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Cocó na fralda

Cocó na Fralda

Peripécias, pilhérias e parvoíces de meia dúzia de alminhas (e um cão).

Mateus, o implacável

Mateus: - Mãeeee! Mãeeeeee! Já cudei [acordei]!

Eu: - Já lá vou! Estou só aqui a acabar uma coisa, mas vou já!

Mateus: - Mãeeeeeeeeeeeeeeeeee! 

 

Demorei mais um minuto. Cheguei esbaforida mas com um enorme sorriso:

Eu: - Olá! Bom dia, meu amor!

Mateus: - Bom dia, seu demónio.

👀

 

Então e como vai isso da alimentação saudável?

Vai óptimo. O Martim tem ido praticamente em jejum para a escola porque depois de engolir 4 colheradas de iogurte com fruta e granola diz que já não aguenta mais, que vai vomitar, que nojo, não aguento, blhéc. A Madalena, de cada vez que vê o iogurte com fruta ou o pão rosna e começamos logo a manhã com o pé esquerdo. Ao jantar, todos comem sopa, até a Madalena que sempre se vomitou com sopa, desde que, aos 6 meses, a introduzi na sua vida. Conclusão: duas horas para jantar, com ela verde a meter uma colherada à boca e a apressar-se a engolir água de seguida para aquilo seguir mais depressa. A seguir, é o Martim a fazer drama, a dizer que só come 2 feijões verdes ou um ramo de brócolo ou uma folha de rúcula. Vai óptimo. 😳

 

Pôr o corpinho a mexer

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Na semana passada voltei oficialmente aos treinos. Corri todos os dias da semana, umas vezes 5 outras 6 quilómetros. No domingo fiz os 10km da Corrida da Linha. Tenho corrido algumas vezes com o Mojito, que não chega a correr porque, como é grande e eu não corro depressa, ele acaba a fazer uma caminhada em passo ligeiramente mais rápido. Acho que gosta porque, quando vê a trela especial de correr fica ainda mais feliz por ir à rua. Depois, estica as orelhinhas para trás e lá vai, ao meu lado, grande cãopanheiro. 

Esta semana vou tentar correr todos os dias mas já não consigo prometer a mim própria esta regularidade. Entre o trabalho, os regressos às aulas, as actividades extra-curriculares, os banhos e os jantares de final de dia, mais o convívio familiar que também convém não descurar... pois que não é fácil. O ideal seria acordar às 6h para correr mas também custa comó raio. Vamos lá ver como corre (literalmente). E vocês? Já voltaram às lides?

Mateus, o difícil

Ontem fui com o Manel buscar o Mateus à escola.

O Mateus foi antipático para o Manel e só ao fim de um bocado é que começou a quebrar o gelo.

Às tantas, para fazerem as pazes, o Manel pediu-lhe um abraço e ele assentiu. Abraçou-o.

O Manel derreteu e perguntou:

- E um beijinho? Dás ou já é pedir demais?

Resposta do amoroso:

- É demais.

😳

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Surpresa!

Um dos meus afilhados fez anos e eu esqueci-me. O meu primeiro afilhado. O filho de uma das minhas melhores amigas. Morri. Quando ela me mandou uma mensagem anteontem, morri um bocadinho. Ainda por cima, já em Junho me tinha esquecido do aniversário do marido, um dos grandes amigos do meu marido (ele também se esqueceu, que isto de atirar as culpas para cima de mim é muito bonito mas, em bom rigor, esquecemo-nos ambos). 

Todos os anos passo os aniversários de uma agenda para a nova. Mas este ano, algo me afastou da minha tarefa e a partir para aí de Julho não escrevi mais. No dia 12 tive uma certa sensação de que havia alguém importante a fazer anos mas fui à agenda e não estava lá nada (e nunca mais me lembrei que ela tinha ficado com aniversários por preencher). O desconforto continuou "eu acho que havia alguém a fazer anos hoje mas...". 

Para tentar remediar a coisa, corremos a comprar um bolo, umas velas, um presente. Jantámos a correr e zarpámos para casa deles. Chegados à porta da rua, ficámos à espera que alguma boa alma saísse ou entrasse, viesse pôr o lixo ou passear o cão, para podermos entrar no prédio sem termos de tocar para eles, para que a surpresa fosse feita mesmo já à porta de casa. 

Arriscámos. Ligámos à irmã do afilhado-esquecido, explicámos tudo, pedimos que nos abrisse a porta disfarçadamente. Sorte do caraças: estava em casa dos avós, no mesmo prédio, e pôde por isso falar sem constrangimentos e abrir a porta na boa sem dar nas vistas. Subimos, acendemos as velas, e cantámos os parabéns e pedimos mil vezes desculpa. 

Conclusão: vou ter de pegar nas agendas antigas e verificar tudo, para ver se não falho com mais ninguém. Sobretudo com mais ninguém desta família, caraças, que já meti a pata na poça que chegue.

(as minhas desculpas a alguém a quem possa também ter falhado com os devidos parabéns... a pessoa não vai para nova, e sem agenda actualizada... não há milagres!)

