. Inscreveu-se numa escola de línguas. Pouco tempo depois, ofereceu-se numa clínica de saúde e foi aceite. Paralelamente, prosseguiu os estudos de Arquitectura na Universidade Moderna.

A vida seguiu o seu curso. Conheceu o actual marido, namoraram, casaram em 2000. Nasceram as filhas. A Sara em 2000, a Joana em 2006. Da clínica saltou para o Hospital Dona Estefânia, onde continuou o seu trabalho como enfermeira.

Foi em 2008 que conheceu Sandra. "A Sandra entra na Estefânia grávida de 29 semanas, com 27 anos de idade, e um tumor enorme na mama. Ela já tinha referido a saliência na mama nas consultas mas o médico tinha dito que era da gravidez. Só que não era. Era um cancro e quando nos chegou já tinha muito mau prognóstico porque já tinha muitos gânglios afectados. Foi mastectomizada ainda grávida. E eu só pensava: 'O que é que se passa aqui?'"

Aproximou-se de Sandra, tentou perceber o seu histórico, tentou encontrar respostas para as suas dúvidas, e foi então que percebeu que havia uma história familiar de cancro da mama, umas tias paternas que tinham passado pelo mesmo. "Ora, eu também tinha umas tias paternas com histórico de cancro da mama, também tinha duas filhas pequenas, e fui falar com a geneticista. Queria fazer o exame. E fiz. E o resultado veio positivo para a mutação BRCA1."

Tamara tinha 41 anos e uma espada em cima da cabeça. Não estava doente mas era apenas uma questão de tempo. O que devia fazer? Esperar para ver (e talvez não resistir) ou cortar o mal pela raiz? Decidiu-se pela segunda opção. "Comecei a fazer um levantamento mais incisivo e descobri que muitos familiares tinham tido cancro. Nomeadamente o meu pai que morreu em 2004 de uma embolia, mas hoje estou certa de que o que lhe provocou a embolia foi, na verdade, um cancro na próstata. A minha avó paterna tinha morrido com um cancro nos ovários, duas tias paternas com a mesma doença, uma outra tia com cancro de mama, como também uma prima. Pensei muito, o meu marido foi absolutamente notável, sempre ao meu lado para o que quer que decidisse, e concluí que não queria esperar para ver. Um cancro, quando não é mortal, é uma doença muito dura. A quimioterapia, a radioterapia, todo o processo... não. Eu não queria esperar para ver. Eu não tinha tempo para ter um cancro."

E, assim, Tamara Milagre optou pela mastectomia bilateral. Ou seja, removeu integralmente as duas mamas. Cinco anos antes de Angelina Jolie ter decidido fazer o mesmo. "As mamas são peças que alimentam os filhos e alegram os maridos. São símbolos de feminilidade, sim. Mas entre a feminilidade e a vida, a escolha era clara. Naquele momento, as minhas mamas eram duas bombas-relógio de que tinha de me livrar."

Entre a mastectomia e a histerectomia, Tamara quis ir conhecer pessoas na mesma situação. Queria perceber o que lhe tinha acontecido, que raio de coisa é esta de ter o cancro inscrito nos genes, que tipo de mutantes somos nós. Mas tinha um problema. Não podia ir à Laço nem a outra associação porque não era o público-alvo. Com efeito, Tamara não tinha cancro. Tinha-o fintado mas, para as pessoas que o fintavam, não havia associação. "Marquei então uma consulta de Risco Familiar, no IPO (Instituto Português de Oncologia). Cheguei lá e disse: 'Eu tenho história familiar, tenho a mutação BRCA e já fiz a mastectomia. A médica olhou para mim e perguntou: 'Então o que veio cá fazer?" Não hesitei: vim porque preciso de encontrar pessoas como eu. E até estou a pensar criar uma associação!" Ela deu um pulo! 'Isso é óptimo! Uma excelente ideia! Quer ir a uma conferência nos EUA só sobre este assunto?'"

Tamara não pensou duas vezes. Fez as malas e foi para o congresso nos Estados Unidos. Tinha passado por tudo como uma heroína, sempre a fazer-se de forte, e foi lá que lhe caiu a ficha. "Em plena conferência larguei num pranto. Houve uma senhora que se levantou, abraçou-me, deu-me um beijo na testa e disse: 'Já não estás sozinha.' Foi aí que tive a certeza: ia criar uma associação para que ninguém mais tivesse de se sentir sozinho."

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A Evita nasceu em 2011 e tem feito o possível e o impossível para alertar as pessoas para o risco genético do cancro. A primeira iniciativa foi traduzir o primeiro livro que fala sobre mastectomia preventiva, "Topless". Em 2015 organizou um congresso em que vieram representantes de todos os hospitais e institutos especializados em oncologia e investigação em BRCA, e que teve como convidado Steven Narod, um dos maiores investigadores do mundo em cancro da mama.

À Evita chegam todos os dias emails de pessoas preocupadas com o seu risco. Outras, depois de alertadas, descobrem que são portadoras da mutação genética que lhes deixa a espada suspensa em cima da cabeça. Uma coisa é certa: não têm de o viver sozinhas. Há encontros de entreajuda, há partilha de experiências, há abraços e respostas para as perguntas.

Tamara Milagre sabe que tomou a decisão certa de cada vez que consegue que uma pessoa finte o cancro que lhe estava geneticamente destinado. De cada vez que ajuda alguém a passar por uma cirurgia preventiva, com todas as angústias que lhe são inerentes. De cada vez que não deixa alguém sozinho a passar por tantas dúvidas e medos e revoltas. De cada vez que se lembra da promessa que fez a Sandra, de não deixar que as suas filhas passassem pelo mesmo, por pura falta de informação. Tamara Milagre fez o seu próprio milagre: salvou-se e ajuda todos os dias outras pessoas a salvarem-se. Uma mulher de garra. Uma mulher do caraças.

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 Fotos: Raquel Brinca, HUG

 

Neste momento, a Evita tem em mãos uma campanha de sensibilização para o cancro da mama no homem. Porque os homens são menos cuidadosos com a sua saúde. Mais fechados, mais embaraçados com as questões do seu corpo. Vale a pena ver a campanha.

 

Mais informações em http://www.evitacancro.org

 

A rubrica "Mulheres do Caraças" nasce da quantidade de sugestões de mulheres inspiradoras que me enviaram, quando pedi nomes para a campanha da Activia. Tantas boas histórias não podiam ficar esquecidas no meu email.

Muito obrigada a todos os que enviaram sugestões. Obrigada especialmente à Sónia Fernandes, que me sugeriu a Tamara, gostei tanto de conhecer.