75% de regresso às aulas

A casa quase vazia. Três já na escola. Falta apenas um.

Neste tempo, sentimentos que se misturam. Por um lado é bom poder voltar ao trabalho em força - coisa que, com eles em casa, não é de todo possível. Também é bom o regresso do silêncio à casa e será bom, para a semana, voltar ao escritório. E não me agrada menos o facto de não ter de cozinhar para 6 ao almoço e para 6 ao jantar, que é algo que, para além de incrivelmente dispendioso, é um exercício de criatividade absolutamente engenhoso. Assim como há um lado exultante no facto de ir conseguir manter as coisas um bocadinho menos caóticas (atenção que não descarto o caos, de uma forma ou de outra sempre presente, mas já me satisfaz a sua diminuição).

Por outro lado, são os meus meninos que vão passar o dia todo fora. A crescer longe. E este tempo em que ficámos o dia todo uns com os outros foi bom, foi construtivo, foi unificador. Há sempre uma certa sensação de desmembramento neste mês de Setembro. Que é libertadora e dolorosa ao mesmo tempo. Porque nada é completamente bom ou completamente mau. O segredo está em aprender a apreciar este agridoce que a vidinha sempre nos traz.

Bom ano lectivo para a miudagem. E para os pais.

Os enfermeiros

A minha sogra ia hoje fazer um pequeno procedimento cirúrgico e voltou para casa, por causa da greve dos enfermeiros. Por muito aborrecido que seja (e é), estou muito solidária com a luta dos enfermeiros. Acho que é uma classe muito negligenciada e, no que toca à saúde, se não fossem eles estávamos bem arranjados. Lastimo profundamente que quem cuida dos que estão doentes, sejam médicos ou enfermeiros, não tenha um pagamento e condições à altura. São pessoas que, regra geral, se entregam de corpo e alma à sua profissão, que a vêem como uma missão, descurando por vezes até a família e os horários de vida para lá do hospital por amor à camisola. 

Vale a pena ler ESTE testemunho. Se não tiverem tempo para ler tudo (que o texto ainda é grande), deixo este excerto, que diz muito sobre o que é um enfermeiro e a razão pela qual todos eles deveriam ser bem tratados:

"Fiquei sozinha com a roupa do menino nas mãos, eram tão pequeninas e cheias de sonhos. Debruço-me no balcão e debato-me intimamente com Deus e a vontade carnívora de não voltar no dia seguinte. O miúdo faleceu uma hora depois de extenuantes esforços e eu chorei compulsivamente no carro até casa. O apelo gritado daquela mãe regelou-me até à medula. Já tinha sido enfermeira de cabeceira do ladrão de loja baleado pela polícia, do assassino da esposa esfaqueado pelo filho e até de um violador de ambas as filhas menores com toda a conduta que a ética e a deontologia profissional exigiam, num equilíbrio muito complexo do que verdadeiramente queria e do que tinha de fazer. Tinha já sobrevivido a provas de fogo mas nada tão visceral quanto aquela morte.

Há seis Natais que ali estou todos os dias desde que jurei o "nunca mais". Continuo sem saber porquê.

Há dias em que salvamos pais e filhos e vencemos Adamastores. Cantamos para minimizar a dor, desenhamos caretas nos adesivos e testamos o músculo dos super-heróis quando avaliamos as tensões arteriais. Permitimos beijos adolescentes antes de uma cirurgia porque não sabemos se é o último. Conversamos angústias e guardamos confissões. Embalamos, seguramos e protegemos. Ajudamos os pais a tornarem-se pais. Tocamos diariamente vidas que tocam as nossas também. Somos a diferença.

Levantei-me porque estou cansada de estar vergada Sr. Ministro. Estou exausta de falsas promessas que nunca chegam. Não pretendo ganhar como um médico e muito menos ser comparável, nem que eles usurpem as minhas preciosas funções junto de quem mais precisa. Se todos desempenhássemos os mesmos papeis não existira necessidade de coexistirem duas profissões tão distintas. Quero que me permita continuar a ser enfermeira com o respeito que mereço e não sinto, que quem emigrou deseje regressar e que quem se licencie tenha esperança em ser acolhido pelo país que quer servir. Não vou permitir que deixe morrer as histórias que vivem em mim, que ampute a progressão das mãos que profissionalizam o cuidar e que desrespeite o conhecimento que figura na minha estante. Não vou!

Levantei-me para dizer BASTA.

E comigo, somos 70.000."

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Granola, a receita

Pediram a receita da granola caseira?

Eh pá... nem se pode bem chamar receita a isto, mas cá vai:

Forram num tabuleiro gigante com papel manteiga. Deitam lá para cima:

- Flocos de aveia integral

- Avelãs

- Amêndoas sem pele

- Nozes pecan

- Sementes de abóbora

(e outras coisas do género que queiram)

A seguir, deitam mel por cima. Não muito, porque senão o objectivo de reduzir o açúcar fica comprometido. 

Levam ao forno, previamente aquecido.

Quando começa a cheirar a bolo pela casa toda (e pelo prédio), vão lá espreitar, mexem um bocado, e deixam ficar até estar tostadinho. Deixam arrefecer e metem num frasco com tampa hermética. 

 

Andava para fazer isto há séculos e agora que fiz nem acredito como é estupidamente simples.

Os miúdos adoraram (bom, o Martim nem por isso, mas ele não conta porque não gosta de praticamente nada que seja levemente saudável). Mas, de notar que estão todos a fazer um esforço. A Madalena, que não suporta sopa desde bebé (vomitava-se toda e comecei a dar-lhe legumes em vez de sopa por sugestão do próprio pediatra, que viu a minha luta), todas as noites tem comido uma tigela. O Martim tem-se esforçado por escapar aos doces e por aprender a experimentar novos sabores, ainda que desconfie muitíssimo deles. Repito: isto ainda pode tudo dar em nada, mas estamos todos a esforçar-nos, e isso já é muito positivo.

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Aqui, acabadinha de sair do forno 

Somos o que comemos

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Aqui em casa andamos em mudanças. A tentar dar um certo ânimo e qualidade à alimentação de todos. Evitar coisas cheias de químicos, conservantes e coiso e tal. A reduzir (muito) o consumo de carne, seja encarnada ou branca. A contar o açúcar dos alimentos, porque ele está em todo o lado e acabamos a ingerir muito mais do que o recomendado. A diversificar as receitas, para que não seja tudo sempre tão sensaborão. Dá trabalho? Algum. Mas estou a tentar levar a coisa para o lado do prazer. "Ora vamos lá empenhar-nos num prato bonito e saudável que nos dê gosto a todos". E tem sido mesmo bom ouvir os elogios. 

Ontem fiz um caril de peixe que estava mesmo bom. E esta granola caseira, que comemos hoje ao pequeno-almoço. 

 

Estou a ler o livro do Manuel Pinto Coelho "Chegar Novo a Velho" e vi dois documentários há pouco tempo que me deixaram um nó na garganta. "Jamie's Sugar Rush", do Jamie Oliver, e "What The Health", de Kip Andersen. Este último não consegui ver até ao fim, tive de interromper porque estava agoniada, e não sei, sinceramente, se conseguirei voltar a comer carne. O pior? O pior é que o mal não está só na carne, está em TODO o lado. E às tantas olho para as opções e juro que não sei para que lado me virar. 😳

Uma história verdadeira (e repetida) que é um grito de alerta

Já não é a primeira vez que alguém me conta uma história assim. São, de resto, tão iguais que até arrepia. E é por isso que quero deixar aqui o alerta. Porque isto acontece, porque isto repete-se, porque isto pode salvar-vos a vida.

Uma pessoa que entrevistei há uns tempos, e que partilhou comigo uma história inspiradora, teve há pouco tempo um bebé. Estava a amamentar e tudo corria bem. Até que um dia, sentiu um nódulo na mama. Inquieta, foi ao obstetra. Do outro lado, a mesmíssima resposta de uma outra história que já me foi contada há algum tempo: "Isso é leite que encaroçou, não se preocupe". A pessoa em questão foi para casa mas continuou com receio de que não fosse assim tão simples. Passado um mês, voltou ao médico. O nódulo estava maior. Mas o médico tornou a desvalorizar. Que era leite, que não se preocupasse. Mas ela insistiu e pediu exames. O médico, quase contrariado, lá acabou por ceder. Antes que ela saísse ainda se despediu aconselhando-a a "tirar essas ideias da cabeça".

A minha entrevistada fez os exames e a médica já não a deixou sair do centro sem fazer uma biópsia. Sete dias depois veio o veredicto que ela, instintivamente, já conhecia: carcinoma da mama.

A notícia chegou há uma semana. Ela teve tempo apenas para secar o leite, acostumar o seu bebé ao biberão, arranjar uma escola para o deixar enquanto estiver a tratar de si, e introduzir o tema aos irmãos mais velhos.

Sexta-feira passada começaram os tratamentos de quimioterapia, que se vão prolongar por 5 meses.

Vai correr bem. Só pode correr bem. Ela é uma guerreira (tanto assim é que tem o diagnóstico há uma semana e escreveu-me um email para que pudesse alertar mais pessoas sobre estes equívocos médicos que podem ser tão graves). Ela é uma guerreira e vai dar luta ao bicho. E vai ganhar.

 

 

Quanto a quem estiver a ler esta história (que, como disse no início, não só é verdadeira como aconteceu, tal e qual, com outra pessoa que entrevistei há tempos), fica o alerta: façam o auto-exame da mama com regularidade e, se encontrarem alguma massa estranha, vão ao médico (quem diz a mama, diz qualquer alteração no vosso corpo). E mesmo que o médico diga que não é nada, pelo sim pelo não, peçam exames. Eu amo médicos, como sabem. Acho que são o mais próximo que há de Deus. Mas não são infalíveis. Às vezes enganam-se. E nem sequer têm de ser maus médicos para que isso aconteça. Simplesmente são humanos. E falham. Se pudermos reduzir a margem de erro com meios auxiliares de diagnóstico, melhor.

 

Boa sorte para a minha entrevistada.

Bos sorte para todos os que estejam a passar pelo mesmo.